"Não faremos Jogos medíocres"


Nuzman endurece discurso contra críticas aos gastos com o evento

RIO - "Não faremos um Pan medíocre." Assim, o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos de 2007 (CO-RIO) e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, rechaçou qualquer crítica ao orçamento apresentado para a realização da competição. Para o dirigente, os R$ 691 milhões reservados para as despesas com as disputas são suficientes para assegurar que as pretensões do Brasil - ser a sede de uma Olimpíada - não sejam desfeitas.
Nuzman endureceu o discurso contra as contestações ao orçamento apresentado pelo CO-RIO para os Jogos de 2007 e disse que não aceitará a realização de "auditoria. Isso não existe!" O dirigente não comentou a possibilidade de o Pan ultrapassar o valor de R$ 3 bilhões e assegurou que o comitê organizador não está em crise por causa de finanças. Reconheceu o atraso nas obras e voltou a celebrar como trunfo para o sucesso da disputa no Rio a harmonia entre os parceiros públicos - prefeitura, governo do Estado e Presidência da República.


O novo orçamento apresentado pelo CO-RIO, que se refere apenas à parte esportiva, no valor de R$ 691 milhões, não é excessivamente elevado?
Nuzman - O orçamento é absolutamente equilibrado e baseado em um Pan que o Brasil necessita ter, como cartão de visitas para o mundo, de sua capacidade em organizar eventos com credibilidade. Não estamos querendo fazer evento medíocre.


Mas no dossiê de candidatura do Rio, o valor apresentado foi de R$ 700 milhões para toda a competição, incluindo construções dos complexos esportivos. Como explicar a diferença?
Nuzman - Só quem quiser criar problema vai se apegar ao orçamento da candidatura. O projeto inicial cresceu. Os entes públicos melhoraram e cresceram as instalações em qualidade. Eles também se sentiram motivados. Estão envolvidos e empolgados na realização de um grande Pan.


O crescimento do orçamento não despertou a curiosidade dos parceiros?
Nuzman - Acho ótimo que todos acompanhem o processo financeiro dos Jogos. E estamos aberto a propostas. Mas não posso aceitar que haja auditoria no orçamento. Isso não existe! Pegar qualquer compêndio de economia para analisá-lo não existe. Tanto que o governo faz orçamento e no meio do processo ele muda. No fim, com as despesas feitas, sim. Todos poderão investigar à vontade.


Sobre a maior parte dos recursos, dos poderes públicos e de parcerias com a iniciativa privada, o Sr. não tocou no assunto.
Nuzman - Nem vou falar. Não comento a outra lista porque pode ocorrer involuntariamente informação truncada e não quero isso.


Então, com orçamento desse montante, o nível do Pan será, ao menos, olímpico?
Nuzman - Teremos um Pan de nível olímpico para os atletas, que são a razão de ser dos Jogos. A Vila, alimentação, transporte, equipamentos onde eles vão competir, tudo será igual ao de uma olimpíada.


E as arenas esportivas, o estádio olímpico? Que nível terão?
Nuzman - Algumas configurações terão nível de Pan e não olímpico. As instalações esportivas, como um todo, não teremos igual a de uma olimpíada. Estádios e ginásios olímpicos costumam ser acarpetados, com elevadores e escadas rolantes.


Os governos municipal, estadual e federal estão envolvidos na organização. É comum nesse tipo de relação um querer aparecer mais do que o outro para se promover politicamente. Isso está ocorrendo?
Nuzman - Não vejo dessa maneira. Temos três chefes de governo de partidos diferentes, mas a parceria tem sido excelente. Agora, que possam existir pessoas de algum setor que não estejam afinadas, isso acontece em todas as organizações.


Até porque problemas políticos poderiam atrapalhar o Brasil que deseja fazer do Pan de 2007 trampolim para ser sede olímpica...
Nuzman - Os problemas vão sendo superados porque a realização dos Jogos está acima disso tudo. O Brasil e o Rio não podem perder a oportunidade de organizar bem o Pan. É um passaporte para a credibilidade do País em organizar grandes eventos esportivos de âmbito internacional.


Os atrasos nas obras são uma realidade. Como o CO-RIO está tratando do problema?
Nuzman - A previsão de atraso existe. Assim como algumas obras estão adiantadas. Mas são atrasos que esperávamos fossem ocorrer. Estão dentro da margem de segurança.

M.C.


(O Estado de S. Paulo, Esportes, 26/06/2005, p. E-7)