O CORINTHIANS É UM OÁSIS NO FUTEBOL BRASILEIRO
Em
entrevista ao LANCE!, novo vice-presidente de futebol do Corinthians
rasga elogios para a parceria do clube e afirma que, em termos de
mercado, o Timão é imbatível
Fábio
Mazzitelli, São Paulo
A nomeação
de Antonio Roque Citadini para a vice-presidência de futebol do
Corinthians não deixa de ser uma satisfação do
presidente do clube, Alberto Dualib, para os norte-americanos da
Hicks Muse, que não andam satisfeitos com a instabilidade
política do Timão nos últimos meses. A principal
missão de Citadini é dar uma aparência mais
profissional ao comando do futebol do clube.
Advogado com
atuação na vida pública, o novo vice-presidente
do Timão é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado
de São Paulo e falou ao LANCE! na última quinta-feira,
pouco antes de a Fifa divulgar a exclusão do Corinthians,
atual campeão, do 2º Mundial de Clubes.
Queria que
você se apresentasse para o torcedor do Corinthians.
Citadini:
Sou conselheiro há tempos e sócio desde 71... Tenho
seis livros jurídicos publicados e estou lançando outro
dentro de dois meses que é uma biografia do Neco, um dos
grandes ídolos da história corintiana. Essa é a
minha face apaixonada pelo futebol e pelo Corinthians.
L!:
Como você analisa a atual situação do time, que
perdeu sete vezes seguidas, recorde histórico?
C: Tenho 50
anos e sou da geração do jejum, a mais forte que um
clube pode criar. Quando me perguntam se a situação é
de grande dificuldade, encaro isso com a força que temos dos
23 anos sem título. Em relação às causas
da má campanha no ano, estamos analisando por que disso. Vamos
identificar os problemas e estamos seguros que vamos corrigi-los.
Houve várias causas, mas não ajuda nesse momento expor
disso.
L!: Antes de começar essa entrevista, você
declarou que o Corinthians é "um oásis". O
que quis dizer?
C: É um oásis porque é um
clube diferenciado no futebol brasileiro. Pela estrutura como clube,
pela situação que nós vivemos e pela perspectiva
que temos. Quando a Hicks nos escolheu para ser parceira, não
nos escolheu porque ela achava o hino do Corinthians bonito. A nossa
torcida tem a maior renda per capita do país. O estado de São
Paulo é o maior mercado. Qualquer um que pensa o futebol como
negócio isso é relevante. O Treze, de Campina Grande,
ter 100% de torcida na Paraíba, se não tiver um mercado
que compre produtos e assista à televisão, isso não
tem importância. Somos, disparadamente, o melhor negócio
do Brasil. O Flamengo lidera em número de torcedores, mas você
tem que fazer um cálculo torcedor-mercado e nisso somos
imbatíveis. Somos o maior time no maior mercado. Você
vive em um estado com PIB maior do que a Argentina e em um país
– não estou defendendo – de grande concentração
de renda. Então, por isso que eles nos escolheram. No esporte
amador, o clube tem investido fortemente no esporte amador, ampliando
condições para revelar jogadores, tanto que estamos
vendo um celeiro continuado de craques. Na área social, o
clube está construindo uma sede e às portas de iniciar
a construção do novo estádio, que marca uma nova
fase para o futebol brasileiro em instalações. Um
estádio de múltiplo uso, moderno, sintonizado com os
padrões da Fifa.
L!: Construção de
estádio é sinal de tempos de jejum de títulos?
C:
Não vamos tirar dinheiro de jogadores para construir estádio.
Não vamos nos tornar um clube com elenco fraco porque estamos
construindo o campo. Vamos estar na mesma rota dos times que
conquistaram todos esses títulos nos últimos anos. Não
há dúvida que refazer o time, de uma hora para outra,
naqueles padrões, é muito difícil. Mas todos são
testemunhas que o clube não desmontou o time para fazer caixa
ou ganhar dinheiro. Ele foi desmontado por questões muito
particulares. Entramos em juízo contra o Rincón para
ele cumprir o contrato. A saída do Edílson foi
acelerada com o episódio da torcida e, mesmo no caso do
Vampeta, houve empenho do clube. Ele ganha na Inter só um
pouco mais, se ganha mais, do que ganhava aqui. A lógica da
nossa parceria não é ganhar dinheiro com a venda de
jogador, mas montar um grande time e ganhar com a nossa imagem.
L!:
Como contornar o prejuízo mensal de R$ 1 milhão?
C:
O nosso parceiro não é imediatista. Não estamos
fazendo uma conta assim: entrou mil, tem que sair mil. Estamos
fazendo um trabalho com várias vertentes, que pode ser de
baixa receita durante um período... E, nesse campeonato, não
só nós tivemos perda. A televisão também
teve. Isso não nos preocupa no sentido matemático.
("LANCENET", EM 30/10/2000)