Lula põe no Pan verba de outras áreas
Com liberação de R$ 100 mi
para tentar concluir obras a tempo, governo corta gastos até
de programas de saneamento
Media provisória assinada
pelo presidente remaneja dinheiro do Orçamento; maior parte é
para reforma do complexo do Maracanã
Esportistas
brasileiros exibem os uniformes com que a delegação
disputará o Pan. As peças serão vendidas nas
lojas com preços de R$ 99 a R$ 589. Além da delegação
local, a Olympikus vai fornecer uniformes a atletas de outros 25
países no evento do Rio
MARTA
SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para
tentar concluir as obras no Maracanã e no Maracanãzinho,
no Rio, a tempo do início do Pan-Americano, o governo federal
cortou até gastos de programas de saneamento.
O
Ministério das Cidades é o que mais perde na operação
que destina R$ 100 milhões extras para o evento.
O
remanejamento de verbas foi objeto de medida provisória
assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo
ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e publicada na quarta passada.
Desde então, não houve liberação do
dinheiro, segundo pesquisa feita no Siafi (sistema de acompanhamento
de gastos federais) pela ONG Contas Abertas.
A maior parte do
dinheiro extra, anunciado por Lula durante visita ao Rio no último
dia 7, vai para reforma dos estádios. Para bancar os gastos
não previstos, o governo cancelou despesas previstas em
programas de seis ministérios diferentes.
Pela ordem,
os que mais perderam foram Cidades (R$ 43 milhões), Turismo
(R$ 18 milhões), Saúde (R$ 16 milhões),
Transportes (R$ 12 milhões) e Defesa (R$ 2 milhões).
Outros programas do Ministério dos Esportes irão
contribuir com mais R$ 9 milhões.
Entre os programas
que supostamente serão prejudicados com a destinação
de mais dinheiro ao Pan estão obras de melhoria de sistemas de
abastecimento de água e esgotamento sanitário no Rio.
Também foram alvos de cortes programas de saúde no
Estado, a implantação de iluminação
pública em trecho da rodovia Niterói-Manilha e a
participação da União na Companhia Docas.
O
cancelamento de verbas determinado na medida provisória poderá
ser contornado até o final do ano, no entanto, caso cresça
a arrecadação de tributos da União ou o governo
recorra a novos remanejamentos de recursos do Orçamento.
A
União é a maior patrocinadora do Pan. A verba federal
no evento já ultrapassou R$ 1,5 bilhão. Com o Estado e
o município do Rio, a estimativa de custo público é
de 72% do total.
O orçamento inflado reforçaria
a candidatura do Rio à Olimpíada de 2016. Até
ontem à noite, a justificativa para o deslocamento de verbas
em favor do Pan não estava disponível no endereço
eletrônico da Presidência da República.
(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 14/03/2007)