MILIONÁRIO
RUSSO NEGA PARCERIA, MAS FALA EM CONSTRUIR ESTÁDIO
Boris Berezovski, procurado pela
Justiça de seu país, jura não ter nada a ver com
MSI, embora queira erguer nova arena do Corinthians
Na
véspera da reunião de hoje à noite do Conselho
do Corinthians que pode aprovar a parceria com a MSI, surge mais uma
proposta grandiosa dos interessados no acordo. O milionário
russo Boris Berezovski, que desde o início se supõe
esteja por trás das negociações, revelou ontem
com exclusividade a Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra,
que pretende construir um estádio para o clube. Proposta
semelhante existiu na época do acerto com o fundo de pensão
norte-americano Hicks Muse - e jamais saiu do papel.
Não
é a primeira intenção bombástica que
surge na semana decisiva para firmar a parceria, que em princípio
terá dez anos de duração renováveis por
período idêntico. Representantes da MSI, empresa que não
tem uma atividade específica - fala-se que também é
um fundo de investimento - garantiram, nos últimos dias, ter
feito proposta de US$ 18 milhões ao Boca Juniors pelo atacante
Carlos Tevez. Os argentinos não deram a mínima para
isso. Também se falou na possibilidade de Robinho sair da Vila
e desembarcar durante a temporada de 2005 no Parque São Jorge,
via Benfica. Sem contar que haveria lista de cinco reforços de
'alto nível', de preferência para serem comandados pelo
técnico Vanderlei Luxemburgo.
A possibilidade de o
clube contar com dinheiro a rodo - a parceria investiria US$35
milhões de dólares, em contratações,
estrutura e pagamento de dívidas - divide opiniões no
Corinthians. Há quem diga que a salvação se
materializa no iraniano Kia Joorabchian, principal interlocutor do
grupo estrangeiro. Outros, no entanto, questionam a origem do
dinheiro, alegam que haverá arrendamento do clube e duvidam
que o investimento será cumprido à risca. De qualquer
forma, a minuta de contrato definida por advogados das duas partes na
semana passada será analisado hoje pelos conselheiros - são
400 com direito a voto e o resultado é por maioria simples.
DE OLHO
Berezovski acompanha tudo aparentemente à
distância. O russo desde o início nega qualquer
participação na MSI, embora admita ser amigo de
Joorabchian. Seu interesse é o de atuar na área de
construção, que diz conhecer. "Não estou
procurando oportunidades de investimento diretamente no futebol, que
não é algo específico de meus interesses",
afirmou, por telefone, em Londres. "Estou interessado talvez em
projeto de estádio", comentou. "O Brasil é
País atraente e sua economia está crescendo. Quero ter
negócios no Brasil porque acredito que é um bom
mercado."
O investidor preferiu não revelar nem o
valor que estaria disposto a gastar em um estádio nem mesmo a
data do início das obras. O russo afirma estar aguardando
agora que Joorabchian e o Corinthians enviem o contrato de parceria.
"Aí, vou analisar melhor e tomar uma decisão",
afirmou. "Kia insistiu muito que eu fizesse parte disso."
Berezovski é alvo de investigação por
lavagem de dinheiro na Suíça, perseguido pela Justiça
russa e hoje vive como um refugiado político na Inglaterra.
Ele é considerado um dos maiores inimigos políticos do
presidente da Rússia, Wladimir Putin. Documentos obtidos pelo
Estado, das cortes de Genebra, mostram que o russo teve suas contas
bloqueadas nos bancos Julius Bar, de Zurique, e Credit Suisse, de
Lausanne.
(O ESTADO DE S.
PAULO, ESPORTES, 05/11/2004)
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