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– 28/8/2004
SALVE
O CORINTHIANS
O
Corinthians vive um momento decisivo, mais crucial do que se pensa.
Não está em jogo uma parceria. O Corinthians está
decidindo como quer ser administrado nos próximos dez anos. Um
erro, agora, compromete o futuro do clube, de forma difícil de
ser corrigida.
Alberto Dualib, presidente do clube, está
dando um mergulho num abismo escuro, pensando que existe um pote de
ouro no pé do arco-íris.
Dualib sempre foi
contra a transformação do futebol profissional em
empresa. Com argumentos fracos e equivocados que não se
sustentam. Entre outros, dizia que empresa pode falir e associação
civil não. A falência de uma associação
civil chama-se insolvência civil e pode ser solicitada por
qualquer credor. Dualib afirmava que queria preservar o
clube.
Agora aparece com essa parceria estranha e
nebulosa. O LANCE! e o jornalista Juca Kfouri mostraram todos os
bastidores desse processo. Mais parece uma ação
desesperada para sair de uma crise financeira do que uma solução
ponderada e bem planejada.
Dualib não queria a
transformação em empresa e faz um contrato sigiloso com
um grupo que não se sabe bem como é, de onde vem o
dinheiro que tem, quais são seus reais interesses. O grupo MSI
é voltado para transação de direitos de
transmissão do futebol e não para a administração
de clubes.
Mas o pior é a escolha que o Corinthians
está fazendo. A Lei 10.672, conhecida como Lei da Moralização,
institui a transparência financeira e administrativa, a
moralidade na gestão e a responsabilidade social dos
dirigentes.
Induz à transformação das
entidades desportivas profissionais em empresa, porque elas praticam
atos de comércio, e, portanto, exercem atividade empresarial.
Devem ser coerentes com o que fazem.
Mas, sobretudo, a lei
indica esse caminho pois é a melhor forma, existente na
legislação brasileira, de os clubes se reorganizarem.
De implantarem um sistema auto-sustentado e se fortalecerem
financeiramente. Voltarem a ser grandes de fato e conquistarem
importância mundial. É uma lei a favor dos clubes que
punirá apenas os maus dirigentes.
Em vez de se
adequar à lei, o Corinthians prefere um modelo obscuro no qual
será comandado por uma empresa estrangeira, sem raízes
no Brasil e no futebol. Perdendo a autonomia de gestão, que, é
claro, ficará com quem está colocando o dinheiro. A
princípio pode haver a ilusão de contratações
e resultados imediatos. Mas o prazo de validade de um sistema desses
não é grande.
O Corinthians está
trocando uma solução que está na legislação
brasileira por um modelo caixa-preta de avião. O pior caminho
da profissionalização. Depois do resultado de quase
todas as parcerias recentes com clubes brasileiros, não é
o momento para se acreditar em Papai Noel. Melhor se reestruturar com
racionalidade, amparado no imenso capital que o Corinthians tem, que
é sua torcida.
É um absurdo que setores que
a representam, e não falo só em organizadas, não
participem da decisão.
Se nem almoço grátis
existe, imagine o custo desse contrato. De tal escolha. Ainda é
tempo. Salve o Corinthians.
JOSÉ
LUIZ PORTELLA
(LANCE
A MAIS, É GOL!, 28/8/2004)
BEREZOVSKI
AINDA ESTUDA SE INVESTE NO CORINTHIANS
Russo
diz que foi Alberto Dualibi quem o procurou e lhe propôs entrar
na MSI
JAMIL
CHADE
Correspondente
GENEBRA - O magnata russo Boris
Berezovski afirma que ainda não tomou uma decisão se
irá investir no Corinthians. Em entrevista exclusiva ao
Estado, o russo procurado por lavagem de dinheiro e fraude pela
Justiça suíça e de seu país, confirmou
que o presidente do time paulista, Alberto Dualib, foi a Londres
tratar do assunto. Segundo ele, Dualib visitou sua família e
propôs que ele fizesse parte do fundo (Media Sports
Investments) que foi criado pelo iraniano Kia Joorabchian para
participar do Corinthians.
De acordo com Berezovski, Kia também
teria procurado o empresário Badry Patarkatsishvili, dono do
Dinamo de Tblisi, o campeão da Geórgia (ex-república
soviética). O Estado apurou que Patarkatsishvili também
é procurado pela Justiça russa por irregularidades
financeiras (leia texto nesta página).
Berezoviski
inicialmente não queria falar. Só concordou ao ser
comunicado que as informações sobre sua possível
participação no Corinthians já estavam
disseminadas no Brasil. A própria maneira de atender ao
telefone mostra o cuidado que o russo tem com seus interlocutores. Ao
receber a ligação, apenas murmurou e não emitiu
uma só palavra antes de o jornalista se identificar e,
irritado, exigiu saber como seu número de celular foi obtido.
Eis os principais trechos da entrevista.
ESTADO -No
Brasil, comenta-se que o senhor está por trás da MSI,
que está negociando um investimento no Corinthians. O senhor
confirma essa informação?
BORIS BEREZOVSKI -A
história não é exatamente assim. Quem está
investindo no futebol é um grande amigo meu, o Kia
(Joorabchian), que criou um fundo para este negócio. Ele está
buscando dinheiro para o Corinthians e para esse fundo. Por isso
entrou em contato comigo.
ESTADO -Mas o senhor não
participará desse investimento?
BEREZOVSKI -Eu não
sou tão ligado e interessado no futebol quanto o Kia. Ele me
contactou para que eu participasse do fundo. De fato, me fez essa
proposta. Mas eu não tomei uma decisão.
ESTADO
-O senhor exclui qualquer participação nesse fundo no
futuro?
BEREZOVSKI -Ainda não estou em uma posição
de comentar nada. O presidente do clube (Alberto Dualib) também
esteve em Londres. Eu o conheci, conversamos, ele me apresentou a
situação do clube, nós debatemos o assunto, mas
eu nunca disse que estava acertado que eu investiria no time e essa é
a minha posição no momento.
ESTADO -Então
o senhor não pretende investir no futebol?
BEREZOVSKI
-Como eu disse, Kia está procurando dinheiro para o
Corinthians. Sei que ele está em negociação com
Badry Patarkatsishvili, o dono do time de Tblisi, que foi campeão
nacional. Mas não sei dizer como andam essas negociações.
Sei que Kia queria que ele participasse.
(O
ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 28/8/2004, P. E-10)
RUSSO
ENFRENTA VÁRIOS PROCESSOS
(O
ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 28/8/2004, P. E-10)
IRANIANO
VAI AO TREINO DO CORINTHIANS
MARCOS
ROGÉRIO LOPES
A dois dias do clássico
contra o Palmeiras, o esquema tático e a escalação
do time ficaram em segundo plano ontem no Corinthians. O Parque São
Jorge recebeu a visita do iraniano Kia Joorabchian, representante da
Media Sports Investiment, que tenta firmar parceria com o clube.
O
jovem empresário, de 31 anos, assistiu ao treino da tribuna de
imprensa do estádio ao lado do diretor de Futebol Paulo
Angioni, do empresário Renato Duprat, e acompanhado de um de
seus assessores e uma tradutora. Após o treino, desceu ao
gramado, dirigiu algumas palavras, em inglês, aos atletas que
passavam por ele e logo foi embora.
A presença de
Joorabchian irritou muita gente. "É um absurdo ele
aparecer no clube antes de se firmar a parceria. A impressão
que se tem é a de que eles (dirigentes e MSI) já
acertaram tudo e estão rindo da cara do Conselho'', afirmou um
conselheiro.
Apesar de até o momento apenas um
pré-contrato ligar o grupo ao clube, o iraniano vem fazendo o
possível para estreitar seus laços com o Corinthians.
Quarta-feira à noite, se encontrou no restaurante
do Hotel Fasano com o técnico Tite e com Angioni para passar
alguns detalhes sobre a proposta.
Angioni confirmou a
reunião, mas não revelou o assunto abordado. Contou que
não foi a primeira vez que isso ocorreu. "Há
alguns dias já tínhamos nos encontrado, mas nunca nos
aprofundamos sobre nenhum tema.'' Tite tentou desconversar, mas não
se saiu bem. "Eu só fui ao encontro porque estava ao lado
do presidente do clube (Alberto Dualib). A conversa é entre
eles, eu não tenho nada a ver com isso.'' Fonte segura, porém,
garante que Dualib não foi ao restaurante.
(O
ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 28/8/2004, P. E-10)
SURGE
OUTRO INTERESSADO. SUSPEITO.
(O
ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 28/8/2004, P. E-10)
Atenas-2004:
O
PESO DA GRANA
Além
de oferecer prêmios vultosos aos medalhistas, comitês
olímpicos promovem naturalizações para melhorar
desempenho.
A máxima atribuída a Pierre
de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da era moderna,
de que o importante não é vencer, mas competir, já
há tempos está em desuso. O ideal olímpico hoje
é outro e está impregnado de euros e dólares.
Em
Atenas, mais do que nunca, o que importa é vencer. E faturar o
máximo possível com as medalhas, especialmente se forem
de ouro. Para estimular seus atletas a subirem ao lugar mais alto do
pódio, os comitês olímpicos nacionais, os
governos e especialmente os patrocinadores não poupam
esforços. Colocam a mão no bolso e estimulam seus
representantes a darem o máximo de si.
É o
caso do Usoc, o comitê olímpico americano, que havia
estabelecido uma meta de chegar a cem medalhas nesta edição
da Olimpíada. Para tanto, decidiu oferecer um estímulo
de US$ 25 mil por medalha de ouro, US$ 15 mil pela prata e US$ 10 mil
pelo bronze.
-Isso é uma forma de incentivar nossos
atletas - diz Jim Scherr, homem-forte do Usoc, por meio do
departamento de comunicação da entidade.
Segundo
ele, em esportes coletivos, cada atleta que tiver participado do time
medalhista, mesmo que tenha ficado na reserva, recebe o mesmo valor.
No caso da natação, quem não tiver disputado a
final por equipes, mas tiver participado da eliminatória,
também ganha a premiação. Apenas a comissão
técnica, que não recebe medalha, fica fora.
Mas
isso é pouco perto do que os patrocinadores dão aos
americanos. Só Michael Phelps poderia ter recebido US$ 1
milhão da Speedo, empresa da qual é garoto-propaganda,
se tivesse superado Mark Spitz e conquistado oito ouros. Se não
ganhou o milhão da Speedo, recebeu cerca de US$ 750 mil para
fazer propaganda para a AT&T e a General Motors, duas empresas
que patrocinam o Usoc.
-Temos 11 patrocinadores oficiais,
18 parceiros da equipe americana em Atenas e 33 fornecedores. Eles se
dividiram e estão dando aos atletas prêmios muito
superiores aos que paga o comitê. O valor que desembolsamos com
os prêmios é um estímulo, mas, perto do que
alguns patrocinadores pagam a eles, não deixa de ser simbólico
- afirma Scherr.
Na Rússia, o comitê olímpico
nacional, com apoio de duas empresas petrolíferas, decidiu dar
US$ 50 mil por ouro conquistado. Mas o medalhista recebe em dobro,
porque o governo de Vladimir Putin entrou na jogada e resolveu dar
outros US$ 50 mil a cada ouro obtido em Atenas. Para os russos,
voltar a fortalecer o esporte no país virou questão de
honra, não só para levantar o orgulho nacional, mas
também porque a capital Moscou é candidata a sediar a
Olimpíada de 2012.
De acordo com o Comitê
Olímpico Internacional - que diz não incentivar a
disputa entre países e por isso não oficializa o quadro
de medalhas, seja pelo maior número de ouros, seja pelo total
de pódios -, pelo menos 42 dos 202 comitês olímpicos
nacionais prometeram premiação a seus atletas em caso
de conquistas.
É o caso do italiano, que pagará
até 130 mil euros pelo ouro. E também dos chineses, que
abrigarão os Jogos de 2008 e darão cerca de 150 mil
euros para seus medalhistas, por intermédio de patrocinadores
privados, responsáveis por 50% dos recursos do comitê.
Além disso, o governo chinês oferece outros US$ 25 mil
pelo ouro, US$ 15 mil pela prata e US$ 10 mil pelo bronze.
Mesmo
no Brasil, as medalhas não deixam de ser premiadas. Com
dinheiro. É o caso do vôlei, que entrou nos Jogos como a
grande esperança brasileira. Antes do início da
competição, os jogadores tiveram divergências com
Ary Graça, presidente da Confederação Brasileira
de Vôlei, sobre o valor da premiação.
A
CBV ofereceu R$ 1,14 milhão para a equipe masculina e o mesmo
valor para a feminina, em caso de ouro. Os dois times quiseram mais e
o dirigente ficou de marcar seis amistosos se eles ficassem em
primeiro, repassando as receitas dos jogos para os campeões.
Além disso, disse que pediria ao Banco do Brasil, patrocinador
da CBV, mais uma "forcinha" para os jogadores.
Mas
isso é pouco. Conforme definição do próprio
COI, há países que partiram para o "comércio
de atletas" e pagaram para convencer competidores a irem aos
Jogos de Atenas.
É o caso da França, que
contratou a chinesa Hongyan Pi para defender seu time de badminton na
Grécia.
A atleta, que se transferiu para Paris há
menos de dois anos, assinou contrato de 24 meses, pelo qual recebe
cerca de 5 mil euros por mês, além de aluguel pago e
ajuda para alimentação. Detalhe: ela se naturalizou
francesa apenas no último dia 9 de junho, pouco mais de dois
meses antes do início dos Jogos.
Na República
Dominicana, algo semelhante aconteceu. Mesa-tenistas chineses foram
contratados para defender o país no Pan de Santo Domingo,
realizado em agosto do ano passado, e para tentar uma vaga na
Olimpíada de Atenas.
Segundo os comitês da
China e da Coréia do Sul, 26 atletas do tênis de mesa
das duas nações foram aliciados por outros países
para defenderem suas cores na Olimpíada - ou na fase
classificatória para os Jogos.
Os Estados Unidos
tiveram problemas semelhantes. Perderam 37 atletas de beisebol, que
foram para outros países, por contratos que variavam de US$ 4
mil a US$ 25 mil mensais.
Outra nação em que
a questão das naturalizações virou polêmica
foi o Qatar, que passou a contratar atletas de outros países,
especialmente no atletismo e no futebol, para representá-lo em
competições internacionais. Recebeu uma advertência
tanto do COI quanto da Fifa, a entidade que gerencia o futebol
mundial, que ficaram de analisar suas naturalizações em
massa.
Mario Vazquez Raña, mexicano que comanda a
Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), disse que
já recebeu reclamações de 26 dos 42 países
do continente filiados a ela sobre aliciamento de atletas e
naturalizações em série para competições
internacionais, como o Pan-Americano e a Olimpíada.
Um
dos protestos foi do Comitê Olímpico Brasileiro,
indignado com a presença de chineses defendendo equipes de
tênis de mesa de países do continente americano no Pan
de Santo Domingo. Segundo Raña, a Odepa irá se reunir
ainda neste ano para discutir o assunto e decidiu encaminhar os
protestos para o COI tomar as providências necessárias.
GRÉCIA
APELOU FEIO PARA NATURALIZAÇÕES
Para os
Jogos de Atenas, a Grécia não teve dúvidas. Como
tinha que disputar todas as modalidades, já que era o
país-sede, resolveu contratar reforços de fora nas que
era mais fraca e tinha menos tradição.
Foi o que
aconteceu no beisebol, esporte que disputou com apenas um atleta
nascido na Grécia. Os outros 22 jogadores do time nasceram nos
Estados Unidos e foram naturalizados gregos depois que a cidade foi
definida como sede da Olimpíada.
Dimitris
Goussious, que dirigia o time, ficou indignado com a invasão
estrangeira e largou o cargo. Foi substituído por Jack Rhodes,
americano que se naturalizou grego.
-Até teríamos
jogadores nascidos na Grécia suficientes para formar um time,
mas ele seria fraco - disse Rhodes.
Quem fez a ponte com
os atletas e lhes ofereceu contratos vantajosos para defender a
Grécia foi Peter Angelos, grego naturalizado americano e dono
do Baltimore Orioles.
Ele investiu US$ 500 mil para
viabilizar a equipe grega na Olimpíada. Mas não foi só
no beisebol que os anfitriões adotaram estrangeiros. No
softbol, de 15 jogadoras, 13 tinham nascido nos EUA. No futebol
feminino, de 18, sete eram americanas e foram contratadas para
defender a Grécia.
COI PRETENDE BRECAR 'COMÉRCIO
DE ATLETAS'
Preocupado com o que chama de "comércio
de atletas", o Comitê Olímpico Internacional quer
endurecer as regras. A idéia é aumentar o período
de quarentena de uma atleta que já tenha disputado uma
Olimpíada ou um Mundial por um país de três para
cinco anos.
Assim, se ele mudar de nacionalidade, terá
de ficar um tempo maior de molho, sem poder defender sua nova nação.
Se nunca tiver defendido o país de origem em Olimpíadas
ou Mundiais, ainda assim só poderá vestir as cores de
outro país após três anos como naturalizado. Com
isso, o COI evitaria casos como o da chinesa do badminton que se
naturalizou francesa em junho último para disputar os Jogos de
Atenas.
Já em relação à
questão da premiação por medalhas prometida por
comitês olímpicos nacionais, governos e patrocinadores,
o COI diz que não tem como interferir.
Segundo
Jacques Rogge, belga que preside a entidade, ela pode falar apenas
por si. Jamais dará prêmio em dinheiro por medalhas, mas
se outros o fizerem, não se trata de problema dela. São
coisas do esporte moderno, porque os tempos de amadorismo vão
muito longe, mas muito longe mesmo.
Como lembra o
dirigente, há exatos cem anos, nos Jogos de 1904, quando se
dizia que o evento ainda era amador, houve atleta que correu bancado
por uma loja de departamentos dos EUA. Não será hoje,
no tempo em que o dinheiro fala mais alto, que a história iria
mudar.
João Carlos Assumpção e Vitor
Sérgio Rodrigues - de Atenas
(LANCE
A MAIS, 28/8/2004)