CASO
XEROX PÕE FOCO NA KPMG
POR
JAMES BANDLER
The Wall Street Journal
Os
recálculos gigantescos das demonstrações
financeiras da Xerox Corp. prometem colocar o foco dos holofotes
regulamentares e legais sobre sua antiga empresa de auditoria, a KPMG
LLP.
A
firma de auditoria e pelo menos dois de seus sócios seniores
na conta estão confrontando uma investigação da
Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores
mobiliários americana) na qual o presidente da agência,
Harvey Pitt, está prometendo ação rápida.
A KPMG também enfrenta processos de acionistas por seu papel
na aprovação das contas que a Xerox e sua nova
auditoria PricewaterhouseCoopers LLP rechaçaram na
sexta-feira.
A
confissão da Xerox de que lançou indevidamente US$6,4
bilhões em receita e a aumentou seu lucro antes de impostos
em US$1,41 bilhão no decorrer de cinco anos coloca pressão
sobre a SEC para que adote uma linha dura com a KPMG, dizem
especialistas em direito societário.
"Espero
que alguns bons dólares e algumas sérias sanções
resultem quer de uma decisão judicial, quer de um acordo",
disse Alan Bromberg, um professor de direito societário da
Escola de Direito Dedman, da Universidade Southern Methodist.
Bromberg acrescentou que todos na KPMG envolvidos nos escalões
superiores de sua auditoria da Xerox, bem como "alguns caras na
frente de batalha, devem provavelmente sofrer sanções".
Pitt,
respondendo a perguntas que sugeriram que a agência americana
foi frouxa com a malandragem corporativa, disse numa entrevista a um
programa da TV americana que a guardiã dos valores mobiliários
"não encerrou o caso Xerox". Ele disse que a SEC
está voltando seus holofotes fiscalizadores sobre os
executivos, conselheiros e contadores que estiveram envolvidos na
manobra contábil.
A
KPMG não está entoando o tradicional lamento do
auditor, de que foi víitima de trapaças da diretoria.
Em vez disso, no que pode ser um arriscado estratagema, está
dizendo que a Xerox e a Pricewaterhouse é que estão
erradas. Num comunicado, ela diz que os recálculos "desafiam
a realidade econômica" e representam “uma
surpreendente meia-volta" da parte
da diretoria da Xerox e da Pricewaterhouse, que anteriomente
defendera as metodologias de contabilidade de arrendamentos que estão
no coração das reversões de receita que alteram
os balanços. A Xerox contabilizou antecipadamente receitas de
arrendamento de copiadoras ainda não realizadas, muitas delas
nas operações no Brasil.
George
Ledwith, um porta-voz da KPMG, disse que os recálculos foram
feitos para levar a Xerox de volta às' "boas graças"
da SEC, cuja investigação deprimiu a ação
da empresa e a afastou do mercado de capitais.
Ledwith disse que os recálculos não terão qualquer efeito de curto ou longo prazo sobre a firma. "Isso só fortalece nossa determinação para defender a integridade de nossas auditorias e de nosso pessoal", disse.
(O
ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 1/7/2, P.B-4)