CONGRESSO VAI À JUSTIÇA PARA TER ACESSO A MINUTAS DA CASA BRANCA


Legislativo quer saber o que vice-presidente conversou com executivos da Enron


WASHINGTON - O Escritório Geral de Auditoria do Congresso dos Estados Unidos (GAO, pelas iniciais em inglês), o órgão fiscalizadado do Poder Legislativo, vai processar a Casa Branca na tentativa de fazer o Executivo liberar documentos da força-tarefa criada pelo presidente George W. Bush para tratar de questões de energia. O GAO pretende que o vice-presidente Dick Cheney entregue ao Legislativo as minutas de reuniões que teve no ano passado com executivos de empresas do setor de energia. Essas reuniões destinavam-se a formular a política de energia do governo Bush. Executivos da Enron, que pediu falência em dezembro, participaram de alguns desses encontros. O governo tem-se recusado a apresentar os documentos, no que foi descrito pelo porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, como uma questão de princípio. "O presidente permanecerá com o pricípio e com o direito dos presidentes de receberem conselhos sinceros sem debatê-los na imprensa", afirmou Fleischer ontem.


O GAO é o órgão do Congresso que fiscaliza as atividades de todos os ramos do governo; ao contrário do Tribunal de Contas da União brasileiro, porém, ele não tem poderes judiciários. Essa será a primeira vez em que o GAO entra na Justiça contra a Casa Branca nos 80 anos de existência do órgão.


Em abril, o escritório começou a investigar o comportamento da força-tarefa da Casa Branca sobre energia e as relações de Cheney com empresas do setor por iniciativa do Partido Democrata, de oposição. Desde então, Cheney, com respaldo de Bush, tem-se recusado a apresentar os documentos relativos às reuniões da força-tarefa.


A Enron admitiu, no fim da noite de terça-feira, que pode não ter declarado cerca de 50% do dinheiro que destinou à pratica de lobby, legalizada nos EUA, no primeiro semestre do ano passado. A falha veio à tona com um levantamento realizado pelo Centro para Políticas Responsáveis (CPR), uma organização sem fins lucrativos dedicada à fiscalização do dinheiro na política e dos efeitos de contribuições financeiras em processos eleitorais e políticas públicas.


De acordo com o estudo do CPR, a Enron declarou um total de US$ 825 mil em lobby nos primeiros seis meses de 2001. Ao mesmo tempo, no entanto, 13 firmas externas de lobby confirmaram ter recebido pelo menos US$ 1.785.000 da empresa de energia no mesmo período, uma diferença de US$ 960 mil.



O advogado da Enron, Bob Bennett, admitiu ontem que a empresa continuou a destruir documentos, com a ajuda de firmas especializadas em trituração de papéis, até o cemeço deste mês, apesar das determinações para preservá-los divulgada em 25 de outubro. Mas o grupo energético garante que os documentos destruídos eram propostas de negócios e listas de empregados, não tendo nenhuma relação com as investigações.
(AE e agências internacionais)



(O ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 31/1/2002, P.B-20)