Vândalos de luxo

Pelo visto, vandalismo independe de classe social ou torcida. Charlô Whately foi acordado às 8h45, domingo, por um estrondo no seu apartamento, uma cobertura nos Jardins. Ainda atordoado, notou que seu banheiro estava alagado. Quando olhou para o teto, havia uma cratera de um metro e meio de diâmetro, a céu aberto. O estrago foi provocado por um rojão que caiu na calha e estourou o telhado. Os autores da façanha são adolescentes são-paulinos que moram no prédio da frente, bem mais alto, que, em vez de mirar para cima, soltavam os rojões aleatoriamente. Charlô olhou pela janela, deu um grito com os vândalos, que desapareceram. Quando desceu para ver o estrago, ouviu o vidro do quarto estilhaçando, por conta de outro rojão, que fez despencar a cortina. Se ele estivesse no quarto, poderia ter acontecido uma tragédia. Para se ter uma idéia do barulho, Bruno Barreto, vizinho de cobertura de Charlô, achou que um avião tinha caído perto do prédio! Charlô teve de chamar um pedreiro às pressas e teve um enorme prejuízo.

Só mais tarde...

Aliás, são-paulino é um torcedor diferente. Está no DNA do time, embora os tempos, hoje, sejam bem mais democráticos também na torcida tricolor. Mas o jogo de domingo deixou claro que muitos costumes continuam os mesmos. O jogo foi de manhã cedo, houve algum foguetório lógico pela vitória, mas nem tanto. Durante o dia, continuava-se a ouvir fogos. É que os são-paulinos acordavam tarde, tipo meio-dia ou depois, perguntavam quem tinha ganho o jogo e começavam a comemorar... Sair de carro com bandeira e buzinaço, só no fim da tarde, lógico, depois de bom almoço...


Cesar Giobbi


(O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 20/12/2005, p. D-4)