SENADOR ACUSA ENRON DE PREJUDICAR INVESTIGAÇÃO



Segundo presidente da Subcomissão do Comércio, empresa não entrega documentos solicitados


WASHINGTON - A Enron não está ajudando as investigações do Congresso sobre a falência da empresa, denunciou ontem o presidente da Subcomissão do Comércio do Senado, Byron Dorgan. Segundo ele, os executivos da empresa "simplesmente não estão cooperando" e não entregaram documentos sobre a rede de parcerias com empresas criada para ocultar dívidas. Dorgan também disse que o ex-presidente-executivo da empresa, Kenneth Lay, concordou em depor na subcomissão segunda-feira.


O Bank of America demitiu dois funcionários que tratavam dos negócios do banco com a Enron, revelou uma nota distribuída pela instituição. Os demitidos, Jo Tomalis e Marcia Bateman, trabalhavam na unidade do banco que cuidava de clientes do setor de energia, informou o Wall Street Journal. James Allred também foi dispensado, informou uma porta-voz do Bank of America, segundo o site da CNN. Mas não está claro se a demissão de Allred está relacionado com o caso Enron. Eles foram demitidos na semana passada.


Em Londres, a falência da Enron provocou mais uma demissão. O presidente da Comissão de Queixas sobre a Imprensa, John Wakeham, renunciou temporariamento ao cargo até que as investigações sobre a bancarrota sejam concluídas. Ele, ex-ministro da Energia e ex-membro da diretoria da Enron, alegou "questão de honra" para se afastar.


Wakeham temia que a comissão fosse prejudicada por causa de suas relações com a empresa americana.


O presidente-executivo interino da Enron, Stephen Cooper, que assumiu o cargo esta semana, afirmou ontem que não está preocupado com as investigações sobre a quebra da empresa, mas sim com o futuro. Ele pretente mover-se "à velocidade da luz" para reorganizar o que restou do gigante energético. Cooper, especializado em reestruturar empresas com problemas, disse que a Enron deve voltar a ser uma companhia de gasoduto, como era na época de sua criação em 1985, e não uma comerciante de energia, o que se tornou nos últimos anos.




(AE e agências internacionais)





(O ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 01/02/2002, P.7)