Apesar de ameaças, Juventus recorre à Justiça comum


da France Presse

A Juventus de Turim, condenada ao rebaixamento à segunda divisão pela justiça esportiva por envolvimento no escândalo de partidas com resultados manipulados, apresentou nesta quinta-feira um recurso a um tribunal civil, apesar das ameaças de sanção das autoridades do futebol italiano contrárias à apelação.

O clube havia anunciado na segunda-feira que apelaria da punição à Justiça comum, mas na quarta-feira a FICC (Federação Italiana de Futebol), com base na regulamentação da Fifa, afirmou que puniria a equipe se esta apresentasse o recurso, proibido pelos estatutos das duas entidades.

O clube de Turim, rebaixado para a Série B com uma penalização de 17 pontos e privado dos últimos dois títulos da Campeonato Italiano, decidiu recorrer ao tribunal administrativo de Lazio (região de Roma), depois do fracasso da tentativa de conciliação com a FICG por meio do Coni (Comitê Olímpico Italiano).

O conselho de administração juventino havia deixado pendente a avaliação de uma apelação ao tribunal arbitral do Coni, ou seja, a última instância da Justiça esportiva italiana.

Na terça-feira, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, enviou uma carta a Guido Rossi, comissário extraordinário da FIGC, na qual lembrava a proibição de recorrer à Justiça comum e que, esgotadas as instâncias esportivas, a última palavra corresponde ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte).

Pressionada pela Fifa para explicar como pensava em dissuadir a Juventus de sua idéia, a FICG anunciou na quarta-feira que não hesitará em abrir um processo de punição contra o clube de Turim caso este apresentasse o recurso.


(Folha Online, http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u107239.shtml, 24/08/2006, 12h50)