DÍVIDA DO GRUPO DE TELEFONIA ESTÁ ESPALHADA



Não se sabe exatamente quanto cada banco tem a receber da WorldCom


ILL TREANOR
The Guardian


LONDRES - A dívida de US$ 33bilhões da WorldCom afeta os livros contábeis de pelo menos 60 bancos, 20 companhias internacionais, centenas de companhias de administração de fundos e alguns dos maiores fundos hedge do mundo.


Analistas admitiram que é difícil saber exatamente qual empresa enfrenta o pior caso. Informações públicas sobre os verdadeiros possuidores dos bônus no valor de US$30 bilhões emitidos pela WorldCom e sobre os US$3 bilhões de empréstimos feitos à WorldCom são escassas, permitindo que rumores circulem no mercado sobre quais são os outros pontos fracos.


Isso porque, embora a identidade dos grupos bancários que deram empréstimos à WorldCom esteja disponível, a maioria dos bancos que aderiu aos negócio depois vendeu parte da dívida a outras firmas financeiras.


É esta prática que dificulta saber exatamente em que medida o Bank of America e o Citigroup, dois dos maiores grupos financeiros dos Estados Unidos, são vulneráveis aos problemas da World Com, embora tenham desempenhado papéis-chave nas providências tomadas para fornecer empréstimos à companhia.


O Bank of America negou-se a esclarecer a City de Londres ou Wall Street quinta-feira sobre perdas potenciais, mas o diretor-financeiro do Citigroup, Todd Thomson, foi mais receptivo. Ele disse estar prevendo que os negócios do Citygroup com empresas e bancos de investimento venham a sofrer perdas de crédito "insignificante", acrescentando que seus investimentos de US$70 bilhões em bônus têm uma vulnerabilidade combinada de US$325 milhões.


Esperar que investidores como o Citigroup se manifestem sobre o montante que possuem em bônus é especialmente importante. É aí onde está o grosso das dívidas da WorldCom, e onde a transpartência está principalmente faltando, dizem fontes do setor, pois muitos dos bônus emitidos por companhias de telecomunicações são do tipo "ao portador", significando que instituições não são obrigadas a registrar sua posse.


Fontes da City de Londres disseram terça-feira que fundos hedge e outros investidores profissionais especializados nas chamadas "dívidas em apuros" vão provavelmente ser os proprietários de grande número de instrumentos de dívida da WorldCom. Na quinta-feira, informou-se que investidores em nichos como esses aproveitavam os baixos preços pelos quais os atuais possuidores de dívida da WorldCom estavam desesperadamente tentando desovar seus bônus.


Especialistas do setor também estavam destacando que muitos dos proprietários iniciais da dívida da WorldCom já haviam começado a vender em massa seus bônus antes das assombrosas revelações desta semana sobre o rombo contábil de US$3,9 bilhões. Isso porque problemas financeiros da WorldCom começaram a ficar evidentes há três meses, dando aos investidores mais conservadores a possibilidade de desovar suas posições.


Por esses motivos, Mark Thomas, analista de atividades bancárias no banco de investimentos Fox-Pitt Kelton, reconheceu que os resultados do levantamento de listas, publicamente disponíveis, de bancos participantes dos empréstimos, podem "não fazer sentido".


(O ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 29/6/2002)