CONSULTORIA
DE AUDITOR CUSTA R$ 15,7 MILHÕES A EMPRESAS
Volume
gasto no ano passado representa 51% do valor total de honorários
de auditoria
MÁRCIO
ANAYA
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Uma
amostra com dez grandes grupos empresariais revelou que, no ano
passado, foram gastos R$ 15,7 milhões com serviços de
consultoria prestados por auditores. Os dados tornaram-se públicos
pela primeira vez, por determinação da Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), preocupada com possíveis
conflitos de interesses.
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A
discussão sobre o assunto e a exigência da divulgação
dessas informações surgiram depois que vieram à
tona, no fim de 2001, escândalos contábeis
internacionais envolvendo empresas de auditoria que prestavam
também consultoria.
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A
pesquisa, feita pela Agência Estado, mostrou ainda que os
honorários de consultoria corresponderam, em média, a
51% do valor gasto pelas companhias brasileiras com auditoria
externa (R$ 30,7 milhões).
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A
análise por empresa, no entanto, indica que os valores podem
variar bastante. O caso mais agudo é o da Siderúrgica
Gerdau, que pagou R$ 3,7 milhões à
PricewaterhouseCoopers por serviços especializados, como a
reestruturação de seus processos comerciais e
financeiros. A mesma Price recebeu da empresa R$ 383,4 mil pela
auditoria do demonstrativo financeiro de 2002, uma diferença
de 965%.
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O
vice-presidente executivo de finanças e relações
com investidores da Gerdau, Osvaldo Schirmer, disse que a política
do grupo sempre foi de contratar empresas distintas para
consultoria e auditoria. Ele afirmou que, excepcionalmente, a Price
realizou ambos os serviços entre maio e setembro de 2002,
por causa das dificuldades enfrentadas pela antiga auditoria Arthur
Andersen. Segundo ele, as atividades hoje já estão
novamente separadas.
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Outra
companhia do setor, a Belgo-Mineira, desembolsou pela consultoria
da Price o mesmo valor pago pela auditoria - R$ 1,3 milhão.
Em comunicado divulgado ao mercado, a Belgo disse que a empresa
auditora fez o acompanhamento de questões fiscais,
participou de projeto de reestruturação financeira,
"além de ter colaborado em matéria de auditoria
interna". Este último item é condenado por
órgãos internacionais e enfrenta críticas
também no Brasil.
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Procurada,
a Belgo não quis comentar o assunto. O sócio-diretor
da Price, Henrique Luz, disse não ter detalhes sobre o
serviço prestado à Belgo, mas garantiu que não
se trata de auditoria interna. "A colaboração
pode ser, por exemplo, somente um curso para os profissionais da
área." A diretora-executiva do Instituto Brasileiro de
Governança Corporativa (IBGC), Heloisa Bedicks, entende que
a contratação do auditor para serviços de
consultoria não merece censura em 100% dos casos. “Não
vejo conflito, por exemplo, num planejamento fiscal ou tributário.”
(O
ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, CIAS. ABERTAS, 3/4/2003, p. B-13)