PAN-AMERICANO
Custo
operacional dos Jogos é 80% maior que o da época em que
a cidade foi eleita
RIO-07 TIRA INICIATIVA PRIVADA DO ORÇAMENTO
GUILHERME
ROSEGUINI
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
O Comitê
Organizador dos Jogos Pan-Americanos de 2007 não incluiu verba
da iniciativa privada no orçamento que elaborou para
viabilizar a realização do evento.
Carlos Roberto
Osório, presidente do Co-Rio, e Carlos Arthur Nuzman, que
comanda o Comitê Olímpico Brasileiro, divulgaram ontem a
previsão de quanto pretendem despender no maior torneio
poliesportivo do continente.
No total, o custo operacional do
evento será de R$ 691 milhões. Não estão
incluídos, nessa conta, a construção de
instalações esportivas permanentes e os gastos com
segurança, cujos cálculos ainda não estão
finalizados.
O valor, quase 80% superior ao que foi apresentado em
2002, quando a cidade conquistou o direito de organizar os Jogos,
será custeado pela Prefeitura do Rio (53%) e pelos governos
federal (44%) e estadual (3%).
Na previsão inicial da
candidatura carioca, elaborada após estudo da Fundação
Getúlio Vargas, 21% das receitas do Pan deveriam ser
angariados via iniciativa privada. Segundo Osório, o Co-Rio já
conseguiu captar dinheiro com patrocínios externos, mas
preferiu não incluí-los no orçamento por uma
"questão de segurança".
"A verba de
patrocínios vai surgindo aos poucos. Não podemos contar
com elas porque não sabemos o valor total que conseguiremos.
Assim, trabalharemos com os recursos dos entes públicos, que
serão ressarcidos mais para a frente, quando os recursos
privados estiverem em nossas mãos."
Osório diz
ainda que espera obter ao menos R$ 115 milhões de dinheiro
não-estatal. Esse valor migraria da arrecadação
das bilheterias, dos licenciamentos, dos patrocínios, dos
direitos de rádio e televisão, entre outros.
"Já
fechamos seis cotas de patrocínio e negociamos alguns direitos
de transmissão. Nossa arrecadação, na área
privada, já é recorde na esfera Pan-Americana",
conta o chefe do Co-Rio.
O inchaço de quase 80% em relação
à previsão inicial de gastos operacionais do Pan -o
valor estipulado pela FGV era de R$ 380 milhões nessa seara-
não alarmou os dirigentes.
Segundo Nuzman, o acréscimo
é normal porque "o planejamento inicial não é
tão detalhado nem engloba todas as complexidades da
competição". O dirigente afirmou que a Olimpíada
de Atenas, disputada no ano passado, e até os Jogos de Pequim,
programados para 2008, sofreram alterações semelhantes
em seus orçamentos operacionais.
O custo global dos Jogos,
contudo, segue desconhecido. A maior fatia do bolo do Pan, no qual
estão incluídas as construções de caráter
permanente, ainda não está totalmente orçada.
Essas obras estão sob responsabilidade dos governos federal e
estadual e também da prefeitura da cidade.
Segundo Nuzman,
nenhum dos financiadores públicos do Pan reclamou, até
aqui, dos valores que deverão desembolsar. "Até
agora ninguém demonstrou insatisfação. Se alguém
encontrar algum valor que não gostar, estamos abertos para
conversar. Eu já disse: estamos aqui para fazer o melhor Pan
possível."
O presidente do COB acredita que o evento
servirá como aprendizado e uma espécie de "vestibular"
para a cidade pleitear os Jogos Olímpicos de 2014.
FRASE
Esta previsão
é fruto do planejamento estratégico pelo qual
alcançamos um nível mais detalhado das necessidades
(CARLOS ARTHUR NUZMAN, presidente do COB)
(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 01/06/2005)