PAN-AMERICANO
Ruy
Cézar, que rege ações da Prefeitura do Rio no
evento, é acusado de formação de quadrilha e
sonegação
POLÍCIA AMEAÇA
SIGILOS DE SECRETÁRIO DO PAN
SERGIO
TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
O
secretário extraordinário da Prefeitura do Rio para o
Pan-2007, Ruy Cézar, foi indiciado em inquérito da
Polícia Civil sob a acusação de ter cometido os
crimes de formação de quadrilha, sonegação
de documentos e fraude à Lei de Licitações na
contratação de entidades esportivas participantes de
projetos de formação de jovens atletas.
Homem de
confiança do prefeito Cesar Maia (PFL) na área
esportiva, Cézar poderá ter quebrado os sigilos
bancário e fiscal. O delegado Milton Olivier, diretor da Draco
(Delegacia de Repressão a Ações Criminosas
Organizadas e Inquéritos Especiais), já fez o pedido à
Justiça. O relatório final do inquérito acusa
Cezar e mais sete pessoas de envolvimento em irregularidades no
período em que ele ocupou o cargo de secretário de
Esporte e Lazer da Prefeitura do Rio, de 2002 a 2004. No primeiro
semestre deste ano, o prefeito criou a Secretaria do Pan e nomeou
Cézar para dirigi-la.
Todos os oito foram indiciados por
formação de quadrilha -artigo 288 do Código
Penal, que prevê penas de um ano a três anos de reclusão.
Com exceção de Igor da Rocha Cunha (administrador de um
centro esportivo municipal na zona oeste), todos foram também
indiciados por fraudes à Lei de Licitações
(8.666/93), que prevê penas de três anos a cinco anos.
O
delegado indiciou ainda o secretário do Pan-2007 no artigo 314
do Código Penal, que estipula penas de um ano a quatro anos
para quem sonega documentos.
A sonegação teria
ocorrido durante as investigações, segundo o delegado.
No relatório final, datado de 30 de novembro de 2004, Olivier
escreve que Cézar, "deliberadamente, (...) tentou
tumultuar, tergiversar, enfim, evadir-se às respostas que
deveria prestar, demonstrando, de forma definitiva, sua ligação"
com as supostas irregularidades, que teriam ocorrido em 2002 e
2003.
Naqueles anos foram firmados contratos com seis entidades
esportivas para a implantação de atividades em
comunidades carentes. Após a assinatura dos contratos, as
entidades contrataram as cooperativas Aliança e Labor Rio, de
prestação de serviços, para a implementação
dos projetos.
O presidente do inquérito concluiu que a
contratação das cooperativas foi uma forma de a
prefeitura driblar a Lei de Licitações. Os contratos
somam valores que chegam a R$ 8,3 milhões. Para o delegado, a
quebra do sigilo poderá resultar na descoberta de onde parte
do dinheiro foi parar. "Havia locais em que deveria haver aulas
de esportes aquático e que nem piscina tinha", disse
Olivier.
(Folha de S.
Paulo, Folha Esporte, 27/07/2005)