NOTÍCIAS – 25/3/2004



SECO PRÁ VOCÊ

Pra que serve Citadini?




Sabem aquela velha história segundo a qual negócio bom é quando todo mundo ganha? Se tem algum lado levando vantagem é porque tem alguém levando desvantagem, alguém que está no prejuízo. Pois, na relação Citadini - Corinthians, esse alguém é o clube e quem só leva vantagem é Antônio Roque Citadini. Ele é iluminado pelo clube, mas o escurece, não o ilumina. Para que serve Citadini? Entende de futebol? Não. Coloca dinheiro no clube como Matheus antigamente? Não. É astuto e manobra nos bastidores como velhas raposas? Não. Nem tempo para isso tem. Leva milhões de dólares em patrocínio para o Timão com o prestígio que não tem? Não. Defende o clube ferrenhamente? Não. Apenas, inteligente e culto como é, estuda estocadas e as dispara quando um holofote é aceso perto dele.


Pode até ser luz de geladeira, como bem disse o são-paulino Marco Aurélio Cunha: “o Citadini, quando abre a porta da geladeira, a luz acende e ele já começa a dar entrevista”, brincou. E nisso ele é muito bom e fui um dos primeiros a perceber. Oxalá todo clube tivesse um Citadini. Para nós da imprensa seria a glória. Se Wanderlei Luxemburgo cria uma crise por dia, Antônio Roque Citadini dá uma ótima entrevista a cada três dias. Mas, como revolveu abrir a geladeira a cada três minutos, está virando carne de vaca. E, se virou figurinha carimbadíssima, chupou 100% de sua popularidade do Sport Club Corinthians Paulista. E o que deu em troca? Nada, pois a Folha de São Paulo outro dia publicou que a “Era corintiana de Citadini” é a pior dos últimos tempos.


Então que vantagem a Maria leva? Citadini só ganha em fama e nada dá em fatura e aproveitamento para o clube? Até quando? Dualib, Dualib, abra o olho, destrua as trocentas panelas do clube, demita todos os seus diretores que se odeiam, sente-se firme na sela do cavalo de São Jorge, puxe a rédea e... peça aposentadoria urgentemente. O clube está no fundo do poço em tudo e, insistindo em sua posição de posseiro do Parque São Jorge, o senhor tem tudo para poluir e diminuir sua média de conquistas desde que assumiu o poder. Chegou a hora do Sport Club Corinthians Paulista, o time de nome mais bonito do futebol do mundo, ser dirigido por um executivo top de linha e não por folclóricos cultos ou incultos, pobres ou ricos. Mas, Citadini que deveria nunca mais passar perto de um jogador ou de uma bola, de jeito nenhum pode ser dispensado totalmente do clube porque seria péssimo para a imprensa e para o ego dele. O novo presidente corintiano teria três opções de ocupação para Antônio Roque Citadini:


Porta-Voz do Timão, como André Singer no Palácio do Planalto, Assessor de Imprensa ou apresentador oficial de sessão literária no Parque São Jorge. Estaria de bom tamanho porque em qualquer uma delas holofotes não faltarão, mas com a promessa de jamais voltar a cometer a insanidade de dizer que “um jornalista organizou o ataque-omelete da Gaviões ao time corintiano em Cumbica.” Haja falta de luminosidade.


- Alex já foi, Diego alugou casa na Itália, Fábio Costa saiu num péssimo negócio pra ele e para o Santos (para o Corinthians também?), Renato é questão de horas, Robinho de meses, Maurinho e Alberto ainda fazem falta e eu estou cada vez mais cismado de que o melhor Santos desde 1969 ficará restrito mesmo só ao delicioso título brasileiro de 2002. Ah, que pena, porque time igual aquele de 2002 pinta de 15 em 15 anos, no mínimo.


MILTON NEVES

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Coluna: Seco pra você
Acessado em: 25/3/2004