NOTÍCIAS – 2/2/2004
FUTEBOL
ESTÃO VIVOS
JORGE
KAJURU
ESPECIAL PARA A FOLHA
Futebol
sem rivalidade não é futebol. As maiores provocações
da segunda-feira ocorrem em razão do resultado de seu time no
fim de semana. Quebrei a cara (espero que outros colegas, alguns mais
elitistas, possam reconhecer o erro) com o sucesso de bilheteria nas
primeiras rodadas dos torneios estaduais. Para quem esperava o fim
dessas competições, eis a redenção em
nossas caras.
Pará, Ceará, Bahia, Pernambuco... e
uma meia dúzia de praças com públicos
apaixonados. Seus times podem até tomar goleadas diante de
Flamengo e Corinthians, desde que vençam nos clássicos
locais. Rio, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul não
são diferentes.
Como estatística para os fanáticos,
nada é mais importante do que os números que contam a
história dos duelos Cruzeiro x Atlético, Gre-Nal, Fla-
Flu, Palmeiras x Corinthians (este, então, é como
Brasil x Argentina, com diferença emocionante de uma ou duas
vitórias). Enfim, todos ligados na mesma informação.
Quem venceu mais? Em meio a globalização que toma
conta, também, do esporte, o torcedor dá o seu recado:
há, sim, espaço para as disputas regionais. Todas, sem
exceção. Elas precisam é de mais organização,
planejamento, racionalidade e de nossos aplausos.
UNIÃO
IMPERFEITA
Corinthians x Atlético Sorocaba. Entram em campo
Anderson, Betão, Wendel, Coelho, Edson, Fininho, Jô, Gil
e Rosinei. Nove atletas feitos no Parque São Jorge. Depois,
saiu Marcelo Matos e entrou Bruno Octávio, que também é
prata da casa. Maravilha! Dez dos 11 são do
Corinthians.
Definitivamente, não. O casamento, em 99, com
a Hicks foi no regime parcial de bens. Ou seja, essas dez promessas
apareceram após a parceria. Assim, cumpra-se o contrato. O
clube tem 50%, a Hicks segue tendo 50%. Apenas o bom Gil não
entrou na sociedade.
Pasmem! Novo casamento e o Corinthians não
aprendeu. Com a MSI, o regime é universal de bens. Universal?
Kiabsurdo.
Daqui para a frente o clube tem 20% dos direitos de
todo atleta contratado pela MSI (e Tevez?) e por sua vez a empresa de
origem não sabida terá 20% dos direitos de todos os
jogadores, em qualquer situação. Enquanto a polícia
não levanta a mão e se diz contra, as duas partes,
felizes, para sempre... Até que a morte nos separe.
VOCÊ
DECIDE
Já escrevi nesta Folha que em breve as pessoas
éticas vão ser linchadas no mundo onde o errado é
que parece certo. Diversas foram as manifestações
irritadas de fiéis corintianos. Contrários ao que penso
sobre a parceria com a MSI, me questionam com o argumento de que não
interessa a origem da grana. Até bicheiro já fez o
mesmo em outros clubes ? Ok! Respondo com perguntas. Você,
torcedor, prefere ver seu time sempre estruturado e disputando
títulos? Ou ganhando tudo em dois anos e, depois, crise e
falência?
VOCÊ "FARIAS'?
Para os
leitores, há diferença entre o imoral e o ilegal? No
meu entender, nenhuma. O navegador Américo "Vespúcio"
Faria (passou por Flamengo, Palmeiras, Vasco...), ora atracado na
CBF, enfrenta agora um tsunami. Acostumado com mares calmos, meteu
seu barco nas águas caudalosas de um clubinho chamado Grande
Rio. Grande mesmo. Tem, pelo menos, 500 jovens que podem ser
negociados a qualquer momento com o futebol de além-mar.
Américo realizou o caminho da volta de Cabral e descobriu
Portugal. Lá, no Porto, estava Carlos Alberto, que foi
negociado por valores milionários com o Corinthians. Parte
dessa grana estaria no bolso do destemido capitão. Você
"Farias"?
JORGE KAJURU, 43, é
jornalista.
(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 2/2/2004)