NEGÓCIOS
Antes de ser preso, Edinho negociou parceria com Portuguesa Santista
Pela
minuta do contrato, grupo de Edinho compraria direito de explorar uma
área de 10 mil metros quadrados onde seria construído
um parque esportivo
GIBA
BERGAMIM JR.
Preso no Denarc sob acusado ter
ligação com traficantes da Baixada Santista, o
ex-goleiro Edson Cholbi do Nascimento, o Edinho, filho de Pelé,
negociou com a Portuguesa Santista — tradicional clube de
Santos — o direito de explorar uma área de 10 mil metros
quadrados onde seria construído um parque esportivo com
quadras de futebol e de tênis e academia de musculação.
Edinho está preso no Denarc sob acusação de
ligação com traficantes da Baixada Santista.
Representando um “grupo de São Paulo”, Edinho
esteve há aproximadamente dois meses no escritório do
presidente da Portuguesa, a Briosa, Carlos Alberto Amado Costa, e se
ofereceu para investir no departamento amador do clube. Costa pediu
então que Edinho apresentasse um projeto para apreciação
do conselho deliberativo do clube. Após duas outras reuniões,
Edinho mostrou uma minuta de contrato de concessão de direito
e administração de uso da área. A idéia
era construir um centro poliesportivo no espaço, que, em 1973,
foi cedido em comodato pela União à Portuguesa. A
estimativa de investimento inicial era de cerca de R$ 1,5 milhão.
A
minuta apresentada por Edinho não diz o nome da empresa nem
dos sócios envolvidos no negócio. Segundo o presidente
da Briosa, a proposta não chegou a ser apresentada aos
conselheiros do clube. “Ele esteve aqui perguntando se
estávamos dispostos a ceder o terreno porque ele queria fazer
um projeto esportivo lá dentro.
Eu falei: 'tudo bem,
aceito, mas então você faça um pré-contrato,
me traga aqui, porque, para isso, eu vou depender do conselho'. Ele
veio e trouxe essa espécie de pré-contrato”,
disse Costa. O presidente afirmou que não questionou qual era
o grupo que Edinho representava. “Eu só perguntei se o
projeto tinha algo a ver com o pai dele e ele disse que não.
Não perguntei (sobre o grupo) porque eu estava falando com o
filho de Pelé! E propostas, como a que ele trouxe, são
comuns. Não é a primeira.”
ESCUTAS
Grampos
telefônicos divulgados pela polícia no último dia
10 mostram Edinho supostamente negociando lavagem de dinheiro com
Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, o Naldinho, segundo o Denarc
(Departamento Estadual de Narcóticos), um dos maiores
traficantes de São Paulo. “Tô falando como que nós
vamos fazer nos outros mil negócios nossos. Mas esse, o Ibraim
já resolveu porque já tem uma solução que
nós vamos montar uma empresa nossa, que vai ser uma trading,
que vai fazer compra e a venda do negócio, vai ter nota fiscal
e tudo”, diz Edinho na gravação.
O ex-goleiro
também apresentou propostas para investir no Santos. No dia em
que foi preso, 6 de junho, o ex-goleiro faria a última
negociação para assinar um contrato de cerca de R$ 3
milhões no setor de esporte amador do clube.
Um dos
conselheiros da Portuguesa disse ao DIÁRIO que já havia
negociações também para que Edinho passasse a
atuar no departamento de futebol do clube. A idéia seria
colocar o pai de Naldinho, Ronaldo Barsotti de Freitas, o Pitico, na
direção do setor. Pitico é amigo de Pelé,
com quem jogou no Santos. Na década de 70, Pitico jogou pela
Briosa. O presidente do clube nega. “O Edinho me disse que não
queria mexer com futebol. Até disse que isso era coisa para o
pai dele”, afirmou Costa. Pitico não quis falar com a
reportagem. O DIÁRIO procurou o advogado de Edinho, Sidney
Gonçalves, que não comentou a negociação.
(Diário de S. Paulo, São Paulo, 24/06/2005, p. A-3)
ENTEVISTA
– CARLOS ALBERTO AMADO COSTA, Presidente da Portuguesa
Santista
O presidente da Portuguesa Santista, Carlos
Alberto Amado Costa, afirmou que recebeu o filho de Pelé,
Edinho, mais de uma vez em seu escritório e que o ex-goleiro
realmente estava interessado em investir numa área do
clube.
Diário SP- COMO FOI A PROPOSTA DE EDINHO?
-Ele
disse que não queria mexer com o futebol, mas que o negócio
dele era fazer um centro poliesportivo, com campos de futebol, com
grama sintética, musculação, quadra de tênis,
tudo que coubesse dentro do terreno.
Diário SP- E O QUE
O SENHOR DISSE?
-Se ele estava interessado, tudo bem. Qual foi o
primeiro passo? Pedir um pré-contrato. Eu pedi para que, no
contrato, cada associado do clube, usasse o espaço, sem pagar
nada, durante um determinado horário (a proposta de Edinho
previa montar academias e cobrar pelo uso).
Diário SP-
E ELE FALOU DE VALORES?
-Só constam no pré-contrato
alguns valores. Ele pagaria um percentual mensal (10%) do valor
arrecadado com o centro esportivo, pela cessão da área,
sendo que esse valor nunca seria inferior a R$5 mil.
Diário
SP- E AS NEGOCIAÇÕES CONTINUARAM?
-Isso parou aqui.
Do momento em que ele me trouxe isso (a minuta), nunca mais ele veio.
Logo em seguida estourou tudo isso (prisão de Edinho). Ele foi
muito educado, super bem trajado, um linguajar completamente
diferente desse que aparece aí (nas gravações
feitas pela polícia).
(GBJ)
(Diário de S. Paulo, São Paulo, 24/06/2005, p. A-3)