OLIMPÍADA
CPI EXAMINA RELAÇÃO
DE BB E VALÉRIO NO ESPORTE
DA REPORTAGEM LOCAL
A
CPI dos Correios virou sua mira para os patrocínios do Banco
do Brasil ao esporte.
Os parlamentares querem verificar se existe
ligação entre o esquema do empresário Marcos
Valério, apontado como o operador do "Mensalão",
e a entidade, que nos últimos quatro anos desembolsou cerca de
R$ 144 milhões em patrocínio esportivos.
O valor
está em relatório do Tribunal de Contas da União.
A
principal linha de apuração da CPI será sobre os
eventos organizados pelas confederações de vôlei
-a que mais recebe do banco- e tênis e em competições
de futebol de praia.
Existe suspeita de superfaturamento e de
torneios que teriam sido pagos e nunca aconteceram.
"Por
enquanto são só indícios de irregularidades nos
patrocínios, nas prestações de conta, não
há nada conclusivo. Estamos analisando", declarou o
senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
As suspeitas de
irregularidades já haviam fechado em julho as torneiras do
maior patrocinador estatal do esporte no país.
Os contratos
do BB começaram a passar por devassa desde a saída do
diretor de marketing da entidade, Henrique Pizzolato, que teve seu
nome envolvido no esquema de distribuição de dinheiro
de Marcos Valério.
Novos patrocínios foram suspensos
frustrando empreitadas de atletas de elite. A agora jogadora de vôlei
de praia Virna, por exemplo, esperava para este ano a verba para
estrear ao lado da campeã olímpica Sandra. Ouviu não.
Os três filhos da ex-jogadora Isabel também da areia,
tiveram acordo não renovado -Carol, a mais nova deles, foi
campeã mundial sub-21 pouco tempo após ter o contrato
com o banco suspenso.
A entidade também fechou as portas
para novas negociações.
O cenário também
gerou apreensão em atletas cujos contratos vencem no fim deste
ano, como Adriana Behar e Shelda, do vôlei de praia, e os
tenistas Maria Fernanda Alves, Flávio Saretta, Ricardo Mello.
Até Gustavo Kuerten ligou o sinal de alerta.
Os grandes
patrocínios, como da Confederação Brasileira de
Vôlei, que vence em 2008, devem continuar até o final,
diz o BB.
A DNA, agência de Valério, tem contrato com
o banco. A Multiaction, outra de suas empresas, trabalhou na
organização das torcidas em eventos de vôlei e
tênis. A CPI suspeita de desvio de verba nestas ações,
que teriam consumido cerca de R$ 2,8 milhões.
Também
estão com parlamentares contratos de patrocínios para
atletas como Robert Scheidt e Kuerten. Esportes não-olímpicos
aparecem na investigação. A Confederação
Brasileira de futebol de praia denunciou suposta irregularidade em
contrato entre a Koch Tavares e o BB para realização do
Circuito Banco Popular.
(Folha de S.
Paulo, Folha Esporte, 19/09/2005)