Morumbi para a Copa


São Paulo lança hoje projeto de modernização de seu estádio com base no caderno de encargos da Fifa

ALFREDO LUIZ FILHO

O São Paulo dá hoje o primeiro passo para o Morumbi ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. O presidente Juvenal Juvêncio enviará ao governador José Serra e ao prefeito Gilberto Kassab o projeto de modernização do estádio, de acordo com as exigências do Caderno de Encargos da Fifa.

O 'novo' Morumbi será analisado pelo governador até dia 31, data limite para que seja repassado à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que então o incluirá dentro das opções de estádios sugeridos à Fifa, caso o País realmente seja escolhido para realizar o Mundial.

'Trabalhamos fortemente neste projeto. No dossiê que nós vamos apresentar, o clube conseguiu cumprir todas as exigências', garante Juvêncio, empolgado. 'Estou muito otimista. O Morumbi é o estádio mais bem cuidado do país hoje. E vai ter tudo para receber a Copa.'

A boa conservação do estádio é o principal trunfo do Tricolor. Desta forma, o clube tentará mostrar aos responsáveis pela liberação de recursos que não seria preciso investir pesado para adequar o Morumbi. 'O investimento é de cerca de 10%, 20% do que seria gasto na construção de uma nova arena', defende o vice-presidente de futebol Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco. 'Além disso, o Morumbi dispõe de uma rede hospitalar e hoteleira. Tudo é muito perto do estádio.'

O calcanhar de Aquiles, porém, diz respeito à área para estacionamento. Seria preciso construir dois ou três prédios garagem para, pelo menos, amenizar o problema e agradar a Fifa. Não é à toa que a diretoria convocou o arquiteto Ruy Ohtake para desenvolver um projeto específico para a criação de estacionamentos próximos ao estádio. No entanto, o clube precisa que a prefeitura autorize o uso de três espaços ao redor da Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao portão principal do estádio.

'Seria necessário uma PPP: parceria Público-Privada. Algumas empresas já se mostraram interessadas em explorar a área que seria cedida pela prefeitura por alguns anos. Depois desse tempo, a área voltaria para a prefeitura', explica João Paulo de Jesus Lopes, assessor especial da presidência do clube e atual secretário-adjunto dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo.

Os espaços verdes não desapareceriam. Os estacionamentos ficariam no subterrâneo, divididos em até três andares. A capacidade total atenderia 4.800 veículos.

O governo municipal, porém, não seria o único envolvido para fazer do Morumbi uma das sedes do Mundial no Brasil. O São Paulo tem muito interesse na implementação da Linha 4 (Amarela) do Metrô. Afinal, a Estação São Paulo-Morumbi, prevista para inaugurar em 2012, ficará localizada a pouco mais de um quilômetro do estádio. Se mesmo assim, a Fifa não se mostrar satisfeita, o clube tem uma carta na manga: a implementação de um transporte público que deixaria o torcedor na porta do Morumbi.


'O trajeto seria feito por ônibus, ou uma linha de vans, ou ainda um VLT, veículo leve sobre trilhos', confirma Jesus. 'O Morumbi está muito próximo do ideal em sua estrutura de segurança e comodidade', afirma Leco. 'Não existe nenhuma grande dificuldade.'

Com a infra-estrutura externa 'pronta', a diretoria são-paulina se empenharia em modernizar a instalações internas do estádio. Tudo para não passar vexame.





(Jornal da Tarde, Esportes, 25/05/2007, 5B)