Teixeira concorda com Blatter
Cartola
brasileiro diz que presidente da Fifa fez um favor, ao alertar o País
para a falta de estádios modernos
Michel Castellar
"Não podemos perder para nós o direito de
realizarmos a Copa do Mundo de 2014." Foi com esta afirmação
que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol
(CBF), Ricardo Terra Teixeira, reagiu às declarações
do presidente da Fifa, Joseph Blatter, sobre a possibilidade de o
Mundial não vir para o País, daqui a oito anos.
Na
edição de ontem do Estado, o presidente da Fifa afirmou
que o Brasil atualmente não possui estádios em
condições de abrigar jogos da Copa do Mundo e ressaltou
que o País precisará preencher todos os requisitos do
caderno de encargos para ser aprovado.
O dirigente ainda
cogitou a possibilidade de o Mundial ir para a América do
Norte e até insinuou uma parceria entre Chile e Argentina para
sediar as disputas de 2014.
"O presidente da Fifa já
deixou transparecer que, apesar de a experiência na Copa da
Coréia e Japão ter sido proveitosa, os altos custos de
sua realização não justificam mais dois países
dividirem um Mundial. Foi só uma suposição",
disse o presidente da CBF, que já descartou a possibilidade de
dividir a competição de 2014 com outro país.
"Vou escrever uma carta para ele e felicitá-lo
pelas excelentes declarações, porque serviram de alerta
não só para mim, mas para todo o povo brasileiro."
Teixeira assegurou que não se sentiu desconfortável,
incomodado ou surpreso com as palavras de Blatter. Ressaltou que o
Brasil realmente não tem estádios mas se mostrou
confiante na elaboração de um projeto de alto nível
para a realização da Copa de 2014 - da qual é o
único candidato da América do Sul que, pelo rodízio
de continentes instituído pela Fifa, será o responsável
pela edição deste ano.
Para o presidente da
CBF, o Brasil cumpriu com louvor a primeira etapa do projeto que foi
a de arregimentar o apoio político. Destacou que o empenho
demonstrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já
causou efeito positivo na Fifa. O próximo passo será
fazer a inscrição para ser a sede da Copa de 2014, após
o Mundial da Alemanha.
"O que não podemos deixar
de fazer, e bem, é o nosso dever de casa. Precisamos ter a
organização necessária, porque senão
vamos perder a Copa para nós", frisou Teixeira, descrente
que outro país do continente possa ou pretenda realizar o
Mundial, destinado ao Brasil.
A viabilização
econômica da Copa do Mundo também não é
preocupação para o presidente da CBF. O dirigente
lembrou que no "país do futebol" o que não
vai faltar são investidores dispostos a construírem
estádios e estruturas para o Brasil fazer a melhor edição
de um Mundial.
"A Copa do Mundo é um evento para
quem investir ganhar dinheiro. O retorno financeiro é mais do
que garantido. E, aqui no Brasil, o que não falta são
investidores interessados", disse o presidente da CBF.
"Não
vamos querer um centavo do Governo Federal. Só desejamos que
participe nos assuntos pertinentes a ele, como segurança e os
serviços de alfândega, vistos, nos aeroportos."
Para conseguir o dinheiro necessário para estruturar a
Copa de 2014, já que lembrou a necessidade de o Brasil ter
nove ou dez estádios em condições de realizar as
partidas, Teixeira vai montar um comitê financeiro. O dirigente
quer reunir "grandes empresários" para cuidar da
captação e gerenciamento dos recursos.
(O Estado de S. Paulo, Esportes, 14/04/2006, p. E-4)