'O Brasil não tem estádio para a Copa'
Dirigente
põe em dúvida realização do Mundial de
2014 no País e sugere até a candidatura conjunta de
Argentina e Chile
Jamil Chade
O
presidente da Fifa, Joseph Blatter, alerta que, hoje, o Brasil não
tem um só estádio que cumpriria todas as exigências
da entidade máxima do futebol para sediar uma Copa do Mundo.
Pela regra de rotatividade estabelecida pela Fifa entre os
continentes, o Mundial de 2014 deverá ser organizado na
América do Sul. A região já acertou que o Brasil
será o único candidato. Entretanto, Blatter alerta, em
entrevista ao Estado, que este acordo não bastará para
o País sediar o evento. "Os critérios exigidos
pela Fifa terão de ser cumpridos'', afirmou o dirigente. Ele
enfatiza que ainda há muito a ser feito se o Brasil quiser
mesmo realizar a competição.
Blatter, que conhece
apenas três estádios brasileiros, ameaça até
transferir a Copa para outra região se o País for o
único candidato e não cumprir as exigências. O
presidente da Fifa chega a sugerir uma candidatura conjunta de
Argentina e Chile para organizar a competição. A
escolha da sede da Copa de 2014 ocorrerá daqui a dois anos.
O governo brasileiro declarou recentemente que apóia
a idéia da Confederação Brasileira de Futebol
(CBF) de organizar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, já que
desde 1950 o País não sedia o evento. Quais são
as chances reais de o Brasil ser escolhido para organizar o torneio?
Olha, na decisão da Fifa de promover uma rotatividade
entre os continentes para organizar a Copa, ficou estabelecido que o
Mundial de 2014 será na América do Sul. Ainda não
começamos o processo de seleção. Mas sabemos que
as federações sul-americanas já disseram que
haverá apenas um candidato e que esse candidato será o
Brasil. Mas por que não ter uma candidatura conjunta entre a
Argentina e o Chile? O problema é que o Brasil, mesmo sendo o
único candidato, tem de responder aos critérios, que
são de alto nível. Só se cumprirem isso é
que a Copa será no Brasil.
Há muito
ainda a fazer no Brasil para que esses critérios sejam
alcançados?
Como eu falei ao Ricardo Teixeira
(presidente da CBF), ainda há um longo caminho a percorrer
para que o Brasil possa sediar a Copa. Hoje é apenas uma
idéia, que, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e de outros políticos, começa a se tornar uma
espécie de projeto. Mas o caminho para chegar lá e
conseguir a aprovação do congresso da Fifa em 2008 é
longo.
O senhor acredita que o Brasil tenha hoje
estádios que cumpram as exigências da Fifa para sediar
uma Copa do Mundo?
Não posso responder isso com toda a
certeza, pois só visitei três estádios. Em São
Paulo (Morumbi), um no Rio e em Porto Alegre. Tenho certeza que há
outros estádios que poderiam ser preparados para a Copa do
Mundo. Mas insisto que há muito o que fazer ainda.
Nesses
três locais que o senhor visitou, muito ainda terá de
ser feito?
Claro, claro. Não acho que por enquanto o
Brasil tenha um estádio para a Copa.
Mas se o
Brasil for o único candidato e fracassar em atingir os
critérios, a Fifa acabará com a lei da rotatividade e
dará a Copa do Mundo mais uma vez para a Europa?
Não
sou um profeta. Mas se não forem adequadas as condições,
a Copa deverá ir para a parte norte das Américas.
(O
Estado de S. Paulo, Esportes, 13/04/2006)
Para o presidente, o hexa está longe
Blatter
acredita que Brasil irá longe na Copa, mas primeiro tem de
jogar
Apesar de todo o favoritismo do Brasil, o
presidente da Fifa, Joseph Blatter, alerta que a seleção
ainda não está classificada para a final da Copa do
Mundo e que deve ter a consciência de que o caminho será
longo para o hexacampeonato. "Acredito que o Brasil irá
longe nesse Mundial, mas primeiro precisa jogar", disse
Blatter.
Segundo comentou, a seleção de Carlos
Alberto Parreira será o time que todos vão querer bater
já que há três Mundiais chega à final.
Mas, respondendo a uma pergunta do Estado durante entrevista
coletiva, o presidente da Fifa garantiu: o Brasil não sofrerá
perseguição nem da arbitragem nem da organização
do Mundial. "Vocês podem esquecer disso. Essa perseguição
seria o fim do futebol e da Copa", afirmou.
Parreira
chegou a mencionar o problema há poucos meses, mas o
presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF),
Ricardo Teixeira, fez questão de descartar a eventualidade de
uma campanha contra a seleção. Teixeira é o
vice-presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa.
Blatter
ainda aponta que os árbitros têm instrução
para proteger os bons jogadores e o jogo bonito, "por isso acho
que o Brasil tem boas chances de ter um bom desempenho nessa Copa"
afirmou. Após a coletiva, a assessoria da Fifa chegou a
procurar o Estado para criticar a pergunta sobre a eventual
perseguição. E os funcionários da Fifa acabaram
deslizando ao assumir que o Brasil não pode reclamar da
arbitragem nos últimos anos porque teve "muita sorte"
nos Mundiais.
Blatter aproveitou o encontro com a imprensa
para fazer duras críticas aos clubes, ligando problemas como
corrupção, racismo e transferências de jogadores
a algumas equipes. "Não podemos fechar os olhos,
encontramos corrupção principalmente nos clubes.
Sabemos que ocorre na Alemanha, Brasil, Bélgica, China e em
outros países", falou. Esses países estiveram
envolvidos em escândalos de apostas e fabricação
de resultados de partidas nos últimos meses.
(O
Estado de S. Paulo, Esportes, 13/04/2006)