Precoces
CBF lança garotada na vitrine
Entidade
saca jovens de 12 e 13 anos da escola para jogarem torneio cheio de
olheiros na Espanha
Inédita, seleção
sub-13 é composta por atletas que não podem ter vínculo
com clubes e são alvos fáceis do assédio de
empresários
LUÍS FERRARI
PAULO COBOS
DA
REPORTAGEM LOCAL
Saem os bancos escolares,
em pleno período de aulas, para a entrada de uma vitrine à
vista de empresários estrangeiros sedentos por jogadores de
seleção brasileira a custo zero.
A CBF, que tanto
ataca a saída precoce de talentos do país, vai
proporcionar isso a 19 garotos nascidos no recente 1994.
A
entidade resolveu montar uma seleção sub-13 para um
período de treinos no Qatar e um torneio na Espanha, onde
estarão alguns dos maiores clubes europeus e seus
olheiros.
Por três semanas, a partir da próxima,
garotos de 12 e 13 anos vão perder aulas e provas e deixar
clubes preocupados.
Não é possível
vínculo algum entre clubes e jogadores com menos de 14 anos.
Ou seja: valorizados por vestirem a camisa da seleção
em uma categoria inexistente no futebol em termos de torneios Fifa,
esses meninos, caso recebam convites, podem tomar o caminho da Europa
sem o pagamento de indenização alguma a seus
times.
“Legalmente, o Corinthians não pode fazer
nada para segurar os garotos. O que podemos fazer é oferecer a
estrutura do clube e mostrar a seriedade do nosso trabalho.Também
trabalho muito junto aos pais dos atletas” diz Edson Rocco,
técnico sub-13 do clube, que teve três jogadores
convocados para a seleção da categoria.
Jorge
Silveira, o técnico do time, também sabe que é
difícil evitar o assédio aos atletas.
“Quando
eles estão sob nossa responsabilidade, procuramos evitar que
eles falem com estranhos, com empresários”, afirma o
treinador, que, porém, não condena o interesse fora do
ambiente que dirige. “Eles (os empresários) vão
olhar (os garotos). Existe um contato sadio, quando ele é
entre o empresário que tem interesse e o clube.”
A
própria montagem do elenco já foge do padrão.
Como torneios dessa categoria são mais raros, Silveira contou
com indicações de amigos -além disso, precisou
driblar a falta de passaporte de alguns dos escolhidos
inicialmente.
Entre os que vão viajar, a idade precoce
não é obstáculo para objetivos de gente mais
rodada.
“Ainda não tive empresários atrás
de mim, mas espero que tenha”, afirma Augusto, 12, atacante do
Corinthians.
(Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 15/03/2007)