Consolidação
FUSÕES
ACIRRAM DISPUTA ENTRE AS AUDITORIAS DO "SEGUNDO BLOCO"
Nelson
Niero
De São Paulo
O
movimento de fusão que reduziu de oito para cinco o número
das grandes firmas de auditoria e consultoria mundiais está-se
repetindo no Brasil entre as empresas de médio porte.
A
fusão da BDO Directa com a Terco, anunciada ontem, embola a
disputa entre as firmas do chamado "segundo bloco" do
setor, que perderam espaço com o avanço das grandes
multinacionais na última década.
Boucinhas
& Campos e Soteconti, que anunciaram a fusão em março,
começam a operar juntas oficialmente na próxima semana,
o que as coloca num "empate técnico" com a Trevisan
na liderança desse segmento.
Juntas,
BDO Directa e Terco somam um faturamento de R$ 24 milhões em
2001, com um total de 280 profissionais e uma carteira de 680
companhias. Segundo Mauro Roberto Terepins, presidente da Terco, a
expectativa é aumentar a receita em 10% neste ano, para R$ 28
milhões.
Nada
que ameace as grandes que, depois do colapso da Arthur Andersen,
foram reduzidas a quatro: PricewaterhouseCoopers, Deloitte Touche
Tohmatsu, Ernst & Young e KPMG
As
"Big Four" têm 90% do mercado de auditoria de
companhias de capital aberto, por patrimônio líquido das
empresas auditadas, ou cerca de 60% por número de clientes. Se
fundissem suas operações, Trevisan, Boucinhas &
Campos + Soteconti e BDO Terco Directa teriam pouco mais de 5% desse
segmento.
"A
solução é unir-se para ganhar competitividade e
especializar-se em nichos setoriais e regionais", diz José
Fernando da Costa Boucinhas, presidente da Boucinhas & Campos.
Para
Ernesto Rubens Gelbcke, a fusão é uma necessidade das
empresas que querem crescer num mercado que exige cada vez mais
investimentos em tecnologia e pessoal.
As
médias estão vendo uma possibilidade de crescimento no
mercado de capital aberto com as exigências de rodízio
de auditores e separação entre consultoria e auditoria.
Mas o grande filão continua sendo o vasto universo das
empresas de capital fechado.
"Há
cerca de 300 mil empresas de pequeno e médio porte que vão
demandar cada vez mais serviços de auditoria e consultoria",
afirma Eduardo Pocetti, vice-presidente da Trevisan. "O Brasil é
muito pouco auditado", diz Gelbcke. "Temos um auditor para
25 mil habitantes, comparado a um para 2 mil nos Estados Unidos."
(VALOR
ECONÔMICO, 25/6/2002, Ano 3,Nº 536,Empresas &
Tecnologia)