MAIS UMA FRAUDE NOS BALANÇOS: É A VEZ DA XEROX




Bush fica irritado com irregularidade de US$ 6,4 bilhões admitida pela empresa


NOVA YORK – Em mais um caso de irregularidades em demonstrações financeiras de empresas americanas, a Xerox anunciou ontem que vai reclassificar US$ 6,4 bilhões de suas receitas, referentes a cinco anos. Os problemas também envolveriam a subsidiária brasileira. Irritado, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que as empresas americanas têm a obrigação de agir corretamente, em vez de tentar manipular os números.


Uma auditoria feita pela PricewaterhouseCoopers descobriu que a Xerox acelerou irregularmente as receitas da companhia nos últimos cinco anos. Em uma fiscalização, a Securities and Exchange Commission (SEC), comissão de valores mobiliários americana, havia verificado US$ 3 bilhões em faturamento contabilizado irregularmente de 1997 até 2000. A SEC e a Xerox fecharam um acordo em abril, para resolver os problemas.


Mas a auditoria, que também verificou o ano de 2001, encontrou outras irregularidades. Os novos problemas centram-se na contabilização de contratos de leasing, que também envolvem a subsidiária brasileira. Para o presidente da Xerox do Brasil e membro do conselho mundial da companhia, Guilherme Bettencourt, o mercado financeiro “recebeu bem” as explicações referentes às mudanças contábeis. Ele afastou qualquer semelhança com os problemas registrados com empresas como Enron ou WorldCom, garantindo que no caso da Xerox a mudança resultou de negociação com a SEC durante mais de um ano e meio.


Após as revelações de massivos erros contábeis na WorldCom, problemas maiores do que o esperado na Xerox representam outro caso de uma grande empresa americana inflando seus resultados por meio de informações contábeis falsas. Em abril, a SEC estimou impropriedade contábil que aumentou o lucro antes dos impostos da Xerox em US$ 1,5 bilhão de 1997 a 2000. A Xerox fez um acordo com a SEC em abril e pagou uma multa de US$ 10 milhões, a maior da história por violações aos informes financeiros


A Xerox informou que entregraria ontem à SEC uma nova versão de seu relatório anual de 2001, revertendo US$ 1,9 bilhão em receitas passadas. O formulário inclui ajustes referente ao período de 1997 a 2001 e reflete mudanças na conta de leasing da companhia. Entre 1997 e 2001, a Xerox estornou um total de US$ 6,4 bilhões em receita com venda de equipamentos, sendo que US$ 5,1 bilhões foram reclassificados e lançados como receita sobre serviços, aluguel, terceirização e financiamento. O lucro antes dos impostos durante o período de cinco anos recuou US$1,4 bilhão no total, dos valores divulgados anteriormente.


Bush afirmou ontem que o Departamento de Justiça vai tomar as medidas necessárias contra os responsáveis.


Para o presidente Fernando Henrique Cardoso, “o sistema internacional, essas grandes empresas estão com controle frouxo”. Ele destacou, entretanto, que o problema verificado não é do Brasil.


Disney – A Walt Disney Co. disse que um erro relacionado às novas regras de contabilidade levou a companhia a apresentar emendas de balanços anteriores à SEC, informou ontem The Wall Street Journal. As emendas apresentadas pela Disney para os balanços do primeiro e segundo trimestres fiscais não mudam a última linha reportada pela companhia. “Foi um erro matemático humano”, disse o executivo-chefe financeiro da companhia, Thomas Staggs. “Isso não tem impacto sobre a última linha, nosso fluxo de caixa ou nosso balanço de pagamentos.” Staggs disse que a Disney corrigiu os erros assim que foram detectados, acrescentando: “Nossas finanças tem de estar certas. Se eu encontrar um erro, eu tenho de assumir a responsabilidade por isso e corrigir.” (Alaor Barbosa, Sérgio Gobettia statutory filing with the Securities and Exchange Commissionin Xerox's books e agências internacionais)


(O ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 29/6/2002)