Fundos de pensão


SPC DÁ MAIS PRAZO PARA AUDITORIAS




Rodrigo Bittar, De Brasília


A Secretaria de Previdência Complementar (SPC) adiou em seis meses o prazo para que os fundos de pensão apresentem auditorias atuariais sobre os resultados fechados em 2001. O prazo inicial vencia em 30 de junho próximo, mas foi transferido para o último dia do ano por determinação do Conselho de Gestão da Previdência Complementar. O pedido de adiamento foi feito pelos fundos de pensão, que alegaram dificuldade no fechamento dos balanços do ano passado.


A auditoria determinada pela SPC tem dois objetivos, segundo explicou o secretário de Previdência Complementar, José Roberto Savóia: " Atestar se os fundos têm reservas suficientes para pagar os benefícios de longo prazo e avaliar se as premissas atuarias adotadas pelos fundos são adequadas " . No último caso, o governo quer conferir se as entidades estão adotando dados recentes no cálculo de " sobrevida " dos participantes - período em que a pessoa deixa de contribuir para receber os benefícios previdenciários.


Savóia informou que a entrega dos relatórios da auditoria será dividida em cinco remessas semestrais. O primeiro grupo será composto por cerca de 70 fundos entre os menos capitalizados, de acordo com o resultado apresentado em 2001. " Queremos que os fundos passem por uma forte auditoria, de nível internacional, a cada três anos " , destacou.


Entre as determinações que a SPC faz aos encarregados das auditorias nos fundos está a necessidade de experiência mínima de quatro anos no ramo. Savóia explicou que a grande preocupação é que a análise certifique que, ao longo do tempo, os benefícios estarão sendo pagos com valores corretos. " Isso é importante para o participante que quiser mudar de entidade " , justificou.


Hoje, o ministro da Previdência, José Cechin, fará um balanço da solvência financeira das entidades fechadas de previdência. No último dia 19, Cechin apresentou dados agregados do sistema e anunciou intervenção no fundo de pensão dos funcionários da CSN - suspensa dois dias depois, após intensa pressão da empresa. Naquela época, Cechin afirmou que outros dois fundos " patrocinados por empresas estatais " também estavam correndo risco de sofrer intervenção.




(VALOR ECONÔMICO, FINANÇAS, 12-14/4/2002, P. C-3)