Morumbi é reprovado no 1.º teste
Organização no estádio
do São Paulo, favorito para abrir a Copa de 2014, apresenta
uma série de problemas
Almir Leite, Daniel
Akstein Batista e Fábio Hecico
O Morumbi
foi reprovado no primeiro teste para sede da Copa do Mundo de 2014.
Um giro rápido em torno do estádio foi suficiente para
se acompanhar diversas irregularidades e para se perceber que o
representante paulista ainda engatinha no quesito organização.
Trânsito caótico, restrição para o
trabalho da imprensa, falta de informação sobre portões
de acesso - embora seja importante ressaltar a boa vontade de alguns
policiais - e fiscalização precária fora do
estádio.
Quatro horas antes do início da
partida, vendedores ambulantes e fiscais da prefeitura batiam boca
por causa das restrições quanto à instalação
de barracas de lanches e bebidas nas proximidades do palco do jogo
entre Brasil e Uruguai. Os comerciantes levaram a pior e acabaram
impedidos de vender seus produtos.
A prefeitura baixou uma
portaria na qual proibiu a presença dos ambulantes em toda a
região do estádio. Eles, no entanto, conseguiram um
alvará dando condições de trabalho que, no fim,
não valeu nada. “Eles não estavam com TPU (Termo
de Permissão de Uso) em dia”, alegou Maurício
Pinterich, subprefeito do Butantã. “Eles têm de
pagar uma taxa trimestral.”
Os vendedores rebateram e
disseram que tudo estava em ordem. “A gente apresentou os TPUs,
mas eles exigiram boletos bancários. Só que há
muito tempo eles não os imprimem, de propósito”,
reclamou Maurício Monteiro Ferrarezi, advogado dos ambulantes,
que deixaram o local revoltados.
Muitos torcedores acabaram
reclamando da falta de opções de alimentação.
Viam-se obrigados a desembolsar valores mais altos para a aquisição
de produtos vendidos nas dependências do Morumbi. Para diminuir
o impacto dos problemas, a Sabesp distribuu água de graça.
“Ou eles comem em casa ou dentro do estádio”,
disse Pinterich, ao falar da proibição do trabalho dos
ambulantes. “Onde há aglomeração de
torcedores, há mais meliantes.”
Outro sofrimento
foi com o trânsito. Diferentemente do que houve no Rio (no mês
passado) e Lima (no domingo), em que veículos não
podiam se aproximar do estádio no dia do jogo, no Morumbi a
movimentação era livre, o que causou enorme
congestionamento, principalmente no portal principal do estádio.
Policiais tentavam evitar problemas com torcedores que se arriscavam
e atravessavam as ruas no meio dos veículos. Um motoqueiro
acabou caindo e demorou a receber atendimento. A ambulância não
conseguia chegar ao local.
Alguns ambulantes ilegais
conseguiram driblar a segurança e, na cara de policiais,
ofereciam refrigerantes e cervejas sem serem incomodados. Flanelinhas
também conseguiram causar problemas. Chegaram a cobrar R$
100,00 para ‘cuidar’ de carros. Em meio à
confusão, cinco jornalistas uruguaios tiveram a credencial
roubada nas proximidades do Morumbi.
Mas houve quem
comemorasse. Organizadores do evento venderam espaços no
Morumbi para a realização de festas para vips, com
direito a comida, bebida, muita música e belas modelos
desfilando, algumas com roupas de super-heróis. Tudo bem
organizado, não fosse a localização. O espaço
foi montando bem no acesso dos jornalistas aos vestiários e às
arquibancadas. “Vocês têm de se locomover por fora
do estádio. Pagamos por este espaço”, comentou
uma das organizadoras da festa.
Seguranças diziam
cumprir ordens da Federação Paulista de Futebol (FPF).
J.B. Telles, responsável pelo credenciamento dos jornalistas,
também foi barrado e reclamou demais da bagunça. “No
fim do jogo vamos passar por ali, nem que seja na marra.”
São
Paulo pretende fazer a festa de abertura do Mundial de 2014. Mas sabe
que, para isso, precisará melhorar muito em uma série
de quesitos. Seu maior concorrente é Belo Horizonte, palco do
duelo com a Argentina, em junho de 2008. O Maracanã receberá
a final.
(O Estado de S.Paulo, Esportes, 22/11/2007)