NA
IBM, 'OUTRAS RECEITAS' CRIAM NOVAS DÍVIDAS
POR
WILLIAM M. BULKELEY
Repórter do The Wall Street Journal
Na
semana passada, quando a International Business Machine Corp.
anunciou que uma queda de 4,9% no lucro líquido em 2001, o
primeiro em oito anos, o foco estava na queda das vendas de
microcomputadores e semicondutores e no fraco crescimento em
serviços.
Mas
enterrada profundamente no balanço estava outra razão.
Uma inexplicada categoria de despesas chamada "outras receitas e
despesas" tinha caído de US$617 positivos em 2000 para
US$95 milhões negativos em 2001. Sem essa mudança, o
lucro antes dos impostos da IBM teria subido.
Tais
variações contábeis - sem muito detalhamento
pelos executivos da IBM ajudam a explicar porque a companhia
atrai críticas de investidores que se debruçam sobre o
balanço muito tempo após as manchetes com os resultados
trimestrais aparecerem.
Nesse
caso, o ganho de US$617 milhões em 2000 veio basicamente de
investimentos da empresa em projetos na Web durante a bolha da
Intemet. Em 2001, a IBM deu baixa contàbil de milhões
de dólares de tais investimentos, com pouco mais de uma menção
ocasional sobre a mudança durante a conferência com
analistas. Nos dois anos, o ajuste teve pouco a ver com o desempenho
operacional da IBM, mas teve impacto significativo nos lucros por
ação.
Em
anos passados os resultados da IBM foram impulsionados por grandes
ganhos de investimentos no seu fundo de pensão, enormes
recompras de ações, que reduzem o volume de ações
e portanto elevam o lucro por ação, e por reduções
contínuas no pagamento de impostos globalmente.
Ninguém
vê uma situação do tipo da Enron na IBM. Há
pouca dúvida de que o grosso do seu faturamento e lucro
resulta de vendas lucrativas de computadores, programas e serviços
para algumas das maiores companhias do mundo. John Joyce, diretor
financeiro da IBM, diz: "Nos orgulhamos de ser uma das empresas
mais conservadoras em relação a políticas de
contabilidade." Ressaltando que a IBM não tem dívida
fora do balanço, ele acrescenta que "o dinheiro em caixa
torna-se um grande equalizador na análise financeira, e
aumentamos o fluxo de caixa significativamente desde 1998."
De
lato, para os seus fãs, parte do atrativo da IBM é a
capacidade que ela tem de apresentar números de lucropor ação
de acordo com as expectativas, mesmo quando as vendas não
correspondem.
Críticos
dizem que essa habilidade de controlar precisamente os relatórios
de lucros obscurece o verdadeiro desempenho da IBM. Eles reclamam que
não podem calcuIar o impacto dos ganhos da IBM por causa do
superávit atuarial de seu fundo de pensão. Isso
acrescentou US$530 milhões ao lucro antes dos impostos da IBM
em 2000, 80% a mais do que no ano anterior.
AIimentando
a alta, a IBM elevou sua taxa de retomo esperada sobre os
investimentos do fundo de 9,5% para 10% em 2000, tinia mudança
que elevou o lucro antes dos impostos de 2000 em mais US$195
milhões.
Um
executivo da IBM diz que esse aumento da expectativa de retomo
reflete a experiência da IBM com o crescimento de longo prazo
do seu fundo.
(O
ESTADO DE S. PAULO, ECONOMIA, 25/1/2002, P. B-10)