NOTÍCIAS – 19/10/2004


PAINEL FC

NEM POR BRINCADEIRA

Do vice corintiano Roque Citadini, sobre o anúncio interativo publicado ontem em jornais paulistanos pela Siemens, nova patrocinadora do seu time e do Palmeiras, que pôs lado a lado os escudos dos dois clubes: "Eu prefiro distância deles".


COM A BARRIGA
Estendida mais de uma vez nos últimos dois meses, a data-limite para a assinatura do contrato entre Corinthians e MSI foi de novo prorrogada. Segundo Jorge Kalil, advogado e conselheiro do clube, o acerto tem de sair até 10 de novembro. Mas há cartola apostando que o negócio será fechado nos próximos dias.



(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 19/10/2004)



O LIVRO BOMBA DA PARCERIA DO TIMÃO


O L! apresenta o livro-denúncia sobre Berezovsky, o homem por trás do Grupo MSI. Autor do livro foi assassinado com quatro tiros. Envolvimento do chefão russo com a MSI foi confirmado por Alberto Dualib


LANCEPRESS!

O magnata russo Boris Berezovsky fez fortuna com base em parcerias como a que está sendo negociada entre o Grupo Media Sports Investment e o Corinthians.

O iraniano Kia Joorabchian, executivo do MSI, nega o envolvimento do bilionário, apesar de admitir que ele é seu amigo e que gostaria de tê-lo no negócio.

O presidente Alberto Dualib e o vice Andrés Sanches já confirmaram a participação de Berezovsky. E a parceria é o tipo de transação em que o russo é especialista.

O matemático que se tornou um dos homens mais ricos do planeta tem bastante experiência em reunir milionários em torno de idéias e negócios extraordinários – como, por exemplo, transformar o Corinthians no número um do país com craques internacionais.

O problema, no entanto, é que, nem sempre, esses acertos dão certo. O livro “Poderoso Chefão do Kremlin – O declínio da Rússia na era do capitalismo gângster” (“God father of the Kremlin”), do jornalista Paul Klebnikov, inédito no Brasil, relata como Berezovsky acumulou poder e fortuna, com parcerias como a proposta ao Corinthians.

Sua prioridade é lucrar. No começo da privatização das estatais russas, ele chegou a falar em “privatizar os lucros” e não as empresas, preocupando-se em comprar apenas o suficiente para ter o controle acionário das empresas e, com isso, ter o controle do fluxo de caixa.

Suas empresas quebraram, ele ficou biliardário. Em suas parcerias, Berezovsky é acusado de lavagem de dinheiro e estelionato em sofisticados esquemas internacionais, que envolvem paraísos fiscais e contas na Suíça. Tudo relatado no livro, com trechos publicados pelo LANCE!.

Duas das mais graves acusações contidas no livro-bomba de Klebnikov estão diretamente relacionadas à indústria de carros. A primeira envolve a indústria estatal Autovaz, que ficou conhecida no mundo todo por seus Nivas e Ladas, carros que chegaram até ao Brasil. Começando carreira, o então cientista Berezovsky criou uma empresa para ajudar a estatal a automatizar sua linha de produção.

A Logovaz foi a primeira parceria de Berezovsky e envolveu a empresa italiana Logo System e... diretores da empresa estatal! Em vez de ajudar a automatizar a linha de produção da Autovaz, a nova empresa tornou-se uma distribuidora.

Os dirigentes da estatal, interessados em ver a Logovaz prosperar, favoreceram a aliada com preços baixos. E a Autovaz acabou quebrando e a Logovaz dominou o mercado, com uma política de preços agressiva. Isso quando a distribuição de carros era justamente o maior negócio entre os gângsteres do país. Na ocasião, Berezovsky chegou a sofrer um atentado a bomba em seu Mercedez, conforme o livro:

“Alguém estacionou um Opala Sedan cheio de explosivos na rua estreita e explodiu a bomba por controle remoto quando o carro de Berezovsky passou. Berezovsky viu seu motorista ser decapitado pela explosão. O guarda-costas ficou seriamente ferido - ele perderia um olho”.

O segundo escândalo em que Berezovsky se viu envolvido foi a criação frustrada da Avva (Aliança de Automóveis para Todos os Russos). A idéia era reunir investidores e, com nada menos do que US$ 800 milhões, começar a fabricação de automóveis populares em aliança com a General Motors - na época os carros foram chamados de fuscas russos.

Berezovsky ganhou projeção como um dos primeiros empreende dores da Rússia capitalista. Após conseguir benefícios fiscais do governo russo, uma linha de crédito de US$ 150 milhões com o Banco Nacional de Paris e US$ 50 milhões com ações lançadas no mercado, o negócio travou.

“Alguns meses depois, a GM recuou no projeto Avva assustada com os gângteres e a corrupção da Autovaz. Fora o dinheiro do Banco Nacional de Paris e os US$ 50 milhões investidos por cidadão russos, nenhum outro projeto de financiamento deu certo. Não havia dinheiro nem mesmo para começar a construção”.



(Lance!, 19/10/2004)



LIVRO BOMBA DA PARCERIA DO TIMÃO (2ª parte)



Possível parceiro, russo conta com estrutura em paraísos fiscais e contas na Suíça, mostra o livro. O Grupo MSI foi registrado nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal no Caribe


LANCEPRESS!

O Grupo Media Sports Investments tem características semelhantes aos negócios normalmente planejados pelo magnata russo Boris Berezovsky. O MSI tem uma sede fictícia em Londres e registro nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal no Caribe. Além de ser constituído por investidores secretos.

É exatamente essa a maneira como Berezovsky costuma operar, como retrata o livro "Poderoso Chefão do Kremlin - O declínio da Rússia na era do capitalismo gângster" ("Godfather of the Kremlin - The decline of Russia in the age of gangster capitalism"), do jornalista Paul Klebnikov, inédito no Brasil.

Oficialmente, Berezovsky é preservado, assim como os demais investidores. O iraniano Kia Joorabchian, presidente do grupo, chega a negar a participação do magnata russo, apesar de confirmar que já fez negócios com ele e que é seu "amigo pessoal".

– Nenhum bilionário gosta de se expor. É natural isso. Quanto aos paraísos fiscais, é um procedimento comum para evitar alguns impostos. Todas as empresas fazem isso – argumentou Joorabchian, na única coletiva de imprensa que concedeu até hoje sobre a parceria.

Nas parcerias que organizou, Berezovsky sempre procurou manter o nome dos investidores em segredo. Muitas vezes, os responsáveis por fiscalizar os acordos foram convidados a ter participação, num claro conflito de interesses.
Em seus negócios, Berezovsky sempre procurou utilizar contas no exterior e constituir empresas intermediárias para gerenciar recursos, procedimento semelhante ao planejado para o Corinthians.

O russo é acusado de desvio e lavagem de dinheiro com base nesse tipo de operação.



(Lance!, 19/10/2004)


UM CORPO BOIANDO NO RIO IRTYSH



LANCEPRESS!

O Rockefeller russo e a guerra pelo petróleo e a maneira como Berezovsky acumulou dinheiro no controle da Aeroflot foi caracterizada por uma operação complexa e bem estruturada de desvio de caixa, sua entrada no ramo de petróleo pode ser entendida como uma operação política sofisticada.

Para conseguir seu espaço no lucrativo mercado, Berezovsky aliou-se ao então principiante Roman Abramovich de 29 anos – hoje o antigo parceiro é o principal investidor do Chelsea, da Inglaterra.

Com intensas manipulações, os dois magnatas apoderaram-se de duas empresas menores e criaram a Sibneft, umas das maiores empresas do ramo no mundo. Aparentemente, ninguém conseguiu impedir a nova parceria.

“O diretor da Refinaria de Omsk (uma das empresas apoderadas) era Ivan Litskevich, um veterano industrial respeitado. Ele havia feito negócios com o parceiro de Berezovsky, Roman Abramovich, antes, quando a Refinaria vendeu derivados a Abramovich, que os revendeu no exterior. Mas Litskevich protestou quando ouviu que Abramovich e Berezovsky planejavam tomar-lhe a refinaria para que ela fizesse parte da Sibneft. Em 19 de agosto de 1995, ele foi encontrado boiando no rio Irtysh. A polícia não encontrou evidências (...)”



(Lance!, 19/10/2004)




DESVIO DE DINHEIRO NA EMPRESA AÉREA ESTATAL


LANCEPRESS!

Assim como fez na Autovaz, Berezovsky utilizou-se de poder e influência na diretoria da estatal Aeroflot, maior empresa aérea russa, para lucrar. E muito. Com o então presidente Boris Yeltsen como aliado, Berezovsky influiu no processo de privatização das grandes empresas russas.

Pressionando por uma privatização gradual, ele manipulou a situação até ganhar o controle do fluxo de caixa das empresas que lhe interessavam. “Privatização na Rússia passa por três estágios – Boris Berezovsky dizia em 1996. O primeiro é a privatização dos lucros. O segundo, é a privatização da propriedade. O terceiro é a privatização das dívidas. Em outras palavras, não era necessário comprar uma empresa para controlá-la.”

No caso da Aeroflot, a operação de Berezovsky foi bastante sofisticada. Quando ele começou a pressionar por sua privatização, a empresa era uma das mais promissoras da Rússia, beneficiada pelo até então monopólio dos vôos domésticos na ex-União Soviética e por seu domínio nos vôos internacionais no país.

Gradualmente, Berezovsky conseguiu o controle do fluxo de caixa da empresa. E desviou os lucros para empresas de faixada na Suíça e em outros paraísos fiscais.



(Lance!, 19/10/2004)



RUSSO DESVIA DINHEIRO POR MEIO DE “EMPRESAS DE FACHADA”



LANCEPRESS!

Uma das maneiras que o russo Boris Berezovsky encontrou para desviar dinheiro das empresas em que constituiu parcerias foi o uso de empresas intermediárias.

Quando começou a controlar a Aeroflot, estatal que até então era a maior empresa aérea da Rússia, o capitalista centralizou o fluxo de caixa na Andava S.A., que lhe pertencia.

Com sede em Lauzzane, na Suíça, a Andava foi inicialmente criada para centralizar investimentos da Avva, fundo criado para a produção de carros populares na Rússia. A Avva faliu e a Andava acabou servindo para as operações com a Aeroflot.

Isenta de taxas pelo Banco Central Russo, mais um "favorzinho" que Berezovsky conseguiu com o governo, a empresa movimentava cerca de US$ 400 milhões por ano. Cobrando uma comissão de 3,1%, ficava com US$ 13 milhões.

Mas não era só. A Andava participou da criação de outra intermediária para o "pagamento de contas internacionais" da Aeroflot, a FOK (Companhia Financeira Unida), com sede em Moscou. A FOK, por sua vez, contratou a Grangeland Holdings Ltda. para o serviço. A empresa investigada pelo jornalista Paul Klebnikov também era de Berezovsky.

"Registrada em Dublin, na Irlanda, Grangeland não tinha nenhum histórico. Seus documentos de registro a descreviam como uma empresa que atuava em todas as atividades comerciais imagináveis. No último ano que seus arquivos financeiros foram pedidos pelo Escritório de Registro Irlandês foi em 1995, a empresa declarou ter US$ 10 de fundos. Menos de um ano depois, a empresa estaria trabalhando com centenas de milhões da Aeroflot. Grangeland era simplesmente uma caixa postal".

No mês passado, reportagem de "O Estado de S.Paulo" revelou que no endereço fornecido como sede do Grupo MSI em Londres funciona uma academia de ginástica.



(Lance!, 19/10/2004)



BEREZOVSKY É INVESTIGADO ATÉ PELO FBI


LANCEPRESS!

As operações internacionais do russo Boris Berezovsky resultaram em investigações em quase todos os países em que ele operou. Hoje, o chefão tem contra si um mandato de prisão internacional, é procurado em seu país, de onde fugiu pedindo exílio, e é acusado de lavagem de dinheiro, fraude e estelionato.

O castelo que Berezovsky construiu começou a cair quando ele perdeu sua proteção política. Na Rússia, aliado do presidente Boris Yeltsin, ele sempre contou com a cobertura do governo. Até Vladimir Putin assumir.

Sem obstruções oficiais, as investigações finalmente ganharam força e destaque na mídia. Quando decidiu se aprofundar no tema, no começo de 99, o jornalista Paul Klebnikov foi alertado pelo ex-Ministro de Comércio Exterior Oleg Davydov de que poderia ter problemas. Klebnikov acabou assassinado com quatro tiros em julho de 2004.

"– Com um cara desses (Berezovsky), é preciso ter cuidado – disse Davydov. – Ele tem contatos no mundo do crime (...). Lá, eles não falam, eles atiram. (...). Se você tentar apurar informações, pode ter problemas".
Nos EUA, Berezovsky acabou envolvido em investigação especial sobre lavagem de dinheiro.

"No outono de 1998, o Departamento do Tesouro, junto com o FBI e o Departamento de Justiça, começou investigação secreta sobre lavagem de dinheiro com base em, pelo menos, US$ 7 bilhões transferidos da Rússia para o Banco de Nova York. Oficiais concluíram que, pelo menos, parte do dinheiro veio de atividades criminosas, como seqüestros. A fonte do resto dos fundos era menos clara. Aparentemente, até a mais venerada instituição financeira dos EUA foi infectada pelo crime organizado russo".



(Lance!, 19/10/2004)



CITADINI CONFIRMA PARTICIPAÇÃO DO RUSSO NA PARCERIA


Internautas do LANCENET! reprovam parceria. O vice-presidente Antonio Roque Citadini confirmou a participação do russo Boris Berezovsky, que é procurado pela polícia internacional


LANCEPRESS!

O vice-presidente do Corinthians Antonio Roque Citadini confirmou a presença do magnata russo Boris Berezovsky entre os investidores do MSI (Media Sports Investments), fundo que negocia com o departamento de futebol do Corinthians. A parceria em discussão foi reprovada por torcedores em enquete promovida pelo LANCENET! nesta segunda-feira, após reportagem especial sobre os negócios do russo.

– Eu fui informado, em uma reunião do Conselho, que o senhor Boris Berezovsky fazia parte do grupo de investidores do MSI. Até onde eu sei, isso não mudou – disse Citadini.

A declaração do vice corintiano vai de encontro às reiteradas negativas do iraniano Kia Joorabchian, presidente do MSI. Ele descarta o envolvimento do russo na parceria, cuja negociação se arrasta há mais de dois meses, quando o Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou o pré-contrato assinado havia dias em Londres.

Na ocasião (meados de agosto), uma comitiva corintiana (composta por Dualib, pelos vices Nesi Curi e Andrés Sanchez e por Carla Dualib, neta do presidente e responsável pelo marketing do clube) esteve, inclusive, na residência de Berezovsky, que vive exilado na Inglaterra.

Antes de Joorabchian negar a participação de Berezovsky, o presidente Alberto Dualib e o vice Andrés Sanchez já haviam confirmado que o russo está por trás do MSI. Hoje, oficialmente, Dualib nega.

O vice Antonio Roque Citadini vê com preocupação a parceria, apesar de, oficialmente, evitar fazer críticas ao acordo que está sendo negociado pelo presidente, de quem é aliado. Ele não é o único entre os cartolas mais próximos de Dualib a fazer discreta oposição à parceria.

Apesar da rejeição do público e do impacto negativo que a participação de Berezovsky causa, Dualib ainda aposta no apoio do Conselho.



(Lance!, 19/10/2004)