TERRENOS
PÚBLICOS
Prefeitura
prepara-se para cobrar aluguéis de clubes
Espéria
acredita que contrapartidas sociais são importantes
SÃO
PAULO
A decisão da Prefeitura Municipal de
São Paulo de cobrar aluguel dos clubes instalados em terrenos
públicos ainda está sendo avaliada pelos grandes clubes
da cidade. A própria prefeitura. ainda define como será
feita a cobrança. Segundo a Secretaria Municipal da Gestão,
responsável pela Comissão Permanente de Patrimônio
- criada para tratar dos terrenos da prefeitura -, a cobrança
financeira não é exatamente um aluguel e sim uma parte
das contrapartidas exigidas às associações por.
Contrato.
Informações da assessoria da
Secretaria de Gestão apontam que aproximadamente 70% das
contrapartidas exigidas deverão ser cobradas em dinheiro.
Apenas os outros 30% serão cobrados em ações. O
cálculo será feito em comparação com as
atividades, como por exemplo. o custo de proporcionar uma escolinha
de futebol para 300 alunos carentes. O clube então deverá
pagar esse valor à prefeitura se isentando da prestação
do serviço à população.
Mesmo com
as disputas na Justiça entre o Clube Círculo Militar,
próximo ao Parque do Ibirapuera, e a Prefeitura de São
Paulo, outros clubes na mesma situação não
acreditam que o possível problema possa chegar a eles. O
Círculo Militar conseguiu nesta semana uma liminar assegurando
a sua permanência no terreno até que seja definido o
mandado de segurança, dentro de 90 dias. A liminar derrubou a
exigência do prefeito José Serra de liberar o terreno em
30 dias. A prefeitura disse que não vai recorrer e sim esperar
a decisão definitiva do juiz, com o mandado. Segundo a
assessoria da Secretaria de Gestão, o Circulo Militar está
em uma área de interesse da prefeitura, por fazer parte do
traçado original do Parque do Ibirapuera.
Para o Ipê
Clube, também próximo ao Ibirapuera, o fato de estar em
um terreno que não foi parte do parque descarta a
possibilidade de perder o endereço. Se~do a assessoria do
clube, os casos não são comparáveis.
CONTRAPARTIDA
SOCIAL
Já o clube Espéria, na zona norte, aposta
nas contrapartidas sociais para garantir a posse do espaço. A
assessoria do Espéria informou que a diretoria do clube está
esperando uma notificação oficial da prefeitura, por
isso não tem uma posição sobre compensações
em dinheiro ou aluguel. Por outro lado, a associação se
considera garantida por apresentar um programa de contrapartidas
sociais bastante amplo.
O clube recebe cerca de 10 mil
crianças carentes todos os anos, no período de férias,
como uma das contrapartidas sociais exigidas. Outra ajuda social se
deu na parte de materiais, quando, em 2003, o clube doou equipamentos
de ginástica, musculação e fitness para o
ginásio do complexo esportivo Alfredo Inácio Trindade,
no Jardim São Paulo, zona norte. Segundo a assessoria do
clube, este ano a Subprefeitura de Santana e Tucuruvi pediu que a
associação cedesse um salva-vidas do seu corpo de
funcionários para trabalhar no balneário do
complexo.
A Comissão Permanente de Patrimônio
entende que as contra-partidas sociais existem, mas irá
revê-las, pois muitos contratos de ocultação do
terreno têm mais de 30 anos. O levantamento dos terrenos
cedidos está sendo feito, porém a comissão optou
por começar com os clubes esportivos e sociais. Os 15 clubes
já catalogados ocupam uma área de 784 mil metros
quadrados e. têm valor venal de cerca de R$ 160
milhões.
RAFAEL BRESCIANI
(DCI, 10/02/2006, p. C-1)