ENRON
DESPERTA ATENÇÃO PARA NORMAS CONTÁBEIS
O
caso colocou em xeque o Usgaap, modelo americano, e destacou o IAS,
modelo europeu
SILVIA
FREGONI
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A
quebra da gigante norte-americana Enron, no final do ano passado,
provocou intensa discussão sobre a qualidade dos princípios
contábeis. O episódio colocou em xeque o United
States Generally Accepted Accounting Principles (Usgaap), modelo
dos Estados Unidos, e despertou a atenção do mercado
para o International Accounting Standards (IAS), de origem
européia, que pretende tornar-se universal.
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O
presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil
(Ibracon), Márcio Martins Villas, disse que o caso mostrou
ao mundo a necessidade de revisar a qualidade do trabalho das
auditorias e as normas contábeis.
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"Talvez
o Usgaap não seja tão perfeito quanto muitos
pensavam." Ele acredita que, tendo em vista o abalo da
confiança dos investidores, as autoridades americanas
passarão a olhar mais para outros princípios
contábeis, como o IAS, e a aceitar contribuições
desses modelos. "Os Estados Unidos perceberam que é
preciso conversar com o mundo."
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O
gerente de Controladoria do Deutsche Bank, Horácio
Bethonico, afirmou que o ideal seria um modelo com as técnicas
do Usgaap e a representatividade do IAS, que permite a vários
países participarem do conselho de gestão. Para ele,
o Usgaap, como princípio geral de contabilidade, é
extremamente rígido, exigindo o maior grau de transparência
em relação a notas explicativas, por exemplo. "As
empresas brasileiras fazem geralmente de cinco a 20 notas. Nos EUA,
há um livro de explicação, o chamado
'disclosure'." De acordo com o gerente do Deutsche, o IAS é,
no entanto, o que tem a melhor política de gestão,
por não ser de um só país e ter caráter
"apolítico". O grupo que supervisiona o IAS conta
com seis executivos norte-americanos, seis europeus, quatro
asiáticos e três de outros países. Segundo
Bethonico, mais de 450 empresas usam o IAS hoje.
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Na
avaliação de Antonio Carlos Fioravante, gerente de
auditoria da Arthur Andersen, a tendência é de
convergência do IAS e o Usgaap, o que deve ocorrer ao longo
dos próximos quatro ou cinco anos. "A grande dúvida
é qual modelo se adaptará ao outro." O gerente
de normas de auditoria da CVM, Ronaldo Cândido da Silva,
avalia que as normas internacionais de contabilidade são
boas e que foi a má observância desses princípios
que levou ao escândalo Enron. "Foram as pessoas que
falharam e não existe norma perfeita nesse caso."
(O ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA,
16/3/2002, P.B-17)