Futebol internacional
Transferência
de Jogadores
Mudança no mercado
Fifa aprova artigo que proíbe
parceria em direitos econômicos de jogadores
CARLOS
MONTElRO
COMO
É HOJE
O
caso de Thiago Neves, ilustra bem a situação. Seus
direitos econômicos são de dois empresários e de
uma empresa. Isso pode ser proibido pela Fifa.
68%:
Leo Rabello
22%: Luiz Alberto
10%: Traffic
O
Comitê Executivo da Fifa, reunido nos dias 29 e 30 do mês
passado, tomou uma decisão que pode mudar as relações
econômicas e de poder no futebol mundial. Segundo o artigo
aprovado, que aguarda somente regulamentação para ser
incluído no estatuto de transferência de jogadores, os
clubes estarão proibidos, em tese, de negociar a terceiros os
direitos econômicos de seus atletas.
Casos como o de
Tevez, cujos direitos pertencem a MSI, e de Thiago Neves, que está
dividido entre Leo Rabello (68%), Luiz Alberto (22%) e Traffic (10%)
não poderão mais ocorrer.
Especialista em Fifa e
transferências internacionais, o advogado Eduardo Carlezzo, em
artigo publicado no site Migalhas, especializado em questões
juridicas, entende que uma bomba foi lançada.
-Em tese,
esta norma, que deve entrar em vigor em janeiro, estaria proibindo os
clubes de efetuarem este tipo de negociação. O
dispositivo é aberto, de forma que, de sua interpretação,
pode-se dizer que vários negócios estarão
impedidos de ocorrerem. Mas, dependendo da engenharia juridica
utilizada, eles podem vir a ser realizados - analisa Eduardo
Carlezzo, em seu artigo.
Assessor especial da presidência
tricolor, Marcelo Penha entende que os empresários acabarão
conseguindo burlar a norma criada.
- Os clubes brasileiros que são
formadores negociam parte dos jogadores para antecipar receita. Esta
decisão acaba com essa possibilidade. Pode ter certeza que
muitos investidores ficarão em situação delicada
e já vão procurar uma maneira de não perder o
investimento.
Atento à mudança de cenário,
o empresário Márcio Bittencourt tem a receita para
driblar a regra:
-O investidor vai rapidamente arrendar um
clube.
Opinião
do Especialista
Marcos Motta, A NOVA REGRA:
“A
intenção da Fifa é impedir que os investidores
tenham influência no resultado do jogo. Apenas isso.”
Bate-bola
Luiz
Roberto Leven Siano, ADVOGADO
1)O que representa este artigo a ser regulamentado?
Haverá uma revolução.
Como os direitos econômicos de umjogador só poderá
pertencer a um clube, o empresário terá de ser
remunerado pelo atleta.
2)Mais
o que isso representa efetivamente?
O empresário não
ficará mais incentivando o jogador a mudar de clube para ele
receber a sua parte. O empresário passará a atuar como
um agente. Ele receberá honorários por cuidar dos
interesses do atleta e ponto.
3)O que acontecerá com o
dube que não respeitar a nova regra?
Eles estarão
sujeitos a medidas disciplinares da Fifa. Elas vão desde a
suspensão do direito de transferir jogadores a proibição
de participar de competições internacionais.
4)Você
acha que a nova regra vai, enfim, regulamentar de forma dara o
mercado do futebol?
Acredito que sim. A grande bagunça
começa exatamente nesta relação entre empresário
e jogador. Isso tem de acabar
5)Que benefido conaeto essa nova
regra trará?
Como o empresário não receberá
por transação feita, ele não pressionará
o jogador a deixar o clube. Com isso, os atletas poderão ficar
mais tempo vestindo a camisa de um mesmo clube.
Opinião de empresário
Márcio Bittencourt, NOVA
REGRA:
“O investidor vai
rapidamente arrendar um clube para continuar podendo operar em
transferêndas de jogadores de futebol.”
Opinião de advogado
Luiz R. L Siano, A NOVA
REGRA:
“Haverá
uma revolução. Com a nova regra, o empresário
terá de ser remunerado pelo atleta, como um agente”
Bate-bola
Marcos Motta, ESPECIALISTA EM
DIREITO ESPORTIVO INTERNACIONAL:
1)
Pessoas físicas e jurídicas ficarão mesmo
impedidas de serem sócias de clubes ou mesmo donas dos
direitos econômicos de jogadores de futebol?
Tem
que ficar claro que a Fifa tem jurisdição somente sobe
seus membros. Nada impede que uma empresa tenha participação
na negociação do direito econômico do
jogador.
2)
De que forma, então, os empresários poderão
atuar?
O
Código Civil brasileiro permite a cessão de crédito.
O clube pode ceder este direito. Nada impede que um clube receba um
valor na negociação de um jogador e o repasse a uma
empresa.
3)Os
agentes econômicos do futebol brasileiro já estão
preparados para a mudança?
Isto
está sendo discutido na Fifa há muito tempo. Ainda
existem pontos nebulosos que precisam ser amplamente discutidos.
Estamos pensando em realizar um seminário sobre o tema em
dezembro, no Rio de Janeiro.
4)Esta
nova regra não afastará os investidores?
De
forma alguma. A intenção da Fifa é impedir que
os investidores tenham influência no resultado do jogo. Na
Espanha, por exemplo, há um caso em que a Corte Arbitral do
Esporte impediu que um clube comprasse a posição de
outro na terceira divisão.
(Lance!, 05/11/2007, p.26)