Balanços dos Grandes de SP

Timemania é a vilã das contas


Lançamento de débitos com o governo após adesão aumentou déficits de Palmeiras e Santos. São Paulo teve lucros reduzidos

CONTAS DOS QUATRO GRANDES DE SÃO PAULO
(Valores em R$ Mil)

CORINTHIANS
Receitas totais – 2007: 132.258
Receitas totais – 2006: 92.599

Despesas totais – 2007: 155.522
Despesas totais – 2006: 116.924

Déficit do Exercício – 2007: -23.264
Déficit do Exercício – 2006: -24.325

PALMEIRAS
Receitas totais – 2007: 75.343
Receitas totais – 2006: 64.848

Despesas totais – 2007: 99.532
Despesas totais – 2006: 102.092

Déficit do Exercício – 2007: -24.189
Déficit do Exercício – 2006: -32.244

SANTOS
Receitas totais – 2007: 54.502
Receitas totais – 2006: 66.350

Despesas totais – 2007: 91.114
Despesas totais – 2006: 88.152

Déficit do Exercício – 2007: -36.612
Déficit do Exercício – 2006: -21.802

SÃO PAULO
Receitas totais – 2007: 176.805
Receitas totais – 2006: 122.302

Despesas totais – 2007: 172.957
Despesas totais – 2006: 119.816


Superávit do Exercício – 2007: 3.848
Superávit do Exercício – 2006: 2.486


ÉRIKA ROMÃO

Ela veio para salvar as finanças e, de tabela, está obrigando os clubes a serem mais transparentes na apresentação de suas contas. Como no caso dos cariocas, Palmeiras, São Paulo e Santos lançaram nos balanços financeiros referentes a 2007 as dívidas atualizadas com a adesão à Timemania, loteria criada para saldar débitos com o governo.

Segundo o auditos da Casual Auditores Independentes, Carlos Aragaki, em função da perda do prazo para apresentação das certidões de regularidade, o Corinthians ainda não apresenta os efeitos da Timemania em suas contas.

-O Corinthians acabou não aderindo à loteria no prazo devido, mas acabou reconhecendo em seu balanço contingências que não existiam no ano anterior, como os débitos com o Nilmar e o Passarella. Daí, o aumento significativo no déficit – avaliou.

Palmeiras, Santos e São Paulo lançaram dívidas originárias da loteria na ordem de R$21 milhões, R$7 milhões e R$30 milhões, respectivamente. No caso do Tricolor, o único dos quatro grandes do Estado que fechou as contas no azul, o resultado positivo despencou de R$33,7 milhões para cerca de R$4 milhões.

Mesmo com débitos monstruosos, Aragaki considera válida a apresentação dos números.

-Não importa o quão negativo estejam as finanças, mas se o clube mostra a real situação, isso já é um grande passo. O reflexo da Timemania, que é reconhecido e explicado em notas nos balanços, demonstra transparência – disse o auditor.


BALANÇOS MAIS CLAROS

Para Aragaki, os balanços financeiros dos clubes brasileiros estão melhores a cada ano.

-Havia carência de notas explicativas. Certamente os balanços ainda devem melhorar, mas eu diria que já ouve um avanço no de 2007.

(Lance!, EsporteBizz, 13/05/2008, p. 20)


Clube social é vulnerável


Carlos Aragaki, da Casual Auditores, definiu a parte social dos clubes do país como ponto fraco no equilíbrio das contas. Ao contrário dos clubes europeus, que são geridos como empresa e vivem somente do futebol profissional, as receitas dos brasileiros têm de ser suficientes para manter ainda a parte social e os esportes amadores.

-A parte social é o calcanhar-de-aquiles dos clubes. O Corinthians, por exemplo, teve despesas médias de R$31 milhões nos últimos dois anos. São quantias significativas que acabam impactando no resultado de déficit como um todo. Dificilmente clubes sociais geram mais receitas do que despesas. Eles não andam com as próprias pernas – disse.

Considerando apenas o futebol profissional, no ano passado o Timão registrou receitas de R$119,9 milhões e despesas de R$114,5 milhões. Se assim fosse, o clube teria tido um superávit de R$5,4 milhões.

(Lance!, EsporteBizz, 13/05/2008, p. 20)