ESTOURO NO ORÇAMENTO


Pan-2007 vai a R$ 3 bilhões


Valor já é quatro vezes maior que a previsão inicial, de R$ 720 milhões, e pode aumentar ainda mais

Michel Castellar

RIO - Para ganhar o direito de ser sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007, o Rio elaborou um orçamento enxuto e assegurou que com apenas US$ 300 milhões (R$ 720 milhões) realizaria a competição. A 747 dias da abertura dos Jogos, porém, a realidade é outra e já é possível afirmar que o evento ultrapassará a cifra de US$ 1,25 bilhão (R$ 3 bilhões). Valor impressionante, principalmente se comparado ao apresentado pela cidade carioca durante o processo de seleção para a Olimpíada de 2012: US$ 1,6 bilhão (R$ 3,84 bilhões).
Todos os principais envolvidos na organização do Pan-Americano, como o presidente do Comitê Organizador (CO-RIO), Carlos Arthur Nuzman, e o secretário-geral, Carlos Roberto Osório, foram unânimes ao afirmar que dinheiro não será problema. Citam o fato de todos os níveis de governo - municipal, estadual e federal - estarem em "sintonia, cientes e de acordo" no que se refere às respectivas obrigações financeiras.
E para que os Jogos de 2007 sejam realizados com a grandeza olímpica pretendida por seus organizadores é recomendável que a sintonia entre os três níveis de governo, apregoada por Nuzman, continue - o Pan-2007 já está em US$ 1,14 bilhão ou R$ 2,74 bilhões (ver arte).
No fim de maio, o CO-RIO apresentou seu orçamento - R$ 691.013.911,00 -, mas nele não estão incluídas as despesas principais: reforma ou construção dos complexos esportivos e vila pan-americana. O comitê organizador, propositadamente, se furtou a computar essas cifras sob a alegação de que pertencem aos três níveis de governo. No orçamento estão até previstas despesas com a vila e instalações, R$ 184,5 milhões, mas se referem apenas à montagem dos locais (compra de camas, armários, linhas telefônicas). Os gastos com tecnologia ocupam a vice-liderança nos custos do comitê organizador, com R$ 145,7 milhões.
Se o CO-RIO optou por não se envolver em números dos parceiros públicos, o Estado foi atrás de cada um deles. À frente dos investimentos está a prefeitura, responsável, entre outros itens, pela construção do Estádio Olímpico João Havelange (R$ 237 milhões), a modernização do Riocentro (R$ 100 milhões), obras de infra-estrutura e urbanização das redondezas da vila pan-americana (R$ 158 milhões), infra-estrutura do estádio olímpico (R$ 70 milhões) e a duplicação da Auto-Estrada Lagoa-Barra (R$ 130 milhões).
Até por uma questão política, o governo estadual também investe maciçamente nos Jogos. O Complexo do Maracanã consumirá R$ 89 milhões. O programa de saneamento da Barra da Tijuca/Jacarepaguá, principal ponto de concentração do Pan-2007, foi orçado em R$ 394,4 milhões. O governo federal, por exemplo, investiu R$ 5 milhões na reforma do Laboratório de Exames de Doping da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ladetec-UFRJ) e outros R$ 5 milhões na importação de equipamentos.
De parcerias públicas com a iniciativa privada sairão os recursos para a vila pan-americana (R$ 245 milhões), o Complexo do Autódromo de Jacarepaguá (R$ 450 milhões) e a reforma da Marina da Glória (R$ 60 milhões).


OS "VILÕES"

A lista de obras inclui itens que ainda não foram orçados e são eles que levarão os custos a superarem a barreira dos R$ 3 bilhões - não será surpresa se chegarem a R$ 3,5 bilhões. E o item Segurança dos Jogos, a cargo do governo Federal, seria o principal responsável pelo aumento dos valores. Em termos comparativos, no orçamento das cidades candidatas à sede da Olimpíada de 2012, os gastos com o setor estão estimados entre US$ 37 milhões (R$ 88,8 milhões) e US$ 101 milhões (R$ 242,4 milhões).
Ainda na esfera federal, haverá despesas com a construção dos Centros de Hipismo e de Hóquei na Grama, ambos na Vila Militar. O tratamento urbanístico das redondezas do Complexo do Autódromo de Jacarepaguá compete à prefeitura. A construção de um Batalhão da Polícia Militar na Barra da Tijuca, ao governo estadual. As cerimônias de abertura e encerramento do Pan, a corrida de revezamento da tocha e a inclusão de modalidades esportivas ao programa dos Jogos são outros itens que ainda não têm custo definido.

ORÇAMENTO DAS OBRAS DO PAN 2007

Em milhões de reais

Complexo do Autódromo de Jacarepaguá

450,0

Saneamento da Barra da Tijuca

394,4

Vila Pan-Americana

245,0

Estádio Olímpico João Havelange

237,0

Infra-estrutura da Vila Olímpica

158,0

Duplicação da auto-estrada Lagoa-Barra

130,0

Riocentro

100,0

Infra-estrutura do Estádio Olímpico

70,0

Complexo do Maracanã

89,0

Reforma da Marina da Glória

60,0

Direitos de TV

37,8

Dragagem das lagoas da Barra da Tijuca

25,0

Rótula Viária da Barra da Tijuca

13,3

Consultoria para realização dos Jogos

11,9

Importação de equipamentos esportivos

11,5

Reforma do Hospital Lourenço Jorge

10,0

Reforma do Estádio de Remo da Lagoa

5,0

Modernização do Laboratório (Ladetec)

5,0

Consultoria para o Plano de Segurança

2,1

TOTAL

R$ 2,055 BILHÕES

OBSERVAÇÃO: Sem previsão de custo: segurança, corrida de revezamento da tocha, cerimônias de abertura e encerramento, modalidades esportivas adicionais ao programa dos Jogos, programação cultural, ações sociais, Centro de Hipismo e Hóquei na grama da Vila Militar, tratamento urbanístico do Complexo do Autódromo de Jacarepaguá e do Riocentro, Avenida Salvador Allende e Morro do Outeiro, instalações do Batalhão da Polícia Militar na Barra da Tijuca.

FONTE: O Estado de S. Paulo, Esportes, 26/06/2005, p. E-7




ORÇAMENTO ESPORTIVO DO CO-RIO

Em reais

Vila e instalações

184.546.129,00

Tecnologia

145.729.612,00

Transporte e demais serviços dos jogos

111.181.103,00

Relações internacionais

58.847.114,00

Esportes

48.643.850,00

Marketing

41.201.187,00

Administração de Pessoal

33.556.708,00

Segurança (CO-RIO)

29.827.550,00

Serviços Financeiros

19.609.792,00

Coordenação Geral

15.214.683,00

Cerimônias de premiação

2.656.183,00

TOTAL

691.013.911,00


FONTE: O Estado de S. Paulo, Esportes, 26/06/2005, p. E-7



(O Estado de S. Paulo, Esportes, 26/06/2005, p. E-7)