NOTÍCIAS – 05/02/2005


FUTEBOL

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, plano do parceiro corintiano é trabalhar como investidor no Brasil


KIA INVESTE US$1,8 MILHÃO PARA OBTER VISTO

EDUARDO ARRUDA
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

RICARDO PERRONE
DO PAINEL FC

Kia Joorabchian planeja injetar US$ 1,8 milhão no braço brasileiro da MSI e ingressar com pedido de visto de investidor, válido por cinco anos, para regularizar sua condição de trabalhador no país.

A informação foi dada pelo escritório de advocacia Veirano, que representa a parceira corintiana, à coordenadora-geral de imigração do Ministério do Trabalho, Hebe Teixeira Romano.

Como revelou a Folha, a pasta avalia que Kia está irregular no Brasil, pois toma decisões profissionais pela empresa. Ontem o ministério divulgou nota dizendo que encaminhou ofício à Polícia Federal solicitando providências sobre a situação do dirigente.

O ministro Ricardo Berzoini cuidou pessoalmente do caso. A pasta quer saber onde o iraniano assinou o contrato de dez anos com o Corinthians. Se foi no Brasil, ele poderá ser anulado.

Kia, que possui passaporte inglês, tem visto para realizar negócios no Brasil válido por 90 dias. A autorização porém não permite que ele tome atitudes como empregar funcionários e representar a MSI, de acordo com o Ministério do Trabalho. O documento expira na próxima quarta-feira.

Dessa forma, o Veirano pretende ingressar com o pedido do documento para investidor ao executivo iraniano, que permitirá a ele despachar no país.

O Ministério do Trabalho enviou ofício para Paulo Roberto Ornelas de Linhares, coordenador-geral do setor de imigração da Polícia Federal em Brasília, para checar a situação de Kia, mas até ontem não obteve resposta.

Romano e Linhares, porém, conversaram por telefone sobre o iraniano e a funcionária do Ministério do Trabalho disse que Kia cometera ato de gestão e, portanto, está em situação irregular.

"Tenho obrigação por lei de informar uma irregularidade. Mas não tenho poder de expulsar ninguém do país. Isso é com a Polícia Federal", disse Romano.

Ela também informou o escritório Veirano sobre a condição ilegal de Kia. Os advogados do executivo avisaram que vão regularizar a situação. Para ter o visto de investidor, o estrangeiro precisa aportar, no mínimo, US$ 50 mil no país. A MSI brasileira foi aberta com capital de R$ 1 mil.

Embora o visto de investidor seja temporário, a MSI divulgou, por meio de sua assessoria de imprensa, que desde o início Kia "já sabia que pediria um visto permanente para poder trabalhar no prazo de duração da parceria".

(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 05/02/2005, p. D-3)