É
GOL!
DOIS
CLUBES-EMPRESAS
São
Caetano e Paulista de Jundiaí decidem o Campeonato Paulista
deste ano. São clubes-empresas. Os únicos, que se
saiba, da principal divisão do futebol
paulista.
Evidentemente, eles não estão na
decisão apenas por terem se transformado em empresas. Grandes
conquistas, quase sempre, se explicam por um conjunto de fatores. Por
um somatório de ações. Mas não se trata
de coincidência. O fato de serem clubes-empresas foi
fundamental.
Fundamental porque a organização,
que ocorre na preparação para se transformar em
empresa, e a rotina, depois implantada, garantem racionalidade,
responsabilidades claras, diretrizes, metas objetivas e planos de
trabalho. Asseguram um acompanhamento e correção de
rumos, enfim, proporcionam um processo de administração
adequado.
Um clube exerce atividades comerciais. Quem pratica
atividade comercial é uma empresa. Não pode ser
administrado como associação civil sem fins lucrativos,
que é outra coisa e exige outra dinâmica. Misturar tem
sido um dos erros básicos que, muitas vezes, escapa até
a dirigentes bem intencionados, que sofrem por isso sem saber.
Ser
empresa é importante, em primeiro lugar, devido a esse
processo saudável de gerenciamento que se instala, trazendo os
melhores resultados possíveis. O processo é saneador e
eficaz.
Depois, quando se tem responsabilidade objetiva, com
funções claras e obrigações definidas
pela legislação correta, a de sociedades empresárias,
o trabalho torna-se mais eficiente, ganha qualidade e é mais
eficaz, produzindo o resultado no tempo certo.
O São
Caetano transformou seu futebol em empresa há pouco tempo, mas
já vinha se organizando para isso há muito. E o
Paulista, um dos primeiros, há seis anos.
Não
vou entrar em detalhes sobre cada um, pois os clubes devem respeitar
as próprias particularidades. Cada um deverá ter seu
modelo. O que importa é o processo de organização,
de gerenciamento.
São Caetano e Paulista não
foram surpresas. Chegaram lá porque souberam se organizar. E o
processo garantiu os resultados.
GINÁSTICA E
COGUMELOS-DO-SOL
Há
muito tempo foi o ipê roxo. O elixir da casca de ipê roxo
curava todos os males. Agora, há farta propaganda sobre o
cogumelo. Deve trazer alguns benefícios, pois é
alimento. Mas não é, com certeza, uma panacéia,
remédio para todos os males.
O cogumelo tem
representado o imediatismo brasileiro. Tendemos a querer soluções
rápidas e milagrosas para qualquer problema. Trabalho longo,
dedicado, esforço, perseverança não são
acolhidos pela nossa impaciência, pela ansiedade. Queremos
solução rápida e imediata. Em vez de procurarmos
as questões fundamentais, a estrutura correta, recorremos ao
macete, ao atalho, instigados pelo famoso jeitinho de que nos
orgulhamos tanto. Não dá certo para as grandes
conquistas.
A ginástica artística, que nos
encheu de emoção no Riocentro, é o símbolo.
Ali há anos de esforço de todos, de muita dedicação.
Quando Nádia Comaneci deslumbrou o mundo e estimulou Daniele
Hypolito, pouca gente acreditava que um dia chegaríamos lá.
Chegamos. Com planejamento, treinamento, esforço.
Quando
as lágrimas enchem nossos olhos, o que as provoca não é
só orgulho de vermos jovens pobres hasteando nossa bandeira. É
a certeza de que, dando oportunidade ao brasileiro e havendo
organização e dedicação, chegamos lá.
Nós
conseguimos.
JOSÉ
LUIZ PORTELLA
(LANCE
A MAIS!, ANO 4, ED. 189, 10-16/4/2004, p.5)