NOTÍCIAS – 27/8/2004



PARCERIA NEBULOSA

-GOL CONTRA



O LANCE! errou ontem ao atribuir ao vice-presidente do Corinthians Antonio Roque Citadini uma das assinaturas no pré-contrato da parceria com o grupo MSI (Media Sports Investments).
A assinatura é, na verdade, do presidente corintiano Alberto Dualib.



(Lance!, 27/8/2004, p.7)





SÓCIO NEGA BÓRIS E DUALIB CONFIRMA




Kia Joorabchian nega participação do milionário russo Bóris Berezovski, mas presidente do Corinthians diz o contrário

LANCEPRESS!

A credibilidade dos candidatos a parceiros do Corinthians foi abalada nesta quinta-feira, com a tentativa frustrada de esconder que o negócio está sendo dirigido pelo milionário russo Boris Berezovski, como o LANCE! revelou. Ele é acusado em seu país de fraude, desvio e lavagem de dinheiro.

O iraniano Kia Joorabchian, executivo do fundo MSI (Media Sports Investments), disse em entrevista à "Folha de S. Paulo" que conhece Berezovski, mas que o russo não tinha nenhuma participação na futura parceria.

O que foi desmentido pelo presidente corintiano, Alberto Dualib, e pelo vice Andrés Sanchez.

Dualib, em conversa gravada e divulgada pela TV Record, contou que o magnata arcou com as despesas da comitiva corintiana (quatro pessoas) que viajou para Londres há duas semanas para negociar a nova parceria.

– Ele (referindo-se a Berezovski) deve ter gasto mais de US$ 500 mil. A gente só ficou em lugar bom. Ele deve ser mesmo muito rico – relatou o presidente.
Sanchez, que fez parte da comitiva que esteve na Europa, também confirmou à reportagem do LANCE! que Berezovski está entre os investidores que fazem parte do MSI, registrado como empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal. Nova mentira.

Joorabchian havia assegurado ao presidente corintiano que a sede do fundo era na Inglaterra. E assim caminha o bebuloso acordo, sem nenhuma transparência.



(Lance!, 27/8/2004, p.7)




NEGÓCIO EM PARAÍSO FISCAL ESFRIA PARCERIA CORINTIANA




Com a revelação de que a MSI escolheu como sede as Ilhas Virgens Britânicas, Dualib perde apoio para aprovar o acordo com a multinacional que gerou até tapa entre conselheiros


EDUARDO ARRUDA
RICARDO PERRONE
DA REPORTAGEM LOCAL


Contradição, promessa não cumprida e até tentativa de agressão. Esse cenário coloca em risco a parceria corintiana com a MSI (Media Sports Investiments).
Parte dos aliados do presidente do Corinthians, Alberto Dualib, passou a se opor ao negócio com o iraniano Kia Joorabchian.


Um dos motivos de descontentamento é o fato de a MSI ter sido formada recentemente nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal. A revelação foi feita anteontem por Joorabchian à Folha.
Segundo dois conselheiros do clube, que pediram para não serem identificados, Dualib prometera não fazer negócio se houvesse uma empresa com sede em paraíso fiscal envolvida. Alguns conselheiros se sentiram traídos.


De acordo com o iraniano, as Ilhas Virgens Britânicas foram escolhidas como sede para reduzir os gastos com impostos.


"Em nenhum momento o presidente falou que existia uma empresa com sede em paraíso fiscal. Ele vai ter problemas para aprovar isso", disse Damião Garcia, conselheiro oposicionista.
O Conselho Deliberativo corintiano, que se reuniu na última terça-feira e aprovou o pré-contrato, terá um novo encontro até o final do próximo mês para dizer se dá seu aval para a parceria.
Uma comissão estuda o contrato. Nela está Wadih Helu, um dos principais caciques do clube e que defendia a negociação, mas agora torce o nariz para ela. Além de discordar de alguns pontos, Helu se irritou com Nesi Curi, que tentou agredir Rubens Aprobato Machado na reunião.


Machado, que questionou a parceria, só não levou um tapa porque Curi foi seguro. Sobrou para outro conselheiro que evitou a agressão, mas foi atingido.


Curi é um dos principais defensores do acordo desde que participou das negociações na Inglaterra. Ele, Machado e Helu foram procurados pela Folha, mas não atenderam aos telefonemas.
Apesar de faltar a aprovação final, os parceiros já trabalham. Discutem até reforços. Ontem, o atacante Alberto, contratado só pelo clube, foi apresentado.



(FOLHA DE S. PAULO, FOLHA ESPORTE, 27/8/2004, p. D-1)





SAIBA MAIS



Dirigente pode ser punido por irregularidade



DA REPORTAGEM LOCAL

Um dos principais temores dos conselheiros corintianos na parceria com a MSI diz respeito à origem do dinheiro e do suposto envolvimento do magnata russo Boris Berezovski, 57, acusado de vários crimes.
Segundo advogados ouvidos pela Folha, a cúpula corintiana pode ser punida em caso de irregularidades com o dinheiro do parceiro.


"Em tese, se você transacionar com alguém sobre o qual paira suspeita é melhor se prevenir e saber qual é a origem do dinheiro que está recebendo", diz o advogado Jorge Nemr, especialista em direito internacional.
Mesmo que o crime não ocorra no Brasil, as autoridades do país que enviou o dinheiro ilegal podem pedir à Justiça brasileira punição aos envolvidos no caso.


A pena para crime de lavagem de dinheiro varia de três a dez anos de prisão, além do pagamento de multa.
Exilado político na Inglaterra, Boris Berezovski tem contra si mandado de prisão internacional decretado por lavagem de dinheiro, suspeita de ligações com a máfia chechena e assassinato. (EAR E RP)



(FOLHA DE S. PAULO, FOLHA ESPORTE, 27/8/2004, p. D-1)






Dualib admite negociação com magnata russo



DA REPORTAGEM LOCAL


O presidente Alberto Dualib admitiu, em pronunciamento ao Conselho Deliberativo, o envolvimento do magnata russo Boris Berezovski na parceria que negocia para o Corinthians.


Em gravação obtida pela TV Record, Dualib diz que Berezovski merece crédito dos corintianos. O presidente declarou ainda que foi à casa do russo em Londres e conheceu sua família.


Disse também que Berezovski não gosta de aparecer porque é um dos quatro homens mais ricos do mundo -sua fortuna é estimada em US$ 4 bilhões.

O empresário Renato Duprat, que intermediou a negociação entre a empresa MSI e o Corinthians, negou o envolvimento de Berezovski no negócio.


"Realmente levamos o Alberto Dualib na casa do Berezovski porque queríamos saber se ele queria participar da negociação. Temos interesse no dinheiro dele, mas ele não se interessou pelo negócio agora. Quem sabe nos ajuda no futuro a construir o estádio."


Anteontem, o iraniano Kia Joorabchian, representante da MSI, também negou a participação do russo no negócio.


(EAR E RP)



(FOLHA DE S. PAULO, FOLHA ESPORTE, 27/8/2004, p. D-1)




LONDRES OU ILHAS VIRGENS. ONDE É A SEDE DA MSI?





No pré-contrato com o Corinthians consta a capital inglesa, mas iraniano dá outro endereço

MARCOS ROGÉRIO LOPES


A parceria entre Corinthians e MSI pode ainda estar na estaca zero.


De acordo com o advogado Rubens Approbato Machado, conselheiro vitalício do clube e vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o pré-contrato assinado no dia 5 de agosto perde juridicamente toda sua eficácia pelo fato de a empresa européia ter declarado um endereço no qual não está estabelecida. "A empresa não existe e, portanto, tudo o que está escrito ali não vale", disse. Pelo artigo 104 do Código Civil brasileiro, perde a validade qualquer negócio em que um dos agentes for indeterminável.
No pré-contrato, ao qual o Estado teve acesso com exclusividade, consta como endereço da Media Sports Investiment um estabelecimento em Londres. A empresa, porém, não funcionaria lá. Diversas fontes de pesquisa constataram essa informação e, em entrevista à Folha de S.Paulo, o iraniano Kia Joorabchian, que assinou o acordo como representante do fundo de investimentos, afirmou que a empresa está sendo constituída nas Ilhas Virgens britânicas. "Parece uma piada. Ele (Joorabchian) vai ter de provar isso, o que não fez ainda e, claro, nem vai fazer", afirmou um dos conselheiros influentes do Corinthians, que pediu para não ter seu nome revelado.


Pelo acordo firmado, no item 6.1 está claro que "a vigência e eficácia do todos os termos está condicionada à regularização da representação das partes contratantes, no prazo máximo de 30 dias após a assinatura". Daqui a dez dias (4 de setembro), portanto, a MSI deve não só provar que está legalmente constutuída, como terá de apresentar (item 6.2) carta de fiança no valor de US$ 30 milhões, o que, segundo pessoa que freqüenta diariamente o clube, ainda não foi feito.


Também não foi cumprido, de acordo com o deputado estadual Romeu Tuma Jr. (PPS), o prazo em que a empresa se obrigara a dar referências bancárias que comprovassem sua capacidade financeira. O conselheiro pediu para ler o documento e ficou impressionado com a precariedade. "O que ela (Carla Dualib, neta do presidente do clube, Alberto Dualib) me mostrou foi um papel de um banco das Ilhas Cayman, todo escrito em inglês. Aquilo não é referência bancária, claro que não", disse Tuma. O grupo também não realizou a auditoria prevista e que deveria ser fechada até dia 4.


O item 6.3 do pré-contrato deixa os opositores à parceria ainda mais apreensivos. Nele, consta que "qualquer alteração ou adendo ao presente somente será válido se feito por escrito e assinado por todas as partes contratantes." No caso, as partes são Alberto Dualib, Nesi Curi e Joorabchian. "Se houver qualquer mudança de última hora é porque isso aqui virou mesmo uma ditadura", disse, consternada, a representante do Conselho de Orientação, Marlene Mateus.


BASTIDORES - Nos bastidores do Parque São Jorge, percebe-se nitidamente que a vinculação da MSI ao milionário russo Boris Berezovski, suspeito de ligação com a máfia de contrabando de armas da Chechênia, caiu como uma bomba para muitos conselheiros. Vários, que seriam votos certos a favor da parceria, ameaçam sequer comparecer à próxima reunião do Conselho, daqui a cerca de 30 dias.


Isso se a reunião ocorrer, afinal, dia 5 de setembro o acordo já pode ser descartado se os investidores não provarem sua idoneidade à comissão de oito representantes do clube, escolhida pelos conselheiros e chefiada pelo vice de Futebol, Antonio Roque Citadini, ferrenho adversário da parceria.




(O ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 27/8/2004, p. E-12)




INGLATERRA BARRA CARTOLA DESONESTO




JAMIL CHADE
Correspondente


GENEBRA - Temendo dirigentes corruptos e ineficazes e investidores suspeitos, a Inglaterra adotou nesta semana lei que estipula condições para que uma pessoa se torne cartola de um clube de futebol. As regras foram adotadas pela Premier League, órgão que regula os 20 maiores clubes britânicos, e deverão ganhar a Europa. O código estabelece leis sobre a transparência nas contas dos clubes e tenta impedir que empresas de fachada sejam usadas por "dirigentes ocultos'' para controlar um clube.


Segundo o porta-voz da Premier League, Dan Johnson, o objetivo dessas regras é garantir a qualidade na gerência do esporte mais rico da Inglaterra e que movimenta, apenas na Primeira Divisão, 1,7 bilhão por ano. A indústria britânica do futebol deixou nos cofres do governo 790 milhões em impostos em 2003, quatro vezes mais que em 1995. Nos últimos doze anos, as estimativas são de que o governo inglês recebeu 4,3 bilhões do futebol por meio de impostos, cerca de R$ 15 bilhões.


Para ser cartola uma das exigências é de a pessoa não ter sido indiciada ou procurada por fraude. E não pode ter sido responsável por ter levado um clube à falência no passado. As regras também exigem que todas as movimentações financeiras de um clube no valor acima de 25 mil libras esterlinas (cerca de R$ 130 mil) sejam declaradas. "O rigor será grande'', garantiu Johnson.




(O ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 27/8/2004, p. E-12)




IRANIANO SE REÚNE COM TITE E ANGIONI




Paralelamente à avaliação da parceria, o iraniano Kia Joorabchian estende sua rede de influência no Corinthians. Na noite de anteontem, o representante do grupo estrangeiro Media Sports Investiment, que pretende se associar ao clube paulista pelos próximos dez anos, foi visto no restaurante do Hotel Fasano, zona sul da capital, ao lado do técnico Tite e do diretor de Futebol, Paulo Angioni.


O dirigente corintiano confirmou o encontro - o segundo entre os três -, mas não quis revelar o assunto em pauta. "Foi uma conversa casual, não falarmos sobre nada aprofundadamente", disse. Angioni garantiu que o nome de prováveis reforços não fez parte da reunião. "Não é o momento para isso, temos de esperar o desenrolar dos acontecimentos."


O mesmo hotel onde eles se encontraram recebeu no fim de semana a esposa do russo Boris Berezovski, milionário foragido da Justiça de seu País e que usaria Joorabchian e sua mulher como "testas de ferro" em suas operações.. A informação, dada ontem pelo Estado, foi confirmada por investigações de pessoas ligadas ao Corinthians. A misteriosa loira, alta e bonita, teria, antes de deixar o País, na terça-feira, visitado o Parque São Jorge no sábado e comprado US$ 50 mil em roupas na luxuosa loja paulistana Daslu.


(M.R.L.)




(O ESTADO DE S. PAULO, ESPORTES, 27/8/2004, p. E-12)