FRAUDE
NA WORLDCOM PODE LEVAR A MUDANÇAS NA LEI
Comissão
de valores mobiliários deve receber mais autoridade
- CALGARY,
Canadá - A fraude nos balanços da WorldCom,
controladora da Embratel, preocupa o governo americano, que busca
responsabilizar os executivos da empresa e tornar mais eficientes
as regras para empresas abertas. As autoridades dos Estados Unidos
temem que uma crise de confiança nas empresas venha a
prejudicar a economia do país. O presidente George W.
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Bush
disse estar preocupado com os reflexos do escândalo contábil
da WorldCom. "Estou preocupado com o impacto econômico
do fato de que existem alguns líderes empresariais que não
têm assumido suas responsabilidades", disse Bush no
início de um encontro com o presidente russo Vladimir Putin,
durante a reunião de cúpula do G-8. Bush reiterou que
os executivos devem assumir suas responsabilidades.
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Putin
afirmou que a WorldCom foi o principal ponto de discussão
durante a sessão econômica do G-8. O presidente russo
disse que a economia global depende em grande extensão da
economia dos EUA e congratulou Bush por pressionar as empresas a
ampliarem a transparência.
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O
comitê de serviços financeiros da Câmara dos
Deputados convocou executivos atuais e antigos da WorldCom e o
analista Jack Grubman, da Salomon Smith Barney, para deporem sobre
a fraude contábil da companhia, em audiência marcada
para 8 de julho. Os executivos da WorldCom intimados foram o antigo
diretor-presidente, Bernard Ebbers, o atual John Sidgmore e o
antigo diretor-financeiro Scott Sullivan. Grubman rebaixou as ações
da empresa um dia antes da divulgação das fraudes.
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Em
entrevista à rede de televisão ABC, o secretário
do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O'Neill, informou que o
presidente Bush e o Congresso americano trabalham numa legislação
dar mais poder à Securities and Exchange Commission (SEC),
autoridade do mercado mobiliário dos EUA, para apreender
ativos nos casos de investigação de fraude
corporativa.
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"Queremos
que a lei seja forte o suficiente de modo que a SEC possa
investigar e congelar contas e ativos, enquanto os casos estão
em discussão judicial e para que o dinheiro não
escape e venha a ser redistribuído aos empregados e
acionistas", afirmou O'Neill. Segundo o secretário, a
recente série de escândalos corporativos, culminando
com as violações das normas contábeis da
WorldCom, enfatizaram a necessidade de uma ação mais
dura por parte da SEC.
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Ele
reiterou que os dirigentes das empresas devem ser responsabilizados
por conhecerem todas as informações significativas
que possam afetar o valor de uma empresa. Uma vez que o principal
executivo certifique a veracidade das contas, ele deverá ser
acusado criminalmente se essas contas mais tarde se provarem
falsas.
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Para
demonstrar que está adotando uma posição dura
contra as fraudes das corporações, a SEC entrou na
noite de quarta-feira com uma ação por fraude
contábil contra a WorldCom no tribunal federal de Nova York
e ordenou que a empresa forneça um relatório
detalhado sob juramento antes de o mercado abrir na segunda-feira.
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"Não
foi um engano, foi uma fraude", disse Harvey Pitt, chairman da
SEC.
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Segundo
Pitt, a agência atuará atentamente junto aos
promotores federais. A SEC está solicitando uma ordem
judicial para impedir a dissipação de ativos ou
pagamentos a altos executivos que trabalharam ou trabalham na
empresa. A autoridade do mercado financeiro tentará também
impedir a destruição de documentos e bloquear
qualquer pacote trabalhista extraordinário ou bônus
aos executivos.
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A
SEC alega em sua ação que o esquema de fraude foi
direcionado e aprovado pelos diretores que falsamente retrataram a
WorldCom como um negócio rentável. A companhia está
sendo processada por violação aos dispositivos
federais antifraude e às exigências de escrituração
contábil. A WoldCom começou a manipular seus ganhos
no início de 2001, visando mantê-los em linha com as
expectativas do mercado e para sustentar o preço de suas
ações, alega a SEC. Para impulsionar o preço
das ações, a WorldCom tratou os "custos de
linha", ou tarifas pagas a fornecedores de redes de
telecomunicações terceirizados, como item de capital
em vez de despesa.
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Desde
dezembro do ano passado, quando houve a quebra da empresa de
energia Enron, o Congresso dos EUA estuda uma legislação
para tornar mais rígidas as regras de práticas
contábeis e para proteger os fundos de pensão dos
trabalhadores.
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Na
terça-feira, a WorldCom, segunda maior operadora de longa
distância dos EUA, admitiu que pode ter inflado seus lucros
em US$ 3,9 bilhões, nos últimos cinco trimestres.
Vários analistas consideram o colapso da empresa inevitável.
(Agências internacionais)
(O
ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 28/6/2002)