DIREITOS DE TV DO BRASILEIRÃO
(DES)ACERTO DE CONTAS
Relatórios
que serviriam para ajudar C13 para dividir dinheiro da TV devem gerar
mais polêmica entre os clubes
Guto
Seabra e Marcelo Damato
RIO E DE PRIMA
A
decisão é na próxima segunda-feira. Em São
Paulo, os 20 clubes sócios do Clube dos 13 vão discutir
se mudam a forma de distribuir o dinheiro do contrato com a TV Globo.
O LANCE! mostra com exclusividade os números que vão
fundamentar essa decisão.
Análises
usam parâmetros 'politicos' e critérios que estão
mal explicados
Vários
clubes estão insatisfeitos com o que recebem. Por isso,
outros temem perder receita. O primeiro grupo, liderado por
Flamengo e São Paulo, defende que a divisão deva
obedecer apenas ao valor que cada clube tem como produto de TV.
O
segundo, liderado pela diretoria do Clube dos 13, não quer
mexer no atual sistema, em que os clubes são divididos em
grupos e minigrupos, obedecendo ao critério mercadológico,
mas de forma indireta.
Para ajudar a tomada de decisão,
o C13 contratou duas empresas de consultoria. São os
relatórios delas que vão ser discutidos e
votados.
Esses relatórios medem fatores como audiência
de TV, tamanho de torcida, renda dos torcedores, presença em
estádio e desempenho técnico para chegar ao resultado
final. O primeiro nó é o peso que se dá a cada
um desses quesitos. Dependendo de como se escolhe, beneficia um clube
ou outro. E nenhum dos relatórios apresentou justificação
teórica para embasar a sua escolha. Além disso, nem só
esses fatores foram levados em conta. A maneira como os relatórios
foram gerados evidencia que a diretoria do Clube dos 13 fez
exigências que distorcem o resultado final. Para não se
queimarem com o outro lado. O LANCE! ouviu alguns dirigentes que, em
off, elogiaram alguns pontos dos relatórios e criticaram
outros. Os mais irritados são os que queriam as maiores
mudanças,
Um ponto que nem se cogita de mudar é
a prática de dar parte do dinheiro do contrato A para sócios
do C13 que disputam as Séries B e C. Assim, qualquer que seja
a decisão de segunda-feira, o rebaixado Atlético-MG
receberá bem mais do que os sete "excluídos":
Figueirense, Fortaleza, Juventude, Paraná, Ponte Preta, Santa
Cruz e São Caetano.
(Lance!, 11/03/2006, p. 18)

Análises embutem fatores políticos
Contratadas
para serem estritamente técnicos, as análises efetuadas
pelas empresas Informídia e TNS usam vários parâmetros
ideológicos e alterações casuísticas.
Ambos
os estudos, após calcular o valor de cada clube, distribuem-no
em grupos no qual todos terão a mesma cota. Essa estrutura é
justamente o que clubes como o Flamengo queriam ver destruída
e não apareceria se o resultado numérico fosse
obedecido.
Ambos usam os principais grupos existentes
atualmente, com Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e
Vasco. Ambos tem o minigrupo do Santos. A partir dali surgem
diferenças.
O estudo da Informídia chega ao
ponto de depois de fazer todas as contas e de reagrupar os clubes,
introduzir o "índice de valorização do
campeonato", que nada mais é do que uma maneira de
confiscar receita dos clubes que têm maior valor de mercado e
distribuí-las aos menos valiosos. A base teórica, para
a mudança, não aparece.
Por causa dessa
manobras, o Corinthians, por exemplo, deixaria de ganhar R$12 milhões
por ano.
Outro problema no mesmo estudo é a inclusão
de uma diferenciação política entre os clubes
fundadores e os demais. Essa diferença - 30% a favor dos
fundadores - pesa cerca de 10% no resultado final.
Como agiu a Informídia
A
Informídia, uma das empresas mais conhecidas no Brasil na área
de análise de audiência e exposição de
marcas.
Na pesquisa para o C13, dividiu os parâmetros em
três grupos: participação (peso 5,0),
exposição (4,5) e premiação
(0,5).
O primeiro leva em conta o tamanho da população
da cidade onde o clube está sediado, o PIB dessa cidade, a
média de renda e de público nos jogos, o tamanho da
torcida e um valor político para valorizar os fundadores do
C13.
A exposição aglutina dados de valor da
exibição, número de transmissões,
audiência local e audiência em riível
nacional.
O item premiação trata do
desempenho esportivo do clube.
(Lance!,
11/03/2006, p. 18)
Globo 'ocupa' Brasileiro
O
contrato entre a Globo e o Clube dos 13 sobre os direitos do
Campeonato Brasileiro vai além da venda de direitos de TV e
muito além dos direitos para o Brasil. Embora formalmente, a
Globo pague quase 80% do bolo para ter o direito de exibição
em TV aberta (50%), fechada (12%) e payperview
(17%), os negócios abrangem muito mais áreas. A Globo
detém direitos de comercialização das placas dos
estádios, de exibir imagens na internet, até de
veiculação de filmes por meio de telefones
celulares.
E nessas áreas, a Globo não se
compromete com nada. O contrato estabelece que os clube ficam com
metade do que for faturado. Sem valor mínimo.
(Lance!,
11/03/2006, p. 18)
TNS omite o cálculo
O
estudo da TNS é o mais amplo dos dois (140 páginas).
Estabelece vários cenários, com várias
possibilidades de peso para cada um dos três parâmetros
principais, O estudo também discute melhor a questão da
premiação.
Mas peca num ponto: omite informações
importantes, como a distribuição de pesos dentro de
cada parâmetro.
Além disso, é mais difícil
nesse estudo acompanhar as contas parciais e entender como foi
construído o resultado parcial de cada parâmetro.
A
TNS é uma das maiores empresas de pesquisa ligadas ao esporte
no mundo. É sediada na Inglaterra e chegou ao Brasil há
poucos anos.
(Lance!, 11/03/2006, p. 18)