PAPO COM MARCELO
Sumiram 500 mil turistas: apertem o cintos
Quinhentos
mil turistas. 500 mil turistas!. 500.000 turistas!! Esse
número-mantra foi dito dezenas de vezes pelas cúpulas
do COB e do Co-Rio - que são praticamente a mesma - e repetido
centenas pelos caciques das organizações-satélites
do Rio-2007 - a Prefeitura carioca, os governos estadual e federal e,
principalmente. as confederações esportivas como uma
das provas da grandiosidade do Pan.
Nunca ninguém
explicou de onde vinha essa projeção. Nem mesmo a
RioTur sabia como isso aconteceria porque, segunda ela, a cidade tem
menos de 70 mil leitos de hotel. E até se sugeriu o uso de
residências particulares para receber turistas.
Em
janeiro, sem querer, uma TV deu o alerta. Uma reportagem dizia em tom
otimista que a reserva de leitos para julho tinha crescido 20% em
relação a 2006. Vinte por cento! A “Olimpíada
brasileira” não consegue um crescimento maior do que
20%. Se não há hotéis lotados, muito menos os
500 mil turistas.
Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do
Co-Rio, disse que não havia problema, porque brasileiros não
compram ingressos com antecipação. E
os estrangeiros?
Agora,
como mostrou o LANCE! ontem,
vem o Sindicato das Empresas de Turismo do Estado do Rio e diz
simplesmente que não vendeu quase nenhum pacote para turistas
estrangeiros porque não há ainda
ingressos à
venda.
A
cada dia estamos mais longe do "nível olímpico"
prometido - só o custo é de Olimpíada.
Sem
ingressos à venda, turistas estrangeiros estão
desistindo do Pan
Como
mostrou a “Folha de S.Paulo”,
os apartamentos da Vila Pan-Americana
terão divisórias na sala.
Quer
dizer que nem o imenso benefício
da Prefeitura à construtora, mais
do que dobrando o pé direito original
para 17 andares, adiantou? Se há um ponto em que Nuzman tem se
mantido fiel a sua atitude é o de minimizar problemas, ignorar
custos e readaptar o discurso ao tal legado do Pan. Que parece mais e
mais relegado a nada.
Quem não se lembra da promessa de
ter 70% das obras prontas em 2005? E do impulso para transformar o
país numa potência olímpica? E do imenso legado à
cidade?
A cada dia fica mais claro que estamos mais para o Pan
de Santo Domingo do que para os Jogos de Sydney.
MARCELO
DAMATO
O colunista
Marcelo Damato escreve no LANCE! às quintas e aos domingos
(Lance!, Raio X, 25/02/2007, p. 2)