PAN 2007
AS CONTAS DE 2007


ORÇAMENTO DO PAN VAI A 2,7 BI

União, Estado e Prefeitura vão pagar, no mínimo, quase R$2 bilhões a mais do que a previsão inicial

JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO, RODRIGO MATTOS E VITOR SÉRGIO RODRIGUES. RIO

A conta para realizar o Pan de 2007 vai ficar, no mínimo, cerca de R$ 2 bilhões mais cara para os governos municipal, estadual e federal do que o previsto no primeiro orçamento da organização.
Se em 2002 os três níveis de governo tinham se comprometido a arcar com R$ 750 milhões, sendo que R$199 milhões ficariam com a iniciativa privada, agora terão de se preparar para gastar pelo menos R$2,7 bilhões.
Pelo novo orçamento, só para a parte a ser administrada pelo Co-Rio, o comitê organizador dos Jogos, Prefeitura, Estado e União terão de desembolsar R$ 691 milhões,já que a contribuição da iniciativa privada foi excluída das contas.
Além desse valor, três níveis de governo ainda serão responsáveis por, no mínimo, outros R$ 2 bilhões em investimentos diretos. como construções ou reformas de instalações, projeto de segurança pública e pagamento de empresas australianas de consultoria (ver quadro abaixo).
Como uma série de itens, caso das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos, publicidade e promoções e importação de equipamentos, ficou de fora do orçamento, no final a conta do governo será ainda maior.

Contribuição da iniciativa privada foi excluída de segundo orçamento

Na apresentação que fez ontem do novo orçamento à Assembléia
Legislativa do Rio, o presidente do Co-Rio, Carlos Arthur Nuzman, restringiu-se a comentar os valores que serão administrados pelo Co-Rio. Disse que ainda não sabe qual será o gasto total do Pan e repetiu que aumentos no orçamento de eventos multi-esportivos são normais em Jogos Olímpicos ou mesmo em Pan-Americanos.

(Lance!, 09/06/2005, p. 26)


PARTE PRIVADA SERIA DE R$561 MILHÕES

Se a participação privada nos custos do Pan fosse mantida em 21% no novo orçamento, como no calculado pela Fundação Getúlio Vargas em 2002, esse valor saltaria de R$199 milhões para pelo menos R$561 milhões. Ele deveria crescer proporcionalmente ao aumento dos investimentos diretos dos três níveis de governo também aumentassem.
Pela atual previsão do Co-Rio, no entanto, a receita obtida com a iniciativa privada é da ordem de R$115 milhões, originada em sua maior parte de patrocínios e direitos de TV. Segundo o Co-Rio essa receita deverá ser usadas, no acerto final de contas, para amortizar gastos governamentais.

(Lance!, 09/06/2005, p. 26)



NUZMAN AVISA QUE NÃO EXISTE PLANO B

Indagado pelos deputados fluminenses se o Co-Rio teria um plano B caso parte das obras não fique pronta para os Jogos ou não seja realizada, Carlos Arthur Nuzman disse que não.
Afirmou que está confiante que tudo estará pronto para os Jogos, embora tenha reconhecido que está preocupado com o cronogran - Até o dia do encerramen1 Pan vamos estar preocupados. tam dois anos e um mês para o início dos Jogos, mas até agora nen nível de governo sinalizou que poderá entregar alguma das obl esta mos confiantes – comentou.
Para Nuzman, depois da euforia pela vitória contra San Antonio, na seleção de 2002, que assegurou o Rio como sede do Pan, era normal que surgissem problemas. Ele acha no entanto, que as coisas começam a entrar no eixo e que, na hora de os Jogos começarem, tudo estará em ordem e no nível de uma Olimpíada.

(Lance!, 09/06/2005, p. 26)


CO-RIO QUER “MPs”

Na apresentação do novo orçamento do Pan na Assembléia Legislativa do Rio, Carlos Arthur Nuzman defendeu a adoção do Ato Pan-Americano, uma espécie de Medida , Provisória específica para o evento, que seria adotada pelos três níveis de governo.
- É uma coisa normal que acontece em toda Olimpíada e no Pan. Serve como um facilitador para uma série de coisas que temos a fazer - explicou o dirigente.
O Co-Rio citou dois exemplos. O primeiro: isenção fiscal para importação de equipamentos de uso temporário. O segundo: facilitação para entrega do visto para entrada no país da família pan-americana.
- A credencial do Pan poderia servir como visto de entrada no país. Isso é feito normalmente em eventos como uma Olimpíada, mas teríamos que ter autorização do governo, o Ato Pan-Americano.De acordo com Nuzman, ainda não está definido o que seria exigido pelo ato de cada um dos três níveis de governo.
- Temos que discutir com as casas legislativas - afirmou o presidente do COB, que foi muito elogiado pelos deputados fluminenses depois de sua apresentação.

(Lance!, 09/06/2005, p. 26)


ORÇAMENTO ORIGINAL
R$949 Milhões

ORIGEM % Valor*
Prefeitura.................56 ......531
Iniciativa privada......21 ......199
União......................17 ......162
Governo do Estado...6 ........57
(*) Em milhões de Reais.
FONTE: Lance!, 09/06/2005, p. 26


NOVO ORÇAMENTO CO-RIO
R$691 Milhões
ORIGEM % Valor*
Prefeitura.................53 ......366,5
Iniciativa privada........0 .........0
União......................44 ......304,5
Governo do Estado...3 .......20
(*) Em milhões de Reais.
FONTE: Lance!, 09/06/2005, p. 26


NOVO GASTO TOTAL
R$2,702 Bilhões

Valor*
CO-RIO ..................... 691
Direto dos governos... 2.011,5
Total.......................... 2.702,5
(*) Em milhões de Reais.
FONTE: Lance!, 09/06/2005, p. 26


CONTA NÃO CO-RIO
Gastos diretos dos governos

OBRA..........................RESPONSÁVEL.....VALOR*
Engenhão........................... Prefeitura .......... 252
Complexo Autódromo........ Prefeitura .......... 600**
Vila Pan-Americana............. Prefeitura ......... 368,5***
Marina da Glória................. Prefeitura .......... 40
Hospitais............................ Prefeitura .......... 25
Rótula Barra....................... Prefeitura .......... 10
Consultorias....................... Prefeitura .......... 30
Maracanã............................ Estado ......... 110
Vila Militar.......................... União .......... 60
Segurança Pública............... União ......... 273
Reforma S. Dumont............ União ......... 243
TOTAL.......................................................... 2.011,5
(*) Em milhões de Reais.
(**) A Prefeitura concedeu o Autódromo para ser explorado comercialmente por 50 anos ao Consórcio Rio Sport Plaza (vencedor da licitação). O consórcio é que fará o investimento.
(***) A Caixa Econômica Federal financiou R$190 milhões dos R$218,5 milhões da obra. Os outros R$150 milhões serão investidos pela Prefeitura.

FONTE: Lance!, 09/06/2005, p. 26


NÃO ORÇADOS
Itens que podem aumentar a conta:

Obras de transportes
Equipamentos esportivos
Cerimônias
Tocha Pan-Americana
Decoração da cidade
Novos esportes (Odepa)
Acabamento mais refinado
Publicidade e promoções
Distribuição de brindes
Uso de clínicas particulares
Ações sociais
Eventos culturais
FONTE: Lance!, 09/06/2005, p. 26