A ratoeira da ISL
A falência da ISL, que pegou
de raspão o Flamengo, ainda vai dar muita dor de cabeça
na cartolagem internacional. Começa com o próprio
presidente da Fifa, Sepp Blatter, um dos alvos da denúncia
ontem publicada pelo jornal suíço "Die Welt
Woche". O jornal pergunta, em manchete: "De que tem medo
Sepp Blatter?" O homem é citado nas tramóias da
Adidas que criou a ISL e que a Fifa ajudou a transformar na maior
empresa de marketing esportivo do mundo. A ISL resolveu jogar a
toalha, depois que seu rombo bateu 450 milhões de dólares.
No Brasil, o prejuízo da ISL chega a 50 milhões de
dólares nas parcerias com o Flamengo e com o Grêmio. Foi
o jornal suíço que desmascarou a conta fantasma da ISL
num banco do Liechtenstein, só pra pagar suborno de cartolas
safados. Dessa erva secreta teria saído muito dinheiro pra
comprar eleitores quando a Fifa escolheu a dupla Coréia-Japão
sede do próximo mundial. O leilão político
chegou a pagar um milhão de dólares por voto. No
tenebroso colégio eleitoral da Fifa vota presidente de
confederação. Sabe-se que corre muito dinheiro por
baixo do pano no futebol sul-americano, especialmente, aqui, no
Brasil.
Aí estão as CPIs, buscando comprovar o
tamanho da bandalheira nos arraias do futebol brasileiro. Mas,
sejamos justos: acima da linha do Equador, a patifaria fala muito
mais grosso ainda. A ISL tinha negócios no futebol, no tênis,
no atletismo, no rugby, no basquete, na natação e na
fórmula "kart" dos Estados Unidos. Detinha os
direitos dos mundiais de futebol (2002 e 2006), pelos quais pagou um
bilhão e 200 milhões de dólares, em sociedade
com a alemã Kirch.
No delírio de faturar, a ISL fez
com o tênis masculino um contrato de 10 anos, pagando à
ATP um bilhão de dólares. Só no primeiro ano de
"Masters Series", a ISL perdeu quarenta milhões de
dólares. O contrato já foi pro brejo. A ATP está
procurando um novo parceiro.
Jornais suíços e
alemães estão fazendo reportagens investigativas pra
saber como pode ter estourado, subitamente, uma empresa que vendeu os
direitos da Copa do Mundo de 2002 a alguns países por valores
expressivos, tais como, a Rede Globo (230 milhões de dólares)
e à rede hispano-americana de a Univision, 160 milhões
de dólares. Sem contar o resto do pacote - ISL formado pelos
Estados Unidos, Canadá, América Latina e todo o
continente asiático, todos clientes ainda em fase de
negociações. Ficou fora a Europa, parte do latifúndio,
que a Fifa destinou à marqueteira "Kirch Mídia",
empresa alemã, por sinal, tida como muito saudável,
financeiramente.
Além dos direitos de transmissão,
a ISL ainda teria outras respeitáveis fontes de receita como
"sponsors" de alto calibre que pagam uma fortuna pra ligar
seu nome ao mundial. Sem falar nos direitos de publicidade estática
que rendem dinheiro altíssimo.
Os grandes patrocinadores
da Copa, já confirmados, são o cartão
Mastercard, a Kodak, a Coca-Cola e a Nike. Estão pra fechar
patrocínio a Samsung e a cerveja Budweiser. Uma pela outra, a
cota não sai por menos de 50 milhões de dólares.
Ao todo, serão 13 patrocinadores de peso na Copa do Mundo. O
que estranha é que a ISL tenha retirado de campo justamente na
hora em que lhe cai do céu uma mina de ouro. É
esquisito.
ARMANDO NOGUEIRA
(A Notícia, http://www.an.com.br/2001/mai/25/0arm.htm, 25/05/2001)