Platini critica compra de times na Inglaterra
Influência
estrangeira nas equipes preocupa o presidente da Uefa
O
presidente da Uefa, o francês Michel Platini, afirmou ontem, em
Londres, que está muito preocupado com a tendência de os
clubes ingleses serem negociados com investidores estrangeiros. 'Se
isso ocorresse na França, eu combateria', afirmou Platini, em
entrevista ao jornal The Times. 'Se eu fosse inglês, estaria
muito preocupado com tantos proprietários estrangeiros',
opinou. 'Podem ser ricos que vêm ajudar o futebol inglês
a se desenvolver, mas pode ser que só queiram fazer dinheiro',
alertou o dirigente.
Atualmente, oito clubes da Premiere
League são controlados por acionistas estrangeiros. A última
equipe a ser negociada foi o Manchester City, adquirida este ano pelo
ex-primeiro-ministro da Tailândia Thaksin Shinawatra por cerca
de 162 milhões.
O caso mais célebre de venda de
clube inglês foi o do Chelsea, adquirido pelo magnata russo
Roman Abramovich, em junho de 2003. O investidor pagou cerca de 210
milhões pelo controle de um dos clubes mais tradicionais do
país. Em quatro temporadas, gastou em torno de US$ 800 milhões
para transformar a equipe numa verdadeira seleção
mundial, com cra ques de várias
nacionalidades.
GANÂNCIA
Depois
do Chelsea, seguiram-se outros clubes tradicionais. Em 2005, o
Manchester United, outro símbolo do futebol britânico,
foi comprado pelo norte-americano Malcolm Glazer por 174 milhões.
No ano seguinte, foi a vez do Aston Villa, adquirido pelo também
norte-americano Randy Lerner por 95 milhões.
A ganância
dos investidores, que prometem manter o nível de organização
e estrutura das agremiações, além de investir em
contratações milionárias, não tem poupado
nem clubes menores. O Fulham é controlado pelo milionário
egípcio Mohammed Fayed. O West Ham (para onde foram
inicialmente Tevez e Mascherano) pertence ao islandês Eggert
Magnusson e o Portsmouth foi adquirido pelo francês Alexandre
Gaydemark.
Em fevereiro deste ano, outro negócio abalou
o futebol inglês, com a venda do Liverpool para os investidores
norte-americanos George Gillett e Tom Hicks por 175 milhões. A
dupla é dona de times de hóquei e beisebol nos Estados
Unidos e no Canadá, nos quais investe milhões de
dólares a cada temporada.
Em junho , o governo
britânico prometeu que controlaria a situação,
passando a acompanhar futuras negociações envolvendo
estrangeiros e clubes locais. Mas até agora não
divulgou nenhuma regra que torne a legislação mais
rígida nesse aspecto. 'Temo que as equipes inglesas percam a
identidade', comentou Platini.
(O Estado de S. Paulo, Esportes, 07/08/2007)