A AFA imita a CBF


O técnico da seleção argentina, seja ele quem for após a renúncia de José Pekerman, não terá liberdade para convocar os jogadores para os amistosos que virão.

Tudo porque é o que determina o contrato feito entre a AFA (a Associação Argentina de Futebol) e a empresa russa (mais uma, mais uma!) Gulgong, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas (e Deus salve a Rainha!).

A Gulgong é filiada ao Renova Group, representada na Argentina por Igor Raulevich Akhemerov, mas de propriedade do terceiro maior bilionário russo, Víktor Feliksovich Vekselberg, que de futebol pouco entende, segundo o jornal portenho "Olé".

O contrato firmado por Julio Grondona, o presidente da AFA, com os russos irá até 1o. de agosto de 2011 e cede os direitos de 24 amistosos da seleção nacional fora da Argentina, por 750 mil dólares cada um, ou seja, um total de 18 milhões de dólares em cinco anos, metade paga à vista.

Segundo o respeitado jornal espanhol "El País", este foi um dos motivos que levaram Pekerman a pedir demissão na entrevista coletiva que deu em seguida à eliminação argentina na Copa.

O contrato exige que as partes estabeleçam uma relação de 30 jogadores que o técnico terá de aceitar.

Além disso, ele deverá escalar ao menos sete deles nos amistosos.

Não lembra o primeiro contrato entre a CBF e a Nike que redundou na famosa CPI da CBF/Nike?

Juca Kfouri

(Blog do Juca, http://blogdojuca.blog.uol.com.br/index.html, 13/07/2006)