NO TÍCIAS – 21/7/2004



CITADINI DIZ QUE ALA ROGÉRIO FOI USADO



Vice-presidente do Corinthians afirmou que atleta foi influenciado por advogados que não querem o seu bem.


Do Pelé.Net


SÃO PAULO - O sempre polêmico vice-presidente do Corinthians, Antonio Roque Citadini, afirmou nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Globo, que Rogério está sendo má influenciado pelos advogados que cuidam de sua vida.

"A situação é a seguinte: ele está faltando ao trabalho, mas se ele aparecer no clube vamos conversar, pois ele sempre foi correto com a gente. O problema é que está cometendo um equívoco ao ser levado por esses advogados que estão mais preocupados em outras coisas do que em defender o jogador", disse.

"Realmente, há pendências referentes ao ano passado, que estávamos tentando discutir. Mas o Rogério, que sempre teve um comportamento correto com o Corinthians, foi induzido por pessoas que querem fazer a sua cabeça e as coisas se complicaram", ressaltou.

Citadini também reclamou da atitude do clube português Sporting de Lisboa, com quem Rogério estaria em negociação havia mais de um mês.

"Me arrependi de ter torcido por Portugal na Eurocopa. Devia ter torcido pela Grécia e não para esses piratas. O Sporting teve uma conduta lamentável. É um bando de piratas, e precisamos combater esse tipo de coisa", afirmou, indignado.



(PELÉ NET, 21/7/2004)



PASSAR NO CAIXA OU NO ADVOGADO



São Paulo (SP) - É inacreditável que dirigentes de futebol se importem pouco quanto às relações atuais com seus atletas. Não dá mais, por exemplo, para, volta e meia o Corinthians surgir mas manchetes por causa de débitos e atrasos denunciados por jogadores de futebol.

São incalculáveis os prejuízos que o clube sofre, principalmente em sua imagem, por não cumprir obrigações banais como pagamentos de salários e valores relativos a direito de imagem previstos nos contratos que seu pessoal assina.

O caixa da bola anda mal? Isso não justifica empurrar os problemas com a barriga, deixar, simplesmente, de pagar para, depois, discutir formas de novo relacionamento ou parcelamento e/ou redução de valores. O que já foi, já foi, só cabe negociar o que estiver pela frente. Quem trabalhou até certo dia sob determinado acerto, tem o sagrado direito de receber até seu último centavo.

A inversão da ordem prococa um sucateamento do patrimônio dos clubes, na medida em que perdem seus astros mais caros. As associações continuam grandes – grandes pelo seu passado, por seus títulos, por seus astros que fizeram história e pela sua torcida – mas os times deles vão ficando pequenos.

Não é por acaso que alguns dos tradicionais vencedores de copas vão tão mal. Com exceção de Santos, Palmeiras e São Paulo, é gravíssima a condição técnica de históricos favoritos a títulos, entre eles o Corinthians, que vê se repetir em Rogério o perigo da a pior conseqüência do deixa pra lá.

São muitos os casos de perdas de estrelas, de dinheiro e de prestígio. Um dia, foi Luisão. Outra vez, Luis Mario. E tivemos Marcelinho Carioca e Rincón (na passagem ainterior, quando trocou o Timão pelo Santos). Propor a alguém uma renegociação salarial é válido. Só que é preciso ouvir (e respeitar) a concordância da outra parte. Ninguém pode alterar cláusulas de contrato na medida de suas necessidades e conveniências, unilateralmente.

Se Rogério, um dia, trocou o Palmeiras pelo Corinthians, claro que foi atraído por uma paga melhor. Deixá-lo na saudade complica para o jogador e para o club e. E os homens têm que ter consciência disso.

Insastisfeito, o profissional que se vê obrigado a recorrer à justiça para defender o que lhe é de direito. Talvez obtenha sentença favorável. Talvez não. Por enquanto, a medida liminar foi negada, Mas tudo depende do que possa acontecer, dia 27, agora, em nova audiência na 20a. Vara da Justiça do Trabalho.

Se sua argumentação for acolhida, outra vez, poderá o Corinthians estará perdendo. Perdendo por quê? Tão elementar, gente. Ultimamente, anda acontecendo com uma freqüência de pasmar – jogador que fica muito tempo sem passar no caixa acaba passando no escritório do advogado.


FERNANDO SOLÉRA



(GAZETA ESPORTIVA, COLUNISTAS, 21/7/2004)




GISLAINE NUNES: “O DIRIGENTE JAMAIS FICARIA SEM RECEBER”



Maurício Svartman, especial para a GE.Net

São Paulo (SP) - Há alguns anos ela vem sendo considerada o terror dos dirigentes de futebol. A advogada Gislaine Nunes se notabilizou no meio do futebol ao liberar mais de 400 atletas de seus vínculos com clubes inadimplentes.

'Os clubes reclamam muito da minha atuação, formalizam queixas ao meu respeito na OAB, tentam me calar dessa maneira', declara a advogada. 'Seria fácil tirar o meu êxito profissional, bastava a eles cumprir o que se propõem'.

O caso mais recorrente é o atraso de salários. Após 90 dias de inadimplência por parte do clube, o jogador pode entrar na Justiça e pedir a liberação de seu passe. 'Os clubes sempre tentam depositar no mesmo dia em que descobrem a existência da ação, mas isso não descaracteriza a mora', explica a advogada, que sabe da má repercussão de suas ações por parte dos torcedores, que não gostam de ver seu clube lesado.

'Eu sempre falo para o atleta que ele vai ser criticado, mas as pessoas têm de entender que é uma situação complicada o jogador ficar sem receber', diz Gislaine, que cansou de ser criticada pelos cartolas e passou a dar o troco.

'O dirigente jamais ficaria sem receber seus valores. A maioria deles busca benefícios pessoais, essa história de ficar no clube o dia inteiro, suando a camisa, não existe. Eles nunca aceitariam ser tratados como os atletas são', critica.

DIREITOS DE IMAGEM - A batalha atual é pelo fim dos direitos de imagem, que ela considera um 'desrespeito ao salário'. Tais direitos implicam uma economia de praticamente metade dos impostos devidos, em relação aos trabalhadores contratados pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

'Depois da vitória no caso Luizão, houve uma avalanche de outras vitórias, pois os direitos de imagem passaram a ser reconhecidos como salário'. No caso do meia ROGÉRIO por exemplo, o salário de R$126 mil está dividido em R$ 30 mil pela CLT e o restante como direitos de imagem.

Os impostos cobrados ficam assim em R$8.250,00 (27,5%) pela CLT mais R$12.480,00 (13%) pelos direitos. Se o salário fosse oficializado por inteiro na CLT, os impostos pagos pelo clube subiriam de R$20.730,00 para R$34.650,00.




(GAZETA ESPORTIVA, FUTEBOL BASTIDORES, 21/7/2004)




ADVOGADA DIZ QUE MANTINHA CONTATO COM ROGÉRIO DESDE 2003




Maurício Svartman, especial para a GE.Net


São Paulo (SP) - A advogada do meia Rogério, Gislaine Nunes, que entrou nesta segunda-feira com uma ação contra o Corinthians no valor de R$ 15 milhões por atrasos no salário do jogador, afirmou nesta quarta, em entrevista coletiva em São Paulo, que já vinha mantendo contato com o atleta desde 2003.

'Desde o ano passado, quando ficou seis meses sem receber, ele já vinha me procurando', afirmou Gislaine. Os salários atrasados remetem ao período de julho a dezembro de 2003. 'Havia muitos dissabores com relação ao clube, mas ele vinha se preservando.'

O valor dos salários atrasados é de R$ 576 mil, mais R$ 270 mil de direitos de imagem e luvas. 'A cláusula penal do artigo 28 da Lei Pelé estabelece que o jogador tem direito a cem vezes o seu salário anual, o que daria ao Rogério o direito a uma indenização no valor de R$ 39 milhões. Estabelecemos um valor mais realista, de R$ 11 milhões, que somado a outros valores a que o jogador tem direito, totalizam R$ 15 milhões', explicou Gislaine.

GOTA D´ÁGUA - De acordo com a advogada, o estopim do caso foi uma proposta de redução salarial por parte da diretoria corintiana. 'O Rogério achou isso um desrespeito. É uma situação complicada para quem é uma peça-chave do elenco', disse Gislaine.

De R$ 126 mil - R$ 30 mil registrados na carteira de trabalho e R$ 96 mil de direitos de imagem - o Timão oferecia uma redução para R$ 80 mil. 'Não é da índole dele tomar tal atitude, ainda mais porque já vinha de disputa judicial com o Palmeiras.'

SPORTING - Rogério já acertou a sua transferência para o Sporting Lisboa. A proposta portuguesa foi fundamental para a impetração da ação na Justiça. 'O Rogério jamais faria esse processo se não houvesse uma proposta, o jogador não vai ficar sem jogar', declarou Gislaine Nunes.

O meia não poderá entrar em campo enquanto não sair uma liminar na Justiça do Trabalho. 'Esperamos a decisão da juíza. A CBF é obrigada a dar condições de jogo ao atleta que entra na Justiça trabalhista, mas não vai liberar a transferência se não sair a liminar', disse a advogada.

Gislaine ironizou as declarações da diretoria corintiana, que classificou a atitude de Rogério de 'efeito surpresa'. 'Isso é coisa de quem não tem o que falar. Efeito surpresa é ficar sem receber o salário, por quatro, cinco, seis meses.'

A advogada não crê em hostilidade por parte da torcida do Timão.'Tenho certeza absoluta de que a torcida vai entender que o jogador fez isso nas suas últimas gotas de paciência', concluiu Gislaine Nunes, que mantém uma ação contra o clube de Parque São Jorge no valor de R$ 8 milhões, com relação ao desligamento do atacante Luizão.


(GAZETA ESPORTIVA, FUTEBOL BASTIDORES, 21/7/2004)