MÁFIA DA GAROTADA
CORINTHIANS FAZ NOVA VÍTIMA NO INTERIOR
Campinas, SP, 28 (AFI) – Um
grande esquema de aliciamento, inclusive com amparo jurídico,
foi armada pelo Corinthians para tirar dos clubes do interior os seus
principais talentos. Depois do assédio em cima de dois
jogadores da Ponte Preta – os laterais Nei e George –
apareceu uma nova vítima. É o Atlético Sorocaba,
clube que age de maneira correta com seus jogadores, e que acaba de
perder uma de suas mais gratas revelações: o atacante
Tiago Adan (foto), de apenas 18 anos, mas que há quatro anos
está sendo preparado pelo clube sorocabano. Até quando
vai agir, impunemente, a “Máfia da Garotada”?
A
direção do Atlético Sorocaba, indignada, não
quis se manifestar publicamente, mas espera ações dos
órgãos representativos para coibir a falta de ética
de alguns clubes, através de maus e ambiciosos dirigentes. A
direção do clube não sabe ao certo qual brecha
foi usada, mas já tem conhecimento de que o jogador abandonar
a cidade depois de quatro anos de excelente tratamento –
alojamento, alimentação, estudos e educação.
É
lamentável saber de mais um jovem atleta, promissor, tenha
sido sumariamente retirado de um clube que por vários anos
nele investiu. A Lei Pelé e a “máfia de laranjas”
de clubes grandes e de falsos empresários de futebol,
continuam vitimando os clubes já tão sem força
após a implementação da Lei Pelé.
Tiago
Adan que havia sido promovido ao primeiro ano de juniores e em
seguida seria profissionalizado, foi retirado do Atlético
Sorocaba por uma liminar da Justiça Comum de Sorocaba, que em
razão de não ser especializada em futebol – um
mundo à parte, cheio de peculiaridades -, foi levada a erro,
por gente que aparentemente não teria relação
com os “grandes”.
Como funciona a
Máfia da Garotada
Por ironia do destino o jogador
está treinando com o juniores do Corinthians, que armou um
grande esquema para “aliciar” jovens talentos no
interior, aproveitando brechas ainda existentes na Lei Pelé. A
ação é legal, porém imoral. Inicialmente
os grandes clubes, como São Paulo e Corinthians, de forte
poder aquisitivo, soltam seus “olheiros” no interior para
descobrir novos talentos.
Depois eles são seduzidos,
com propostas salariais, carros e até casas para seus pais e
um futuro promissor num grande clube.
A partir daí, entra a
parte jurídica. Os advogados buscam mínimas brechas na
Lei Pelé, não só atrasos salariais, mas
recolhimentos de, às vezes, uma parcela pequena do FGTS –
Fundo de Garantia – ou até mesmo de ISS – Imposto
Sobre Serviço. Em cima disso, conseguem na Justiça do
Trabalho, liminares de liberação.
Em outros
casos, o clube simplesmente paga a multa rescisória, quase
sempre inferior ao valor real de cada jogador. É impossível
aos clubes firmarem contratos com multas elevadas para 50 ou 60
garotos. O ônus é alto, mesmo porque os contratos são
duradouros e numa safra, às vezes, saem um ou dois jogadores
rentáveis.
A ação imoral abre brechas
também para ação de inescrupolosos "empresários,
procuradores e dirigentes". Estes "novos craques"
chegam ao novo clube, como o Corinthians, nas mãos de supostos
empresários, que às vezes dividem parte do passe meio à
meio com os clubes. Mas há sempre intermediações.
Até
quando este absurdo?
Até quando continuaremos
assim? Infelizmente muitos pais são seduzidos facilmente, e
acabam “cuspindo” no prato que os alimentou por tantos
anos. O Sindbol (Sindicato dos Clubes de Futebol) e a Federação
Paulista de Futebol precisariam se empenhar mais para proteger quem
forma. Esta deveria punir aqueles clubes beneficiados, retirando das
cotas daqueles, repassando aos prejudicados, indenizações
no mínimo no equivalente à formação
daquele atleta.
Deveria haver maior ética entre os
clubes. Este é um alerta muito sério, porque ontem foi
a AA Ponte Preta, agora o Atlético Sorocaba, e todas as
vítimas que não manifestaram-se nem foram
divulgadas?
(Agência
Futebol Interior)
(Futebol Interior, http://www.futebolinterior.com.br/osite/internac.php?nid=97269, 28/12/2005)