BUSCAM-SE CRAQUES – Como o
Brasil pode virar o jogo e treinar talentos em gestão
esportiva
REPORTAGEM DE CAPA
EM
BUSCA DO GOL DE COFRE
Genial dentro de campo e grande
exportador de craques, nosso País do Futebol ainda não
conseguiu uma vitória sobre a rentabilidade
Por
WALLACE NUNES
Neste nosso País do Futebol, a cada dia
surgem novos talentos,muitos dos quais sérios candidatos a
estrelas do relvado.Há décadas esta terra desenvolve a
genialidade em jogadas e movimentos no esporte trazido ao Brasil pelo
inglês Charles Miller.A competência com que os nossos
atletas brasileiros tratam a bola emociona - às vezes, às
lágrimas - os estrangeiros que assistem aos jogos da Seleção
Brasileira ou mesmo de qualquer clube tupiniquim. Porém, fora
de campo,principalmente no que se refere a marketing esportivo, o
futebol brasileiro ainda se encontra na fase de aprendizado.
Especialmente se comparado com países onde o esporte se tornou
uma paixão nacional por força da divulgação
e promoção da marca do clube e do culto à
personalidade dos seus atletas - tudo visando o aumento de suas
receitas. Para se ter uma idéia clara disso basta considerar
que o Manchester United, o maior clube do mundo, vale US$ 1,2 bilhão
enquanto o São Paulo Futebol Clube (atualmente o mais
valorizado do País) não chega a valer um quarto deste
montante.
Os "comandantes" da maior paixão
nacional, são unânimes em afirmar que há
condições suficientes para elaborar uma estrutura
organizacional coerente. Entretanto, interesses diversos não
permitem uma lisura total na organização da maioria dos
campeonatos no Brasil que, por sua vez, sofre com problemas para
divulgar na mídia seus produtos oriundos do futebol.
Mas,
aos poucos, essas mesmas lideranças parecem sentir a
necessidade de profissionalização total. Sentir
necessidade, entretanto, não quer dizer se profissionalizar de
fato - sobretudo na área de marketing - para gerar superávits
em suas receitas.Ainda hoje,em plena era da
competitividade,dirigentes da grande maioria dos clubes de futebol
fazem uma administração um tanto quanto amadorística
e a fórmula, de acordo com analistas,deve persistir.Pois só
assim há desculpas para maus resultados, prejuízos e
falta de transparência administrativa no mundo da
bola.
Recentemente, um estudo feito pela Casual Auditores
Independentes revelou a situação contábil de 19
clubes de futebol do País que possuem receitas totais
superiores a R$ 15 milhões ao ano. O levantamento foi
realizado entre 2003 e 2004, e nele foram analisadas as contas de
seis clubes de São Paulo,quatro do Rio de Janeiro, três
do Rio Grande do Sul,dois de Minas Gerais,dois do Paraná e
dois da Bahia. O resultado foi que nos últimos dois anos os
times avaliados geraram entre R$ 825,75 milhões e R$ 628,34
milhões em receitas, que representaram 2,75% do total da
indústria do esporte no Brasil e 0,047% do PIB brasileiro em
2004. O número chega a ser insignificante se comparado aos
podoresos clubes europeus.Ano passado apenas o Manchester United,
clube agora pertencente a um bilionário norte-americano,
registrou receita líquida de R$ 900 milhões."Para
um esporte considerado número 1 do Brasil é claro que
as receitas geradas pelos 19 clubes do País é
irrisória.Mas deve-se levar em conta que a realidade econômica
entre Brasil e a Europa é diferente. Mesmo assim, estamos
mudando nosso bench-market e encontrando uma fórmula
brasileira para melhorar as receitas", afirma Alex Fernandez ,
diretor de marketing do Santos Futebol Clube.
O estudo feito
com os 19 times indicou ainda que do total de receitas obtidas em
2004,26% dos clubes faturaram mais de R$ 60 milhões, 32% entre
R$ 30 milhões e R$ 59 milhões e 42% menos de R$ 30
milhões, e a receita média por clube foi de R$ 43,46
milhões. No ano de 2003, apenas o São Paulo Futebol
Clube - time que recentemente conquistou o inédito
tricampeonato da Taça Libertadores da América, torneio
considerado o mais rentável para os clubes de futebol do
Brasil - gerou receitas superiores a R$ 60 milhões, 6% do
total analisado e a receita média por clube foi de R$ 34,9
milhões.
As principais fontes de receitas desses
times,cerca de 70% do total arrecadado no ano passado, foram
provenientes da negociação de atletas,cotas de TV e
patrocínio, segundo a Casual.Para alguns clubes,a venda de
jogadores para outros países foi a receita que mais gerou
benefícios para as equipes, chegando a até 65% do seu
caixa. O estudo mostrou também que fontes de receitas
tradicionais dos clubes de futebol, como a venda de ingressos
registraram 7% em média do total arrecadado.
A busca de
novas fontes de receitas fizeram com que muitos dirigentes de clubes
de futebol do Brasil imitassem modelos de administração
e gerenciamento de marketing de países da Europa. O pioneiro
foi a Sociedade Esportiva Palmeiras que inaugurou a fórmula
com o chamado modelo de co-gestão implantado a partir de
1992,quando foi fechada uma parceria com a multinacional italiana
Parmalat. O negócio levou o clube - que vivia um jejum de
títulos e ainda sofria com a forte queda nas receitas fortes -
de volta ao cenário internacional e a condição
de potência futebolística nacional.Logo nos dois
primeiros anos da co-gestão, US$ 11 milhões foram
investidos na aquisição de jogadores de nível de
seleção,formando uma equipe forte o bastante para
conquistar títulos e valorizar o clube e a marca que estampava
em suas camisas. "Deu certo.Planejamos e colhemos resultados que
alegraram os dois lados da parceria", lembrou o outrora técnico
de vôleibol e hoje gerente de marketing José Carlos
Brunoro.
Por meio de uma política definida e bem
elaborada, a Parmalat envolveuse intensamente no futebol mundial e
buscou parceiros estratégicos em diferentes países para
tentar penetrar em seus mercados alimentícios e inserindo suas
linhas de produtos. Basicamente, a empresa, por meio da sua equipe de
profissionais especializados, comprava jogadores de renome e
utilizava os clubes como vitrine e como trampolim para conquistar
títulos e assim valorizar seus jogadores para serem revendidos
para os grandes clubes europeus.Em termos financeiros,a empresa se
deu bem,pois conseguiu maximizar seus investimentos.
Pelo lado
institucional,colheu um retorno incrível de marca, pois até
então era pouco conhecida no mercado brasileiro e acabou sendo
inserida fortemente nos maiores hipermercados e distribuidores
alimentícios do País.
"Fizemos um forte
planejamento para vender todos os tipos de souviners relacionados ao
clube e a empresa. Descobrimos que associar a marca ao clube nos deu
um bom retorno financeiro", afirmou Brunoro sem querer citar
valores.
Ao longo destes anos,o exemplo do clube fundado por
antigos colonos italianos foi seguido por várias outras
agremiações que também queriam ver suas receitas
aumentarem.Embalados pelas tímidas mudanças na leis,
que regem o esporte nacional,muitas equipes se tornaram empresas ou
fizeram acordos de co-gestão, profissionalizaram suas ações
de marketing para se capitalizarem financeiramente. "Surgiram,a
partir da parceria Palmeiras- Parmalat, vários tipos de
administração que, por conseguinte, desenvolveram
vários métodos e ações de marketing para
valorizar a marca dos seus clubes.Mesmo assim,muitas equipes ainda
têm por base a transação de jogadores como fator
para aumentar suas receitas.A venda do clube como marca, feita por
uma gestão profissional não deu certo em muitos
clubes", disse Brunoro.
A possibilidade de co-gestão,
situação em que ambos (clube e empresa patrocinadora)
definem objetivos específicos e comuns,normalmente ocorre
assim: o clube entra com a estrutura física e seus
departamentos e a empresa com aporte de capital para que todas as
áreas e departamentos se desenvolvam bem financeiramente além
de contribuir na área de marketing.A empresa normalmente
torna-se co-gestora dos negócios e atividadesrelacionadas ao
nobre esporte bretão - tanto profissional quanto amador - e
não do clube como um todo. O Clube de Regatas Flamengo do Rio
de Janeiro e Grêmio Football de Porto Alegre tentaram imitar o
alviverde paulistano, mas não tiveram sucesso. "Não
deu certo porque a Internacional Sport League (ISL,empresa ligada à
FIFA) decretou falência e o negócio da venda de
souviniers relacionado com a identidade do clube não foi para
frente", disse Carlos Eduardo Farias ex-diretor do clube
carioca.
Num singelo e rápido espiar de olhos podemos
observar como funcionam hoje muitos dos departamentos de marketing do
times brasileiros. A conclusão é que dá para
sentir que algo tem mudado ao longo dos últimos 10
anos.Atualmente,muitos dirigentes apostam no fortalecimento do
futebol brasileiro a médio e longo prazos para alavancarem
suas receitas com o negócio do marketing.
Mesmo ainda
havendo muito por fazer, não deixa de ser gratificante olhar
para clubes como Corinthians, Atlético-MG, São Paulo,
Cruzeiro, Grêmio, Atlético-PR, Santos,entre outros e
perceber que nunca houve tamanha valorização deste
setor, motivada especialmente pela compreensão da enorme
importância que a geração de receitas
alternativas desempenha no fortalecimento das finanças dos
clubes.
Parmalat, LG, Samsung, Simens, Coca-Cola, Kolumbus e
Pepsi, MRV Engenharia, Petrobras, Unimed e tantas outras empresas
desembolsaram anualmente valores na casa dos milhões para se
associar à marca de algum clube do Brasil. Desta maneira, além
da visibilidade, conseguem fazer suas vendas saltarem.
A
maioria das empresas, sobretudo as multinacionais,enxerga a enorme
vitrine que um time de sucesso pode representar até mesmo para
o público que não acompanha futebol com tanta
freqüência. Estima-se, por exemplo, que em 2001, quando a
Pepsi assinou um contrato de dois anos com o Sport Clube Corinthians
Paulista, a participação de mercado da marca americana
aumentou cerca de 30% - isso em um mercado onde cada ponto percentual
de share representa milhões de reais.
Em Minas Gerais,
no quinto andar de uma das sedes administrativas mais modernas da
América do Sul,Valdir Barbosa, diretor de Comunicação
é o homem que comanda o marketing do Cruzeiro, o time
brasileiro que experimenta o maior crescimento de sua torcida no
País, já apontada como a quarta maior força do
Sudeste brasileiro.Planejamento é a palavra de ordem por lá,
o que se mostra não somente por meio de iniciativas para
aumentar sua base de torcedores por intermédio de ações
de promoção de marca, como no foco constante em
explorar o potencial de compra dos fãs,aumentando a oferta de
produtos licenciados e criando novos canais de escoamento. Sua loja
oficial, por exemplo,foi inaugurada aproveitando o momento
extremamente favorável que o time vive em campo."Quem
conhece o projeto de perto,sabe que o grande investimento feito ali é
somente o passo inicial de uma nova postura adotada pelo clube no que
diz respeito ao seu merchandising", diz Valdir Barbosa.
Ainda
em Minas, Marcelo Vido, homem que tem sido o responsável por
manter sob os holofotes a estrela do Clube Atlético Mineiro,
time que mesmo com os resultados desapontadores em campo, tem marcado
gols de placa para manter a marca 'galo' na cabeça e nos
corações dos mineiros. "Hoje temos mais de 15
parceiros importantes. Não ganhamos diretamente, mas sabemos
que essas empresas terão retorno e vão voltar anunciar
em nosso clube", afirma Vido.
O atual patrocinador do
time, a MRV Engenharia,investiu 1% da verba de publicidade
diretamente no time e a contrapartida foi boa. Segundo o dirigente, a
empresa recebe R$ 3 para cada R$ 1 aplicado".Em São
Paulo,o tricolor paulista foi o primeiro clube brasileiro a perceber
que muito se pode lucrar da experiência de se ter um bom
gerenciamento de marketing.
O clube assinou em junho último
um acordo de cooperação com o Manchester United,
visando o intercâmbio principalmente entre as diretorias de
marketing dos dois clubes.Com arrojados planos para transformar o
Morumbi na mais completa arena esportiva da América do Sul,
Julio Casares está à frente do marketing de um clube
que está voltado para o futuro,mas que trata de fincar as
devidas pedras fundamentais para chegar ao nível de clubes
como Real Madrid, Bayern de Munique e o próprio ManU.
O
acordo fechado com a rede de fast food Habib's para a exploração
do catering dentro do estádio chega a lembrar os negócios
feitos pelos times de futebol americano da NFL (National Football
Leage), onde se sabe tirar o máximo proveito do mundo
corporativo para alavancar a mais rica liga do planeta."O São
Paulo quer mais. No ano que vem estaremos inaugurando nossa superloja
com apoio de uma nova marca de material esportivo. Essa ação
se desenvolve com base nas conclusões que tiramos durante a
reunião do grupo que gerencia o marketing do clube",
disse o diretor tricolor estimando, que no final deste ano deve
definir entre as empresas de material esportivo Puma e Reebok, qual
se tornará o fornecedor oficial do clube.
O tricolor
paulista tem procurado fazer uma gestão austera e manter a boa
imagem de clube democrático para abocanhar mais patrocínios.
"Estamos prontos para renovar o contrato de patrocínio
com a LG,pois foi uma parceria de sucesso",disse Casares. São
ainda muitos os exemplos de clubes que atentaram para a importância
de maximizar o potencial de geração receitas, tanto com
o intuito de produzir dividendos para os cofres do clube quanto de
expandir sua base de fãs, tornando o clube cada vez mais
presente no cotidiano das pessoas. Recentemente, o Corinthians
acertou uma parceria de 10 anos com a britânica Media Sport
Internacional (MSI) e, logo de cara,viu os produtos relacionados a
marca do clube serem vendidos como nunca. A empresa, capitaneada no
País pelo iraniano Kia Joorabchian, investiu mais de US$ 30
milhões para montar uma super equipe, trouxe três
jogadores argentinos e repatriou brasileiros de renome. Quando a
equipe começou a obter resultados positivos dentro de campo,
as vendas de souvenirs triplicaram. "Não fizemos mais
nada do que outros clubes fazem:marketing bem direcionado",diz
sem falsa modéstia o presidente da MSI. Fã confesso do
futebol brasileiro ele afirma que o mercado de futebol nacional é
"espetacular". "Aqui há um celeiro de craques e
são poucos os times que conseguem aproveitar essa virtude.São
Paulo, Cruzeiro e Vasco estão entre esses times", disse
Joorabchian.
KIA JOORABCHIAN, DO CORINTHIANS: OLHAR
ESTRANGEIRO NO TIMÃO
O
iraniano destaca que em breve a torcida e muitos membros do
Corinthians, que consideram a parceria um tanto "polêmica",
terão bons motivos para agradecer a associação
com a MSI. “Faremos com que esse clube esteja no nível
dos maiores como Real Madrid, Chelsea, Manchester United e outros do
mundo”.
Recentemente, a empresa britânica
fechou o maior contrato de patrocínio da história do
futebol brasileiro: US$20 milhões com a coreana Samsung.
O contrato com a empresa coreana foi o motivo do desentendimento
entre os dirigentes do clube e o administrador da empresa britânica.
O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, quer a "cabeça"
de Joorabchian por achar que a MSI deveria ter repassado 10% do
contrato de publicidade com a Samsung - de US$20 milhões -
para sua neta Carla Dualib, que dirige a parte de marketing do
clube.“Não quero entrar nesse assunto, mas todos aqui
neste País estão acostumados a levar algum por qualquer
fato”, disse Joorabchian.
Se os números do
futebol verdeamarelo ainda estão a anos-luz do europeu - até
por conta das realidades muito distintas - ao menos em termos de
know-how já se podem considerar bastante próximos do
primeiro mundo."É claro que há muito por fazer,
mas estamos começando a encontrar o caminho certo",
ressalta o chefe da MSI.
O mercado de marketing
esportivo envolve bilhões de reais em investimentos entre
mídia televisiva,patrocínio de times, atletas e
promoções. Porém, segundo Dado Lancellotti,
diretor comercial de marketing e patrocínio da Traffic
Marketing Esportivo não existem dados oficiais do setor.
"Seria uma irresponsabilidade falar em números, pois não
há um estudo nesse sentido no País."
Ele
comenta que não existe um órgão oficial que
regulamente a área, mas que o movimento é, seguramente,
bem acima de R$ 1 bilhão. Campeã nos negócios em
que atua, a Traffic detém 50% do mercado e cresce 20% ao ano.O
principal negócio da empresa é a venda de direitos de
transmissão de campeonatos como Copa América de
Futebol, eliminatórias da Copa do Mundo e Pré-Olímpico
das seleções, por exemplo. Uma cota de patrocínio
adquirida pela Rede Globo, por exemplo, custa em média R$ 50
milhões.Levantamento feito pela companhia indica que existem
cerca de 30 empresas de marketing esportivo no Brasil,das quais 80%
são pequenas e médias. A maior fatia,em termos de
faturamento,no entanto, fica nas mãos de três ou quatro
grandes empresas,que vendem cotas de patrocínios de
campeonatos e realizam campanhas publicitárias.
O
principal atrativo do investimento em marketing esportivo para as
empresas no futebol - esporte que a cada final de semana movimenta
18% da população do Brasil, equivalente a 31 milhões
de pessoas - é de obter sucesso no esporte e transferi-lo para
o patrocinador." Resultado: retorno institucional e em vendas
para os investidores", diz Lancellotti.
O País
sempre esteve conectado com mundo esportivo, mas seu principal foco
de partcipação tem sido a exportação de
jogadores de futebol. Investimentos diversos são movidos pelo
receio de não retorno financeiro.Como fazer marketing num
torneio disputado simultaneamente nos gramados e no tapetão ?
(jargão da gíria futebolística para vencer jogos
fora do gramado).Os dados,que incluem atletas, dirigentes, árbitros,
profissionais de imprensa,público nos estádios e
telespectadores, foram apresentados pelo Ministério do
Esporte.
O esporte movimenta muito mais do que bolas e
emoções.Em seu entorno são realizados negócios
que vão desde o patrocínio até o licenciamento
de marcas, passando pela venda de ingressos e produtos relacionados a
times e categorias. Somente no ano passado, estima-se que as cifras
tenham chegado a R$ 30 bilhões.Para se ter uma idéia
ainda melhor, apenas o licenciamento de marcas esportivas projeta um
crescimento de 25% para este ano."Em 2004, o segmento girou R$
225 milhões", afirma Carla Dualib, presidente da Sports
Marketing Agency.Segundo ela, o futebol foi responsável por R$
8 milhões desse faturamento." O grande vilão do
segmento é a pirataria,que fatura cerca de cinco vezes mais do
que os produtos licenciados", diz Luciano Kleiman, diretor de
marketing da Adidas. Ele explica que as marcas oficiais têm
pouca margem para baixar preços,pois os produtos colocados à
venda são os mesmos usados pelos esportistas. "É
impossível manter padrões de qualidade e tecnologia e
competir com a indústria pirata", ressalta Kleiman.
Para José Carlos Brunoro, somente o marketing
esportivo foi responsável por um movimento aproximado de R$ 10
bilhões no ano passado. "Mas o Brasil tem possibilidades
de atingir R$ 50 bilhões nessa área",
afirma.
Como potencial de retorno do investimento no esporte,
o diretor José Carlos Brunoro cita o exemplo dos negócios
impulsionados pelo sucesso do tenista Gustavo Kuerten,o Guga,há
cerca de três anos. De acordo com Brunoro,o número de
praticantes de tênis aumentou 50%, chegando hoje a 600 mil e os
freqüentadores de academias passaram de 7 mil para 10 mil.Os
produtos também renderam mais: a venda de bolinhas de tênis
passou de uma média anual de 1,2 milhão de unidades
para 2,9 milhões (+142%) e a venda de raquetes saltou de 60
mil para 140 mil (+133%). Segundo Brunoro, as companhias podem obter
um ganho de US$ 8 a cada US$ 1 investido.
O Marketing
Esportivo está extremamente profissionalizado em determinados
países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice de
profissionalismo é alto em praticamente todas as modalidades
esportivas, mas é especialmente alto no basquete,futebol
americano,beisebol e hóquei, só para citar as
bilionárias ligas nacionais. O futebol europeu, mais
especificamente o inglês, o espanhol e o italiano também
dão show de eficiência administrativa.Por várias
razões ainda incipiente no Brasil, o marketing esportivo sofre
com a visão amadorística dos administradores dos clubes
e dos que se aproximam dos times só para obter vantagens
pessoais.
OS TIMES DE FUTEBOL MAIS
VALORIZADOS
Os grandes vencedores financeiros durante o
último ano fiscal europeu foram os que capitalizaram o sucesso
dos dias de partida (Glasgow Rangersm, Olympic Marseille, Chelsea),
grandes aumentos em venda de produtos com o logotipo do time (Real
Madrid, Celtic) ou melhoraram seus acordos de transmissão de
partidas (Barcelona, AC Milan). Os maiores perdedores foram aqueles
clubes que tiveram desempenho pobre no campo (Borussia Dortmund, AS
Roma, Shalke 04) ou vendeu ativos para pagar as contas (Leeds
United).
|
OS TIMES DE FUTEBOL MAIS VALORIZADOS |
|||||||
|
|
CLUBE/País |
Atual VALOR(1) ($mil) |
alteração no valor |
receita |
Receita
operacional (²) |
DÉBITO(³)/ |
DONO/
|
|
1 |
Manchester United/ Inglaterra |
$1,251 |
5% |
$ 315 |
$105,7 |
0% |
John Magnier, J. P. McManus |
|
2 |
Real Madrid/Espanha |
920 |
23 |
287 |
26.3 |
0 |
sócios do clube |
|
3 |
AC Milan/Itália |
893 |
18 |
270 |
-8.0 |
7 |
Silvio Berlusconi |
|
4 |
Juvents/Itália |
837 |
1 |
262 |
23.6 |
3 |
Família Agnelli |
|
5 |
Bayern Münich/Alemanha |
627 |
2 |
202 |
48.0 |
0 |
Adidas-Salomon AG |
|
6 |
Arsenal/Inglaterra |
613 |
27 |
211 |
41.8 |
13 |
Danny Fiszman, Henry Norris |
|
7 |
Internazionale Milan/Itália |
608 |
9 |
203 |
6.2 |
19 |
Massimo Morati |
|
8 |
Chelsea/Inglaterra |
449 |
32 |
264 |
-7.2 |
30 |
Roman Abramovich |
|
9 |
Liverpool / Inglaterra |
441 |
-1 |
170 |
57 |
4 |
David Moores |
|
10 |
Newcastle United/Inglaterra |
391 |
-2 |
166 |
37 |
24 |
Freddy Shepherd |
|
11 |
Bracelona /Espanha |
389 |
13 |
206 |
7.1 |
40 |
sócios do clube |
|
12 |
Olympique Marseille/França |
305 |
NA |
107 |
15 |
NA |
Robert Louis-Dreyfus |
|
13 |
Tottenham Hotspur/Inglaterra |
298 |
9 |
122 |
17.6 |
5 |
Daniel Levy |
|
14 |
Schalke 04/Alemanha |
295 |
-13 |
111 |
26.2 |
1 |
Veltins Brewery |
|
15 |
Celtic/Escócia |
273 |
36 |
127 |
8.8 |
11 |
Dermot Desmond |
|
16 |
Manchester City/Inglaterra |
262 |
NA |
114 |
7.3 |
23 |
D.M. Makin, J.C. Wardle |
|
17 |
AS Roma/Itália |
252 |
-17 |
132 |
-24.7 |
32 |
Família Sensi |
|
18 |
Aston Villa/Inglaterra |
236 |
NA |
103 |
6.5 |
0 |
Herbert D. Ellis |
|
19 |
Glasgow Rangers/Escócia |
225 |
36 |
105 |
14.5 |
40 |
David Murray |
|
20 |
SS Lazio/Itália |
224 |
38 |
121 |
-100.9 |
100 |
AtaHotels |
|
21 |
Olympique Lyonnais/França |
209 |
8 |
139 |
6.3 |
NA |
Jean-Michel Aulas |
|
22 |
Borussia Dortmund/Alemanha |
197 |
-45 |
119 |
-40.3 |
18 |
Norman Rentrop Verlag |
|
23 |
FC Porto/Portugal |
182 |
ND |
140 |
-14.5 |
3 |
Jorge Nuno Pinto da Costa |
|
24 |
Leeds United/Inglaterra |
135 |
-8 |
85 |
-48.2 |
33 |
Ken Bates |
|
25 |
Ajax amstedam/Holanda |
126 |
ND |
78 |
6.1 |
25 |
Vereniging AFC Ajax |
|
MÉDIA GERAL |
424 |
8 |
166 |
9 |
19 |
|
|
|
|
|||||||
AGARRE-ME
SE PUDERES
POR LESLEY KUMP E MAYA
RONEY
Os US$23 milhões de David Beckham em contratos de
publicidade, o valor mais alto de qualquer atleta de esportes de
equipe, o mantém na liderança com grande folga em
relação aos outros jogadores. “O Beckham é
um ícone que o mundo reconhece, um pacote comercial e o sonho
de um patrocinador”, diz Michael Stirling, chefe de estratégias
de preço para acordos de publicidade e endosso de marcas no
escritório de advocacia londrino Field Fisher Waterhouse.
O
fenômeno adolescente Wayne Rooney poderia se tornar um rival
para Beckham no jogo de bola – o salário de US$6 milhões
que o Manchester United lhe paga faz dele o jogador mais bem pago da
história na sua idade – certamente muito mais que a
lenda do futebol Pelé, cujo primeiro contrato em 1956 previa
um salário de US$10 por mês. Mas Rooney, que não
tem a aparência de modelo de Beckham, não teve seu nome
no título de um filme (“Bend it like Beckham”,
premiado em festivais) e não é casado com uma Spice
Girl, provavelmente nunca vai ser páreo para Beckham em ganhos
com publicidade – não importa quantos gols elel
marque.
1-US$32 milhões
DAVID BECKHAM
Real
Madrid
Fundou uma escola de futebol em Londres e, com essas e
outras, continua a ser o queridinho dos publicitários e
marketeiros
2-US$27,5 milhões
MICHAEL
OWEN
Newcastle
Tem um contrato de US$30 milhões por
15 anos com a Umbro
3-US$20 milhões
ZINEDINE
ZIDANE
Real Madrid
O atacante que tirou a Copa da França
do Brasil em 1988 ainda é o maior salário do futebol:
ganha US$12 milhões só para jogar
4-US$18
milhões
RONALDO
Real Madrid
O contrato do craque
que fez os gols do penta lhe garante US$190 mil por semana e vai até
2008
5-US$12 milhões
RAÚL
Real
Madrid
O capitão recentemente ofereceu demitir-se para
ajudar o time
6-US$12 milhões
RONALDINHO
Barcelona
Eleito
pela FIFA o Jogador do Ano em 2004, o gaúcho continua a
colecionar títulos
7-US$11,5milhões
OLIVER
KAHN
Bayern
O goleiro mais bem pago na liga alemã e
no mundo
8-US$10 milhões
ALESSANDRO DEL
PIERO
Inter de Milão
O capitão do time aceitou
uma redução salarial para estender seu contrato até
2008
9-US$9 milhões
CHRISTIAN VIERI
Inter de
Milão
Participou da criação da sua própria
grife de roupas chamada Sweet Years
10-US$8
milhões
THIERRY HENRY
Arsenal
Encabeçou uma
campanha anti-racismo neste ano
REAL MADRID DÁ SHOW DE LUCROS
A
eficiência operacional do Real Madrid, vice-campeão
espanhol de futebol coloca-o como um dos clubes mais rentáveis
do mundo. O clube fechou o seu exercício 2002/2003 com uma
subida de 26% das suas receitas para um total de 192 milhões
de euros. Apesar desta melhoria, os resultados operacionais voltaram
a ficar no vermelho, atingindo um prejuízo de 97,8 milhões
de euros, dos quais, cerca de 98 milhões são
amortizações. O lucro antes de impostos fixou-se, por
seu turno, nos 9,2 milhões de euros, um valor que conta com
108 milhões de euros de lucros extraordinários.
O
desempenho financeiro obtido na temporada passada permite ao Real
Madrid prever, para o corrente exercício fiscal, receitas na
ordem de 232 milhões de euros, um resultado operacional
positivo de 21,5 milhões de euros e termina a temporada com um
lucro antes de impostos de 58,8 milhões de euros. No orçamento
projetado para este ano, o Real Madrid prevê despesas com
pessoal (atletas e não atletas), de 133,2 milhões, ante
os 139 milhões de euros apresentados no ano anterior.
Os
responsáveis pelo clube sublinham que essas despesas
representam atualmente 57% do balanço operacional, o que
reflete uma eficiência operacional comparável aos clubes
mais rentáveis do mundo.
PAIXÃO ACIMA DAS DIFICULDADES
Apesar dos problemas, na América
Latina, o futebol ainda movimenta o mercado
• A venda de
televisores no Brasil, mercado de US$ 1 bilhão anuais,
crescerá 5% por causa dos jogos da Copa do Mundo. Isso
significa 250 mil televisores a mais nas salas dos brasileiros.
•
A Adidas espera aumentar em 25% o seu faturamento na Argentina com a
venda de camisetas da Seleção.
• O mercado
publicitário brasileiro - que movimenta cerca de US$ 100
bilhões por ano - espera repetir em 2006 o crescimento de 15%
registrado em 2002, na Copa do Mundo da França.
• A
Ambev tem um contrato de patrocínio de US$ 180 milhões
com a Seleção Brasileira, por dez anos, para ter sua
marca estampada na camiseta.
• A Volkswagen prepara o
lançamento de uma série especial do Gol e espera vender
pelo menos 6 mil carros na época do mundial de futebol.
•
A rede de supermercados Carrefour faz parte do grupo de empresas que
paga US$2 milhões mensais à Associação de
Futebol da Argentina para ter direito de utilizar a imagem da Seleção
em seus produtos.
• Na Copa da Alemanha, estima-se que cerca
de 50 mil latino-americanos viajarão para assistir aos jogos
na Coréia do Sul e no Japão.
(Revista Forbes Brasil, ano 5, nº 118, 09/09/2005, p.12-20)