HONORÁRIOS
ESTÃO MAIS ALTOS NO BRASIL
Nelson Niero
De
São Paulo
O
trabalho de auditoria está mais caro no Brasil depois do
colapso da Andersen. Em pleno período de negociação
com os clientes, as firmas de auditoria - grandes e pequenas - estão
apresentando um orçamento que inclui o custo da mais grave
crise que já atingiu o setor.
Os
reajustes estão sendo feitos por conta da elevação
do preço dos seguros, devido ao aumento da percepção
de risco da atividade, e também pelo investimento das
auditorias nos seus processos de controle interno.
"O
aumento para o cliente varia de 8% a 10%", diz Henrique Luz,
sócio da PricewaterhouseCoopers, a maior empresa do setor. As
apólices de seguro mais caras são as responsáveis
pelo reajuste, que, segundo ele, não está encontrando
resistência das companhias que contratam esse tipo de serviço.
"As empresas estão receptivas", afirma.
O
cenário para as firmas menores aparentemente não é
tão favorável. Num momento de economia estagnada, falar
em aumento de custo não é uma tarefa fácil para
firmas com menos poder de pressão. "Alguns clientes não
têm reagido bem", diz Guy Almeida Andrade, sócio da
Magalhães Andrade.
Sem
falar em porcentagens, o auditor confirma que houve um reajuste nos
honorários. "Os custos internos aumentaram", diz
Andrade, que é diretor de exercício profissional do
Ibracon, o instituto dos auditores independentes, e assume, na semana
que vem, a presidência da entidade, no lugar de Marcio
Villas.
Tanto
ele como Henrique Luz acreditam que o caso envolvendo a Enron e a
Andersen é um episódio isolado, mas ainda assim forçou
as firmas de auditoria a "olhar para dentro" para
verificar, nas palavras de Andrade, "se não havia nenhuma
fruta podre no cesto". Esse processo, diz Andrade, aumentou os
custos com controles internos de qualidade para reforçar os
conceitos como independência e gestão de risco. Um
exemplo é o treinamento em novos ambientes para evitar fraudes
eletrônicas.
Ele
lembra, no entanto, que isso não é só resultado
da crise pós-Enron. A Instrução 308 da Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), de 1999, já trazia várias
exigências que implicam em aumento de custos. Entre elas, o
sistema de qualidade interna, a revisão pelos pares e o
rodízio de clientes.
(VALOR ECONÔMICO,
20/6/2002,Ano 3, Nº 53,Empresas & Tecnologia)