NOTÍCIAS – 05/11/2004



FUTURO ESTÁ EM JOGO


CONSELHEIROS CORINTIANOS DECIDEM HOJE SE QUEREM SE ASSOCIAR POR DEZ ANOS COM GRUPO INTERNACIONAL, EM TESTE DE FOGO PARA DUALIB



Desde 1993, quando assumiu a presidência do clube, Alberto Dualib não enfrenta uma parada tão dura e apertada no Conselho Deliberativo.

A expressão "o Dualib tem o Conselho na mão, aprova o que quiser", tão comum na Fazendinha nos últimos onze anos, não foi ouvida ontem.

O racha é claro e, independentemente do resultado, é irreversível. Rubens Approbato Machado, Antonio Roque Citadini e Waldemar Pires são algumas das lideranças que se mantiveram fiéis ao presidente, mas estão contrários à parceria. Eles formarão uma oposição com muita força caso a parceria seja aprovada.

Do outro lado, Nesi Curi, Andrés Sanchez e conselheiros ligados à parte social vão sair muito fortalecidos em caso de aprovação da parceria.

A tensão é evidente dos dois lados. O conselheiro Jorge Kalil, entusiasta da parceria, manteve o discurso otimista, mas sabe que o clube ficará em cacos após o desfecho, seja ele qual for.

"O Corinthians tem um Conselho formado por pessoas do mais alto nível, magistrados, professores universitários, juristas, advogados, tributaristas e deputados. Vivemos em uma democracia e, o que for a vontade da maioria, terá de ser respeitado. Eu mesmo, caso o Conselho opte pela não aprovação da parceria, serei o primeiro a aceitar, mas confio que teremos 90% dos votos", afirmou Jorge Kalil.

O ex-presidente da OAB Rubens Approbato Machado, uma das lideranças contrárias ao acordo, espera que as coisas aconteçam às claras.

"Essa MSI é uma empresa que não existia até agosto e as informações que chegam a respeito de seus sócios não são das melhores. Temos que ver bem com quem um clube tão tradicional como o Corinthians vai se associar por um período de dez anos", afirmou Approbato Machado.

E a reunião -se realmente ocorrer, já que a oposição estuda um pedido de liminar -pode ter desdobramentos na próxima semana. Caso passe, o ex-delegado e deputado estadual Romeu Tuma Júnior (PPS-SP) levará o caso à polícia.

"Se passar essa parceria, o que não acredito, na segunda mesmo entro com inquérito na polícia e no Ministério Público", garante Tuma.

Na prática, a parceria significa o arrendamento de dez anos do futebol corintiano que, em troca, ficará livre do ônus das despesas do futebol e, em caso de lucro, ficará com 49%, além da quitação imediata das dívidas do clube, estimadas em R$20 milhões.

Antes de fazer a proposta de parceria para o Corinthians, a MSI tentou, sem sucesso, se associar a Santos, Palmeiras e Grêmio.


(VITOR GUEDES)


(AGORA SP, VENCER!, 05/11/2004)


ROBINHO E LIMINAR NA GUERRA DA PARCERIA



FAVORÁVEIS À PARCERIA JOGAM PARA A FIEL TORCIDA COM NOMES COMO ROBINHO E TEVEZ. A OPOSIÇÃO ESTUDA ADIAR A VOTAÇÃO ATRAVÉS DE LIMINAR.


Conselheiros favoráveis e contrários à parceria de dez anos do Corinthians com a MSI saíram cedo ontem da cama ontem da cama para azeitarem as últimas estratégias para a votação de hoje à noite, que pode, inclusive não acontecer.

Advogados da oposição passaram o dia debruçados sobre o estatuto, pensando na melhor forma de pedir uma liminar para adiar a votação.

Enquanto parte dos figurões se concentrava no aspecto jurídico, outros dirigentes fizeram reuniões com conselheiros indecisos para diminuir a vantagem da situação. Apesar de menos provável, oposicionistas ainda acreditam que possam reverter nos votos a vantagem pró-acordo. Para isso, além dos votos dos grupos de Antonio Roque Citadini, Rubens Approbato Machado e Waldemar Pires, eles precisam dos votos do grupo controlado pelo ex-presidente Wadih Helu, que “controla” cerca de 50 conselheiros e se mantém indeciso.

A situação também se arrumou. A estratégia será bater na tecla de que fará um timaço e insistir na tese que, com o dinheiro entrando via Banco Central, o clube estaria livre de problema criminal.

Até o iraniano Kia Joorabchian, meio sumido nos últimos tempos, surgiu ontem em grande estilo, na TV Globo, falando em Robinho, Tevez...

“Tive uma conversa com o empresário de Robinho e apresentei uma proposta. Os valores são maiores do que os oferecidos pelo futebol europeu. Também, se precisar, aumento a proposta por Tevez. Quero transformar o Corinthians no número um e ganhar a Taça Libertadores, que é uma questão de honra”, soltou o presidente da MSI.

Tevez já desmentiu publicamente a possibilidade de trocar a Argentina pelo Brasil, assim como o presidente do Boca Juniors. Ontem foi a vez de Vágner Ribeiro, procurador do santista Robinho.

“Nem se ele pagar os US$50 milhões de multa contratual o Robinho não sai do Santos. E não é nada contra o Corinthians. A questão é de gratidão com o Santos”, disse Vágner Ribeiro.

(VITOR GUEDES)

(AGORA SP, VENCER!, 05/11/2004)


FUTURO ESTÁ EM JOGO


Futuro Político, Econômico e Policial do Corinthians em Jogo.


FAVORÁVEIS:

+DUALIB
Pelo novo código civil, o presidente tem que arcar com bens pessoais no caso de acabar seu mandato em déficit. Caso saia o acordo, a MSI quita todas as dívidas do clube, cerca de R$20 milhões, e se compromete a pagar até o ano que vem as dívidas previstas, inclusive trabalhistas.


+NESI CURI
O vice-presidente eleito, que esteve na comitiva que visitou a casa de Boris Berezovsky, vira o homem forte do Corinthians em caso de aprovação e ganha sua briga política pessoal com Antonio Roque Citadini.


+KIA JOORABCHIAN
Ligado ao magnata russo refugiado na Inglaterra Boris Berezovsky, o presidente da Media Sports Investments tem interesse em usar o Corinthians para entrar com tudo na briga pelos direitos de transmissão de TV usando o clube, líder de audiência.


+RENATO DUPRAT
O santista, ex-presidente da Unicor, é o intermediário do acordo e tenta se reerguer após uma avalanche de dívidas trabalhistas causadas pela falência da Unicor, empresa da qual era dono.



CONTRÁRIOS:

-ANTONIO ROQUE CITADINI
Membro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o vice-presidente avalia que a parceria é um péssimo negócio para o futebol, embora seja bom para o clube social. Citadini defende abertamente a divisão entre futebol e clube.

-RUBENS APPROBATO MACHADO
O ex-presidente da OAB acredita ser uma temeridade assinar um contrato de dez anos de parceria com uma empresa recém-criada, cujas informações que chegam sobre a idoneidade dos membros não são das mais abonadoras.

-ROMEU TUMA JÚNIOR
O ex-delegado e deputado estadual acredita que o Corinthians pode ter sérios problemas com a Justiça internacional se aprovar o contrato. Tuma Júnior sustenta que tem um dossiê que provaria, inclusive, a ligação de Berezovsky com a Jihad Islâmica, grupo terrorista que tem ligação com Bin Laden.

(AGORA SP, VENCER!, 05/11/2004, p.B-3)

O PRÉ-CONTRATO
Assinado em 24 de agosto de 2004:

Grana para 2004:

R$13.500.000,00, Liquidação do fluxo de caixas
R$ 4.500.000,00, Pagamento de empréstimos bancários
R$ 9.177.000,00, Pagamento de impostos e contribuições
R$ 7.200.000,00, Reestruturação do clube
R$ 5.219.000,00, Pagamento de fornecedores
R$17.230.000,00, Despesas com pagamento de contingência
R$35.000.000,00, Contratação de jogadores

R$91.826.000,00. TOTAL


O CONTRATO

Apesar de a situação afirmar publicamente que o contrato está na mesa da presidência à disposição de todos, pouquíssimas pessoas tiveram acesso ao novo contrato. A oposição urra que o contrato é AINDA PIOR QUE O PRÉ-CONTRATO; a situação diz que É AINDA MAIS VANTAJOSO. Segundo o AGORA apurou, os números são bem parecidos.

Conheça os principais pontos:
-ESTÁDIO
Não está prevista a construção de um estádio, sonho da torcida. E, com a aprovação da parceria, a situação ficará ainda mais difícil já que, se o Corinthians conseguir um outro parceiro para a construção de seu estádio, só poderá tocar o projeto em frente COM A APROVAÇÃO DA MSI.

-ARRENDAMENTO
Pelo acordo, a MSI na prática, vira dona do futebol profissional e amador do clube por dez anos. Em troca do pagamento de todas as despesas, fica para a parceira todo o faturamento gerado pelo Corinthians, como cotas de televisão, bilheteria, verbas de patrocínio e produtos licenciados.

-DOMÍNIO DO PARCEIRO
Para gerir o futebol, será criado um colegiado de quatro nomes, dois indicados pelo parceiro – Duprat é nome certo – e dois pelo clube. Na prática, os corintianos só entram no colegiado para constar, já que, em caso de empate, a MSI, detentora de 51% das cotas da parceria, tem o voto de minerva. Ou seja, seus representantes podem tomar, contratualmente, a decisão que quiser.

-GRANA
Quase ninguém teve acesso ao contrato. Mas, pelo que a reportagem apurou, serão US$35 milhões investidos no futebol ao longo de dez anos, ou seja, US$3,5 milhões anuais, quantia inferior ao que o Corinthians arrecada hoje só com patrocinadores e fornecimento de material esportivo. A desvantagem é ainda maior ao se considerar bilheteria e verbas da TV.

-DIREITOS FEDERATIVOS
Pelo acordo, o clube tem direito a 20% do valor das futuras transações, e a MSI, 80%. No caso de jogadores criados pelo clube, a percentagem se inverte.

-MULTA RESCISÓRIA
Ficou estabelecida a multa bilateral extra-oficial de US$25 milhões, independentemente do ano de rescisão.




PÓS-REUNIÃO
Caso o negócio seja aprovado, na segunda-feira o ex-delegado e deputado estadual Romeu Tuma Júnior (PPS-SP) promete pedir a instauração de inquéritos na polícia e no Ministério Público. Caso um dos 26 conselheiros que prestam serviço ou recebem remuneração do clube - o número é de levantamento da oposição (o AGORA tem em seu poder notas fiscais que mostram a remuneração de alguns vices e de conselheiros) votem, a oposição pleiteará na Justiça a anulação da votação baseada no artigo 1º do estatuto.


GUERRA POLÍTICA
Aprovada ou não a parceria, no dia seguinte começa a guerra política para as próximas eleições no clube, em janeiro de 2006. Caso não saia acordo, Citadini larga na frente; em caso de aprovação, o grupo capitaneado por Nesi Curi sai na ponta. Qualquer que seja o resultado, pelos rumos tomados pela negociação, ficou muito difícil para o presidente Alberto Dualib se sustentar no cargo, já que sua base está toda rachada.


VOTAÇÃO
Antes da reunião do Conselho Deliberativo, a segunda chamada está marcada para as 21h, o Cori, Conselho de Orientação e Fiscalização, analisa o contrato e sinaliza se a parceria deve ou não ser aprovada, mas não precisa, estatutariamente, seguir a opinião do Cori. Pelo estatuto do clube, é necessário maioria simples do total de presentes (ao todo são 400 conselheiros) para que a parceria seja aprovada.


ESTRATÉGIA DA SITUAÇÃO
Fazer uma votação rápida, com a apresentação de slides com tópicos, sem dar o contrato para os conselheiros e fazer uma votação na base de “levantar a mão”, sem o registro dos favoráveis e contrários.


ESTRATÉGIA DA OPOSIÇÃO
Pedir uma votação em aberto, com a assinatura de quem é contra ou a favor para deixar bem claro quem deu aval, já pensando em futuros problemas com a Justiça, inclusive internacional. Em caso de aprovação, pedir a anulação da eleição se algum dos conselheiros que recebem dinheiro do clube, segundo a oposição, ou “verba de representação”, segundo a situação, votar.




(AGORA S. PAULO, VENCER, 05/11/2004, p. B-1-4)



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