"Prá enriquecer o currículo"


Prof. Nico Machado do hebdomadário “O Trombone” de Santa Maria das Três Pontes


Li nesta revista Placar do último mês de abril de 2004 uma matéria onde o conhecido jornalista M. Neves, ex-Schin, atual Brahma, critica o dirigente do Corinthians Citadini. Interessante o jornalista Neves: Vivia a elogiar Citadini - e os elogios chegavam a ser exagerados – em seu programa de televisão mandou uma equipe para sua  cidade natal e fez uma bela matéria.


Foi o primeiro cartola que teve este tratamento. Ouviram amigos, fizeram imagens da cidade, e só não pôde aparecer a catedral de Nossa Senhora da Conceição, pois a emissora é da Igreja Universal, no mais nada foi escondido ou omitido. O programa do senhor Neves chegou a repetir por três vezes a mesma matéria. Agora o Sr. Neves muda. Da Schincariol para a Brahma e de elogios para críticas ao Citadini. E para criticar usa todos os argumentos, alguns claramente equivocados. Diz que a Era Corinthiana de Citadini é a pior em todos os tempos do clube. Esquece-se os títulos dos últimos três anos: 2 Paulistas, 1 Liga Rio-São Paulo e 1 Copa do Brasil, obtendo vices do Brasileiro e da Copa do Brasil. Ninguém ganhou tantos troféus nos últimos três anos. Diz que Citadini não entende de futebol com a mesma naturalidade que ele fala de fios e cabos elétricos, cervejas e supermercados. Diz que Citadini não é astuto nos bastidores, como se malandragem de cartola fosse algo a ser exaltado. Na crítica a Citadini chega a citar um dirigente são-paulino, ex-genro de um diretor do São Paulo, e que atualmente participa da gestão tricolor. Mas com tudo o que cita, o Sr. Jornalista Neves não diz porque mudou tanto.


Há algum tempo era só elogios, agora, só críticas. Poderia o jornalista dizer “Mudei porque mudo sempre!”, “Saí da Schin e vou prá Brahma, do Extra e vou pro Sonda e assim por diante”.
Poderia concluir: “Mudar é comigo mesmo”.


Mas me contou um pessoal de São Paulo que o jornalista Neves anda um pouco nervoso demais pelos baixos índices que têm obtido seus programas de televisão. Embora o Sr. Neves afirme estar cada vez mais rico (falam que ele ganha até mais que o Galvão Bueno), seus programas estão cada vez mais pobres em audiência. Aí entra a bronca com Citadini: sendo dirigente do Corinthians, clube que tem enorme presença social, acaba estando sempre envolvido em polêmicas do futebol e, diferente do que ocorre com outros, não é dado a ter uma opinião diferente por dia. O dirigente corinthiano encrencou com a Record porque a Record transmitiu o Campeonato Paulista-2003 sem que a emissora tivesse adquiridos os direitos ou tivesse efetuado qualquer pagamento ao Corinthians. Falou isto na Record e no próprio programa no Sr. Neves, depois repetiu a fala nas rádios e televisões e aí ocorreu algo inusitado no futebol. Normalmente, os dirigentes proíbem jornalistas de entrarem em seus clubes, neste caso Citadini foi proibido de entrar na Rede Record. A partir de então, obediente como deveria ser, nos seus programas o Sr. Neves passou a chamar Citadini de “um diretor”; mas como os jogos não param e os campeonatos existem a todo tempo, passados alguns meses, necessitando ouvir dirigentes do Corinthians, a televisão revogou a punição e passou a convidar o vice corinthiano Citadini para entrevistas. Aí os jornalistas sentiram que Citadini não
estava procurando câmera e holofotes, mas que era homem de opinião, não se comportando como dirigente que vai a programas e recebe informações de dossiês para falar; o corinthiano Citadini só fala o que pensa, não o que
lhe passam e nem o que lhe pedem.


De uns trinta dias para cá, o jornalista Neves mudou de novo; calma, não voltou para a Schin, voltou a falar de Citadini, agora para citá-lo e atacá-lo.


Fechou-se o ciclo: primeiro de elogios e citações diárias, depois o ostracismo – chamando-o simplesmente de “dirigente” ou “diretor”, abolindo-lhe o nome -, e, por último, passa novamente a citá-lo e atacá-lo. Como o jornalista Neves muda sempre, vamos ver o que o futuro reserva.


Poderá voltar a ter um programa de televisão com boa audiência, anunciar a Schin, e voltar a ter uma relação formal com o vice corinthiano, Citadini.


O problema é o dirigente corinthiano que não é dado a este tipo de mudança.


OBSERVAÇÃO: Quando este artigo já estava à disposição das modernas máquinas de O Trombone, fui informado que o jornalista Neves ligou para o sindicato da categoria solicitando que fossem tomadas medidas judiciais contra
Citadini por seus ataques à Imprensa. Outro fato pouco usual. Os jornalistas normalmente são processados por dirigentes. No caso, o dirigente passa a ser processado por jornalistas.


NICO MACHADO, 62, professor, comendador, membro atuante em nossa municipalidade, formado na academia de Alfenas no estudo de solos marinhos, orador oficial de sua turma, recebeu a medalha da Ordem do Espírito da Pátria por relevantes serviços prestados à comunidade, especializado em ecologia abissal, é colaborador deste hebdomadário.



(O Trombone, semana de 28/3 a 3/4/4)



Leia mais:
- Matéria “Prá que serve Citadini?”.