NOTÍCIAS – 4/2/2005



MINISTÉRIO DO TRABALHO CONVIDA KIA A DEIXAR O PAÍS


A coordenadora-geral de Imigração do MTE, Hebe Teixeira Romano, pediu ontem à PF que notifique o empresário para que deixe o Brasil por exercício ilegal de gestão. Para ela, o fato de não ter autorização do ministério torna nulo o contrato entre a MSI e o Corinthians

Vasconcelo Quadros
Especial para o Estado


BRASÍLIA - A coordenadora-geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego, Hebe Teixeira Romano pediu ontem que a Polícia Federal notifique o iraniano Kia Joorabchian, responsável pela empresa Média Sports Investiment Group (MSI) - dona de 51% do lucro líquido auferido pelo Corinthians pelo prazo de 10 anos - para que deixe o Brasil por exercício ilegal de gestão. Segundo ela, embora ele tenha entrado legalmente no país portando um passaporte inglês com visto de negócio, o novo homem forte do Corinthians não tem qualquer tipo de autorização do Ministério do Trabalho e Emprego ou registro na Polícia Federal que o autorize a assinar documentos ou fazer gestões pela empresa que se associou ao clube. Hebe sustenta que, por essa razão, o contrato entre a MSI e o Corinthians é nulo.

No ofício encaminhado ao delegado Paulo Roberto Ornelas de Linhares, coordenador-geral de Polícia de Imigração do DPF em Brasília, Hebe anexa documentos "comprovando que o estrangeiro Kia, apesar de não possuir autorização de trabalho emitida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, está assinando documentos em nome da empresa MSI, o que configura ilegalidade, pois trata-se de atos de gestão cuja prática está restrita a trabalhadores permanentes devidamente autorizados."

A Coordenadora Geral de Imigração explica que o visto apresentado pelo iraniano veda a prática de gestão em empresas brasileiras, o que, conforme ressalta, é o caso do Corinthians, que está inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e atua como empresa comercial qualquer. "A Polícia Federal deve notificá-lo e pedir que deixe o Brasil. Se ele (Joorabchian) quiser voltar ou tornar legal o contrato firmado com o clube e os atos da empresa, terá de fazer isso através de um procurador legalmente nomeado ou então pedir autorização específica de gestão no Ministério do Trabalho e Emprego. Mas antes deve deixar o país", disse Hebe.

O ministério pede também que a Polícia Federal examine os termos do contrato de gestão exclusiva, em que o clube concede a MSI, por prazo de 10 anos, gestão exclusiva do Departamento de Futebol Profissional e amador, para as providências cabíveis. O contrato, de dez páginas, leva as assinaturas de Kia Joorabchian e do presidente do Corinthians, Alberto Dualib. Para Hebe, a simples constatação de que o iraniano está trabalhando ilegalmente no país "torna nulo", por extensão, o contrato que tem permitido ao clube e a empresa realizar as contratações milionárias, entre elas a do argentino Tevez.




(O ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 04/02/2005)